O papel do empresariado paulista na ditadura militar

Impressiona o depoimento dado pelo Carlos Araújo, aliado político e ex-marido da Presidenta Dilma. Ele disse à Comissão da Verdade, nessa segunda-feira (18MAR), que  foi torturado pelos militares na presença de membros da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP)

Araújo ainda fez um apelo à Comissão da Verdade: – Que seja investigado o papel do empresariado paulista na ditadura militar.

Abaixo, colo matéria veiculada na Zero Hora virtual (http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/03/a-comissao-da-verdade-carlos-araujo-diz-ter-sido-torturado-na-presenca-de-empresarios-4078220.html)

Anos de Chumbo18/03/2013 | 14h03Atualizada em 18/03/2013 | 16h44

À Comissão da Verdade, Carlos Araújo diz ter sido torturado na presença de empresários

Ex-marido de Dilma Rousseff afirma ter sido torturado na presença de membros da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que teria financiado a ditadura militar

À Comissão da Verdade, Carlos Araújo diz ter sido torturado na presença de empresários Emílio Pedroso/Agencia RBS
Ex-deputado Carlos Araújo relata os anos de prisão e tortura.Foto: Emílio Pedroso / Agencia RBS
Juliana Bublitz

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Em depoimento à Comissão da Verdade nesta segunda-feira, em Porto Alegre, o ex-marido da presidente Dilma RousseffCarlos Araújo, fez um apelo para que seja investigado o papel do empresariado paulista na ditadura militar.

Durante a audiência pública, que selou um acordo de cooperação entre as comissões nacional e estadual, o ex-deputado de 75 anos revelou ter sido torturado na presença de membros da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Com a saúde frágil em função de problemas respiratórios, Araújo teve dificuldades para subir as escadarias do auditório da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), que sedia o encontro, previsto para terminar no fim da tarde.

Sem entrar em detalhes em função da doença, o ex-parlamentar gaúcho relatou em cerca de 10 minutos o passado de prisões e de torturas — ele esteve preso por quatro anos, na década de 1970. Em seguida, dirigindo-se ao coordenador da Comissão Nacional, Paulo Sérgio Pinheiro, disse acreditar no trabalho do grupo e manifestou o desejo de que a Fiesp faça parte de seu relatório.

— Entendo que quando se diz que a Comissão da Verdade tem de investigar tudo, isso inclui os empresários brasileiros também, o núcleo de torturadores da Fiesp. Tenho certeza de que a comissão vai entrar nesse antro da Fiesp, que foi responsável por financiar as torturas e estimular os torturadores — afirmou.

Em nota, a entidade afirma que “sobre as menções feitas à Fiesp é importante lembrar que a atuação da entidade tem se pautado pela defesa da democracia e do Estado de Direito, e pelo desenvolvimento do Brasil. Eventos do passado que contrariem esses princípios podem e devem ser apurados.”

Depois de ouvir o ex-parlamentar, Pinheiro garantiu que “o financiamento da repressão é uma das linhas de trabalho da comissão” — uma linha “delicadíssima”, segundo ele. Por isso mesmo, o coordenador evitou adiantar conclusões e não fez nenhuma menção direta à Fiesp.

— Não achamos que seja conveniente revelar tudo a cada audiência pública — disse Pinheiro.

 

Prestigiado pela ministra Maria do Rosário e pelo governador Tarso Genro, que defendeu a revisão da Lei da Anistia pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o encontro na Capital também abriu espaço para outros ex-presos políticos e familiares de desaparecidos contarem suas histórias — entre eles Antonio Lucas de Oliveira, Suzana Lisboa e Paulo de Tarso Carneiro.

Antes disso, o coordenador da Comissão Estadual, Carlos Guazzelli, apresentou um relatório sobre as primeiras conclusões do grupo. Dados compilados desde o ano passado indicam que mais de 300 pessoas foram presas durante o regime militar. Ao todo, até ontem, seis pessoas haviam sido ouvidas.

Para a tarde desta segunda-feira, estão previstos mais dois painéis, um deles sobre a Operação Condor e o outro sobre a morte do ex-presidente João Goulart. Conforme a ministra Maria do Rosário, o caso Jango será aprofundado na Comissão Nacional.

— Há indícios de que João Goulart tenha sido assassinado, para os quais não podemos fechar os olhos — ressaltou a gaúcha.

O painel sobre Jango terá a presença de familiares do ex-presidente e de dois representantes do Ministério Público Federal (MPF).

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