Para ministros do STF, há indícios de que Moro e Deltan manipularam tempo de entrega de casos à Corte

Segundo informações da coluna Painel, grupo de magistrados pondera que houve manipulação do timing entre procuradores e ex-juiz da Lava Jato

Jornal GGN – Segundo informações da Coluna Painel, da Folha de S.Paulo, um grupo de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que há fortes indícios de que o ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato manipularam o timing do ingresso de informações importantes na corte, no caso da lista da Odebrecht.

Neste domingo (23), o jornal, em parceria com o The Intercept Brasil, divulgou mais uma reportagem da uma série que vem sendo divulgada desde o dia 9 revelando a parcialidade do ministro da Justiça, Sérgio Moro, quando juiz da 13ª vara e responsável por julgar as ações da Lava Jato.

Ao invés de manter distância do ator de acusação, o Ministério Público Federal, Moro atuava junto com os procuradores no sentido de garantir que os processos seguissem determinado curso, o que é proibido por várias regras da magistratura e da Justiça Criminal.

Na matéria mais recente, a Folha e o Intercept mostram que quando a Polícia Federal, aparentemente, vazou sem querer a lista da Odebrecht, expondo dezenas de políticos que tinham direito a foro especial – e por isso só poderiam ser investigados com autorização do STF – Moro combinou com os procuradores desmembrar alguns inquéritos que estavam sob o controle de Moro em Curitiba para o relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, como uma maneira de acalmar os ânimos da corte contra ele.

A ideia, aparentemente, era evitar que Moro aumentasse as tensões com outros órgãos do judiciário, especialmente uma investigação pelo Conselho Nacional de Justiça.

Pouco antes de encaminhar os casos ao STF, Deltan prometeu para Moro que falaria com um representante do Ministério Público Federal no CNJ, sugerindo que eles tentassem apressar uma denúncia que a força-tarefa estava preparando. Depois desse procedimento, o caso seria encaminhado ao STF.

A reportagem mostra que, após o diálogo, que aconteceu em março de 2016, e depois de receber manifestação formal do Ministério Público, Moro mandou para o STF dois inquéritos e uma ação penal que estavam em andamento em Curitiba, incluindo os que tinham a lista da Odebrecht.

“Há entre os integrantes do Supremo quem tenha visto no material fortes indícios de que Moro e os procuradores agiram para manipular o timing do ingresso de informações sensíveis na corte. As mensagens ainda cristalizaram a sensação de que havia uma relação simbiótica entre o ex-juiz e a força-tarefa”, escreveu Daniela Lima, responsável pela Coluna Painel.

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