Parente de Serra e mais dez pessoas são denunciadas por Pasadena

 
Jornal GGN – Onze pessoas foram denunciadas nesta segunda-feira, 18, pela força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro que envolvem cerca de US$ 17 milhões, e estão relacionados à aquisição de 50% da refinaria de Pasadena, pela Petrobras, no Texas (USA).
 
Foram acusados o ex-vice-presidente da empresa belga Astra Oil Alberto Feilhaber; os operadores financeiros Raul Davies, Jorge Davies e Gregório Marin Preciado; os ex-funcionários da Petrobras Luis Carlos Moreira, Carlos Roberto Martins Barbosa, Cezar de Souza Tavares, Rafael Mauro Comino, Agosthilde Monaco de Carvalho e Aurélio Oliveira Telles e o ex-senador da República Delcídio do Amaral Gomez.
 
Gregório Marin Preciado é primo de José Serra (PSDB-SP) e desde há muito é investigado. Ele foi fartamente citado no livro de Ribeiro Jr, A Privataria Tucana, com suas ligações em negociatas envolvendo privatizações nos anos 1990. 

 
De acordo com o MPF o vice-presidente da Astra Oil, em 2005, Alberto Feilhaber, acertou com Luis Moreira, gerente executivo da Diretoria Internacional, o pagamento de propina de US$ 15 milhões para funcionários da Petrobras que facilitassem a aquisição de 50% da refinaria de Pasadena pela Petrobras. A soma foi dividida entre Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Luis Carlos Moreira, Carlos Roberto Martins Barbosa, Rafael mauro Comino, Agosthilde Monaco de Carvalho e Aurélio Oliveira Telles. Além deles, o consultor Cezar de Souza Tavares e os operadores financeiros Fernando Soares e Gregorio Marin Preciado, além do próprio Alberto Feilhaber, se beneficiaram da propina.
 
Delcídio também recebeu sua parcela, vinda do seu acordo com Cerveró e Renato Duque, e teve atuação na nomeação de Cerveró para a Diretoria Internacional da Petrobras. Por conta disso, teria recebido ao menos US$ 1 milhão, sabendo ser do acordo de propina advinda com a aquisiçao da refinaria.
 
Segundo as provas que sustentam a denúncia, houve um acerto adicional de propina, em 2005, no valor de US$ 2 milhões, celebrado entre Alberto Feilhaber e os funcionários da Petrobras Carlos Roberto Martins Barbosa e Agosthilde Monaco. Esta nova rodada foi pelo empenho dos funcionários na indicação e seleção de Pasadena para compra pela Petrobras.
 
Efetivado o negócio entre a Petrobras e a Astra Oil, Feilhaber e os funcionários da Petrobras fizeram um contrato fraudulento de consultoria entre a Astra Oil e a Iberbras Integración de Negocios Y Tecnologia, do primo de José Serra, Gregório Marin Preciado, para finalizar o repasse da propina. Em 10 de outubro de 2016, foi transferido pela Astra Oil US$ 15 milhões para a Iberbras, no Caixa Bank, na Espanha.
 
A denúncia ainda aponta que a distribuição dos valores entre os beneficiários da propina foram realizadas em complexas operações de lavagem de dinheiro, com contas mantidas em nome de offshores em diferentes países. Os valores saíram da Espanha e foram divididos em diversas contas em vários países, como Suíça, Liechtenstein, Hong Kong e Alemanha. No pagamento de propina adicional de US$ 2 milhões aos ex-funcionários da Petrobras, foi feito por meio de contas não declaradas mantidas em nome de offshores na Suíça.
 
Delcídio, segundo a denúncia, recebeu ao menos cinco remessas em espécie a uma pessoa de sua confiança. Quem entregou essas parcelas foi o perador Fernando Soares, a pedido de Nestor Cerveró e Renato Duque.
 
Segundo os documentos obtidos pelo MPF, além da propina acertada aos funcionários da Petrobras, o vice-presidente da Astra Oil Alberto Feilhaber também recebeu seu quinhão, de US$ 5.250 milhões em várias transferências realizadas em contas mantidas no exterior.
 
Para esta denúncia, o MPF se valeu de investigação complexa, além de cooperação jurídica internacional e das colaborações premiadas. Rastreou transações bancárias no Brasil e no exterior, analisou contratos e registros de comunicações eletrônicas obtidas por meio de autorização judicial e outras técnicas de investigação. Segundo o procurador regional da República Antonio Carlos Walter, da força-tarefa da Lava jato, há muito ainda a ser feito para que todos os envolvidos sejam responsabilizados.
 
 

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