O previsível embate de egos no show midiático da Lava Jato

 
Jornal GGN – Mais um capítulo no embate entre quem tem mais poderes nas investigações dos políticos envolvidos da Lava Jato no STF. O delegado da Polícia Federal, Eduardo Mauat, pediu explicações de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, sobre a suspensão dos depoimentos dos políticos à PF. Para Janot, a polícia estava “atropelando as investigações”, o que foi assegurado pelo ministro Teori Zavascki, do STF. 
 
De O Globo
 
 
Órgãos disputam comando de investigação sobre políticos no Supremo Tribunal Federal
 
Por Eduardo Bresciani, Vinicius Sassine e Thais Skodowski, especial para O Globo
 
O delegado Eduardo Mauat, um dos integrantes da força tarefa da Operação Lava-Jato, cobrou explicações públicas do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele rebateu as críticas de Janot que esta semana pediu a suspensão dos depoimentos de políticos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras por entender que a PF estaria “atropelando as investigações”.
 
Nesta semana, a relação da PF e a Procuradoria Geral da República (PGR) entrou em rota de colisão e tem como pano de fundo a disputa pelo protagonismo nas investigações dos envolvidos com foro privilegiado. Na quarta-feira, o ministro Teori Zavascki suspendeu os depoimentos desta semana atendendo a um pedido do procurador-geral. Em nota, a PF negou condenou a medida.
 
Na nota, a PF registra que não há determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de qual deve ser a ordem para o cumprimento das fases da investigação e que o MPF tem participado dos trabalhos.
 
— Nós estamos acompanhando com grande curiosidade qual vai ser a explicação do Ministério Público Federal, do procurador Rodrigo Janot, em relação a suspensão dos depoimentos que estavam marcados. No primeiro momento foi imputado à PF a demora no andamento desses procedimentos no Supremo Tribunal Federal e, agora, por iniciativa do MPF esse procedimento foi paralisado — disse o delegado.
 
Mauat também reclamou do atraso nos repasses das diárias aos agentes e delegados que participam da Operação Lava Jato. Segundo o delegado, há dois meses, eles não recebem a diária de R$ 200,00, usada para pagar alimentação e hospedagem dos policias que são de outros sedes, mas que estão em Curitiba por causa da operação. O rombo já chegaria a R$ 200 mil.
 
— Existe um atraso no repasse das diárias e isso pode vir a causar um prejuízo sério na investigação – alertou Mauat.
 
Nesta semana, a divergência entre a PF e Procuradoria levou a suspensão de sete inquéritos que investigam políticos e operadores do esquema, a pedido de Janot. Para o procurador, a PF está se precipitando. Ele alegou que os delegados estariam intimando e interrogando parlamentares sem a informação necessárias para aprofundar a apuração.
 
Em geral, depoimentos de investigados, considerados peças de defesa, ocorrem no final de um inquérito. Desta vez, a PF teria invertido essa ordem, ouvindo deputados e senadores antes de ouvir outras pessoas e, assim, levantando dados adicionais para confrontar com respostas dos investigados.
 
Além disso, dois episódios estão entre os motivos para a decisão da PGR: a pressão de assessores parlamentares junto à Polícia Federal (PF) para agilizar os depoimentos de pelo menos dois investigados e a existência de perguntas e respostas prontas numa dessas oitivas, antes mesmo da chegada de um procurador da República para participar do depoimento. O GLOBO apurou que a pressão partiu de assessores dos senadores Humberto Costa (PT-PE), líder do partido no Senado, e Gleisi Hoffmann (PT-PR).
 
A queda de braço teria ainda como pano de fundo a tentativa de delegados de botar em pauta a discussão da PEC 412, que transforma a PF em agência autônoma.
 
“Entre as determinações do STF, não consta uma ordem de preferência a ser observada para os depoimentos. Deve-se ressaltar, inclusive, que todas as oitivas realizadas até o momento contaram com a participação de membros do MPF”, diz trecho da nota.
 
A Polícia Federal informou ainda que reforçou o número de policiais para poder atender ao cumprimento de todas as diligências e depoimentos de mais de 100 pessoas. E ressaltou ter pedido a prorrogação do prazo para a conclusão das diligências e apontado “outras providências consideradas essenciais para aprofundar as investigações”.
 
“ Esses pedidos observam o Regimento Interno do próprio STF, especialmente o artigo 230-C, que faculta ao órgão esse procedimento”.
 
A nota diz ainda que a instituição aguarda a decisão judicial para retomar as investigações e que age “velando por suas prerrogativas e autonomia funcional”.
 
“A Polícia Federal tem o compromisso em elucidar os fatos investigados e aguarda para retomar a execução das diligências; Como Polícia Judiciária da União, a PF age com o devido respeito a todas as instituições, bem como ao ordenamento jurídico brasileiro, velando por suas prerrogativas e autonomia funcional”, conclui.
 
Ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, entrou em ação para tentar evitar que um racha entre as cúpulas da PF e do MPF atrapalhe as investigações. No início da noite de quinta-feira, o ministro teve uma longa reunião com o diretor da PF, Leandro Daiello, e iria conversar também com Janot. Mais cedo, Cardozo disse que buscaria um entendimento:
 
— Não pouparemos esforços para que harmonia continuem acontecendo da melhor forma possível — disse.

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