O Sérgio Moro de Ribeirão Bonito, por Luis Nassif

A pequena cidade de Ribeirão Bonito, perto de São Carlos, viveu um caso exemplar do punitivismo turbinado pela mídia.

Em fins dos anos 90, cinco filhos da cidade, bem-sucedidos em suas profissões, decidiram montar uma ONG para ajudar na transparência municipal. O caso foi repercutido por todo o país, como exemplo das novas formas de organização social.

A presidência ficou nas mãos de um ex-presidente da Klabin, Josmar Verillo. O primeiro caso identificado mereceu cobertura do Fantástico e da imprensa nacional. Assim como Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, o sucesso subiu à cabeça do sujeito. Passou a buscar fatos novos que permitissem manter a ONG na onda da mídia.

O prefeito da cidade, Rubens Gayoso Júnior, era visto por todos como uma figura adorável.  Na ânsia de buscar escândalo, Josmar levantou um anúncio publicado no jornal de São Carlos. E constatou que a prefeitura pagou o equivalente a 80 cm2 a mais do que foi publicado. O valor era irrisório.

A partir dessa tolice, moveu uma campanha inclemente contra o prefeito, contra a opinião de outros conselheiros, que consideravam ridícula a denúncia.

Pouco antes, Rubens havia denunciado vereadores que tentavam achacar  a prefeitura. Montou-se, então, um jogo já conhecido. Numa ponta, Jomar buzinando a falsa denúncia; na outra, a Câmara fortalecida com as denúncias contra o prefeito, articulando o impeachment.

A campanha produziu uma depressão no prefeito Rubens, que acabou em um câncer fulminante. Os demais conselheiros deixaram a ONG, que encerrou suas atividades. Projetos relevantes para a cidade, como a reforma do grupo escolar, a recuperação do cinema, ficaram parados, destruídos pelo exibicionismo de Jomar.

Hoje em dia, em Ribeirão Bonito, a lembrança de Rubens, o Rubinho, é celebrada como a do maior prefeito que a cidade teve. Josmar encerrou sua carreira de executivo, meteu-se em negócios mal-sucedidos. Não dá mais com as caras pela cidade. Vive das lembranças de inquisidor, como membro da Transparência Internacional.

Na cidade, as ruínas da escola e do cinema são o exemplo mais eloquente dos malefícios do punitivismo desregrado e de sua parceria com a mídia.

 

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