Operador tucano de Pasadena não é denunciado na Lava Jato

Além de Nelson Martins Ribeiro, o principal interlocutor para a compra irregular da refinaria de Pasadena, segundo os investigadores, Gregorio Marin Preciado teria colaborado para o esquema
 
 
Jornal GGN – A 20ª fase da Operação Lava Jato denota como a relação de operadores do PMDB com irregularidades em contratos da Petrobras eram desenhadas com o PSDB, contrariando o curso das investigações até o momento, que incidia sobre proximidades que afetavam o PT. O novo operador que surge como um dos responsáveis pela venda da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, é figura de longa data dos tucanos, Gregorio Marin Preciado.
 
Preciado é marido da prima do senador José Serra (PSDB-SP). Foi conselheiro do banco Banespa e ajudou em campanhas eleitorais tucanas em São Paulo. De acordo com o livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. (Geração Editorial, 2011), Preciado foi peça-chave no esquema do Banestado, com movimentações financeiras em paraísos fiscais em negócios com o ex-tesoureiro de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira. Ao contrário dos demais supostos interlocutores de esquemas de corrupção da Petrobras, ele ainda não é investigado em nenhuma denúncia que tramita da Lava Jato.
 
Além dele, outro operador indicado pela PF, Nelson Martins Ribeiro, foi um dos presos preventivamente na fase deflagrada na manhã desta segunda (16). Conforme adiantou o Jornal GGN, também foram alvos o ex-gerente de Inteligência de Mercado e de Negócios de Abastecimento, Rafael Mauro Comino, e o ex-gerente executivo de Desenvolvimento de Negócios da Área Internacional, Luiz Carlos Moreira Da Silva, além dos ex-funcionários Cezar de Souza Tavares e Agosthilde Monaco de Carvalho.
 
Eles formavam o grupo que teria recebido propinas pelo contrato de aluguel do navio-sonda Petrobras 10.000, pela Mitsui, de acordo com os investigadores, além de estarem envolvidos no esquema da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Em ambos os casos, foi o lobista Fernando Soares, o Baiano – principal interlocutor do PMDB no esquema -, que delatou os fatos em depoimentos à força-tarefa da Lava Jato.
 
De acordo com o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, as investigações sobre a refinaria nos Estados Unidos podem gerar a anulação e o ressarcimento da compra pela Petrobras. “Foi um péssimo negócio em que muitos se beneficiaram”, afirmou o procurador, à imprensa. Daí o nome da etapa: “Pasadena era chamada de ‘ruivinha’ pelos funcionários da Petrobras, justamente pelo excessivo nível de corrosão dos princípios institucionais da estatal”, disse.
 
Segundo os investigadores, Nelson Martins Ribeiro atuava em favor dos interesses de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da área de Abastecimento da Petrobras, que tinha a influência do PMDB na estatal. De acordo com a PF, ele era um “facilitador na movimentação de recursos indevidos pagos a integrantes da Diretoria de Abastecimento da Petrobras”. Ribeiro seria “um Youssef de dez anos atrás”, afirmou o delegado Igor Romário, operando em várias frentes, para empresas e contraventores. 
 
Já Gregorio Marin foi apontado especificamente na venda da refinaria de Pasadena. O lobista Baiano informou em depoimento que repassou US$ 15 milhões “para o pagamento de propina em favor de seis funcionários da estatal”. Mas, primeiramente, foi “repassado pela Astra [empresa responsável pela Pasadena], a partir da celebração de um contrato de consultoria fraudulento, no valor de US$ 15 milhões, firmado entre uma das empresas do grupo Astra Oil e a Iberbras [empresa representada por Baiano]”.
 
A partir daí, dos US$ 15 milhões repassados pela Astra, o então vice-presidente da Astra Oil, Alberto Feilhaber, teria ficado com US$ 5 milhões a título de “comissão” por ter contribuído para concretizar a aquisação da refinaria.
 
Um segundo contrato de consultoria que Fernando Baiano intermediou, entre a Iberbras e a Three Lions, também atuou para concretizar a compra de Pasadena. Nessa negociação, teria sido “descontado o percentual pago ao operador Gregório Marin Preciado” e “o valor restante foi disponibilizado a Fernando Soares, para que efetuasse a distribuição da propina, por meio de transferências internacionais realizadas a partir de sua conta Three Lions, localizada em Liechtenstein”, disseram os procuradores da República.
 

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