O tio de Deltan Dallagnol flagrado em grampo na Operação Ararath sobre compra de sentenças

Xavier Leonidas Dallagnol, irmão do procurador de Justiça Agenor Dallagnol, pai de Deltan, defende acusados de fraudes e grilagem no Mato Grosso

Jornal GGN – Xavier Leonidas Dallagnol é advogado e responsável pela gestão das propriedades do clã Dallagnol no estado do Mato Grosso, especialmente no município Nova Bandeirantes, onde elas se concentram. Em um novo capítulo da série “Os Latifúndios dos Dallagnol na Amazônia“, o site De Olho nos Ruralistas mostra que o tio do procurador da República e chefe da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, advoga também em processos ligados a José Pupin, incluído na lista suja do trabalho escravo em 2004.

Xavier ainda chegou a ser flagrado em um grampo sobre a compra de sentenças, feita pela Polícia Federal, durante a Operação Ararath. Em 2018, jornais do Mato Grosso chegaram a expor informações sobre as conversas entre Pupin, seu então advogado Xavier Dallagnol e Tiago Vieira de Souza Dorileo, suposto lobista conhecido no Mato Grosso como “corretor de sentenças” junto à membros do Poder Judiciário.

Pupin estaria tentando se livrar de processos da acusação de que ele teria oferecido uma fazenda em Paranatinga (MT) com registro fraudado para obter um empréstimo de US$ 100 milhões. Para completar o quadro de irregularidades, fiscais constataram trabalho escravo na mesma propriedade.

“Em função dos fortes indícios de compra de sentenças identificados nas conversas entre Tiago Dorileo e Xavier Dallagnol, bem como entre Tiago e o juiz aposentado José Mauro Biachini e deste com o empresário José Pupin e seu então advogado, o então juiz da 5ª Vara Federal, José Pires da Cunha, determinou o desmembramento do inquérito que culminou com a Operação Ararath em outro, exclusivamente para investigar o suposto esquema de compra e venda de sentenças que seria operado pelo lobista”, divulgou em outubro de 2018 o jornal local Paranatinga News.

A JPupin, do empresário que já foi considerado “o rei do algodão”, tem dívidas que superam R$ 1,3 bilhão em impostos e condenações trabalhistas. Ele também foi dono da Fazenda Marabá, em Cabo Verde (MT), onde, em 2004, um grupo de fiscalização móvel encontrou 56 trabalhadores em situação análoga à escravidão. A reportagem do De Olho nos Ruralistas destaca ainda que, em Santo Antônio do Leverger (MT), trabalhadores de uma fazenda do grupo JPupin paralisaram as colheitas em janeiro deste ano porque não recebiam salários há dois meses.

A Fazenda Marabá não pertence mais a Pupin, foi arrematada neste ano por R$ 41 milhões em leilão, para pagar uma dívida com o banco ABC. Quem arrematou foi o grupo Eraí Maggi, pertencente ao primo do ex-governador do Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi.

No caso envolvendo a compra de sentenças, em Paranatinga, aparece também o nome do empresário Rovilio Mascarello, famoso bon vivant e negociante de terras, de Cascavel, Paraná. Segundo o Ministério Público Estadual, Pupin e Mascarello teriam se associado para fraudar escrituras em uma área que está em litígio judicial de posse entre a família de empresários e agropecuaristas dona do Grupo Martelli e Mascarello.

A reportagem do De Olho nos Ruralistas destaca que Xavier Dallagnol figurava como um dos advogados de Pupin e Mascarello nesse processo movido pelo Ministério Público Estadual.

Mascarello também é acusado de se associar a José Pupin em outro esquema de fraude em uma fazenda de 15 mil hectares em Jaciara (MT), alienada ao fundo estadunidense MetLife Investments. Quem defende os dois empresários nesse processo é novamente Xavier Dallagnol.

Recentemente, no Pará, Mascarello voltou a ser denunciado, dessa vez por se apropriar ilegalmente de 1,2 milhão de hectares sobrepostos a unidades de conservação federais no município de Altamira.

Em 2014, o paranaense foi indiciado por violentar meninas entre 13 e 17 anos. “Segundo a mãe de uma delas, ele oferecia dinheiro e imóveis em troca da virgindade. Alheio às denúncias, Mascarello considera-se um self-made man. ‘Embora eu tenha concluído apenas o primário, consegui tudo com muita força de vontade, honestidade, economia, perseverança, sorte e fazendo o negócio certo na hora certa’”, escrevem Leonardo Fuhrmann e Alceu Luís Castilho que assinam a matéria.

Clique aqui para ler a reportagem na íntegra.

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