Petrobras vê possibilidade de sanção contra empresas delatadas

Jornal GGN – A Petrobras vai analisar a aplicação de sanção administrativa e bloqueio cautelar de empresas pertencentes aos grupos econômicos citados nos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e do doleiro, Alberto Youssef, na investigação da Operação Lava Jato. A estatal compartilhou ontem à noite uma lista com o nome das 23 empresas suspeitas de participar do esquema de cartel. Todas elas serão temporariamente impedidas de participar de licitações da Petrobras.

Na nota, a estatal afirma que notificará as empresas e “respeitará o direito ao contraditório e à ampla defesa”. A Petrobras também reconhece a necessidade de adotar novas medidas de compliance. “A adoção de medidas cautelares, em caráter preventivo, pela Petrobras tem por finalidade resguardar a Companhia e suas parceiras de danos de difícil reparação financeira e de prejuízos à sua imagem”. 

Já as demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014 foram abordadas em uma segunda nota. Elas devem ser divulgadas em janeiro de 2015. “Com esse prazo, a Companhia estará atendendo suas obrigações dentro do tempo estabelecido pelos seus contratos financeiros, considerados os períodos de tolerância contratuais aplicáveis, e de modo a evitar o vencimento antecipado da dívida pelos credores”.

A promessa é de arrumar a casa, antecipando os recebíveis e reduzindo o ritmo de investimentos em projetos, revisando estratégias de preços e diminuindo custos operacionais. “Paralelamente, a Companhia segue aprimorando sua governança e melhorando seus controles internos, com destaque para a recente instituição da Diretoria de Governança, Risco e Conformidade e do Comitê Especial que atuará como interlocutor (“Reporting Line”) dos escritórios (Trench, Rossi e Watanabe e Gibson e Dunn & Crutcher) nas investigações independentes”. 

Em uma terceira nota, a estatal afirma que o seu Conselho Deliberativo autorizou os escritórios de advocacia independentes a verificar também quaisquer irregularidades na Fundação Petrobras de Seguridade Social (PETROS).

Abaixo, a lista das empresas citadas por Costa e Youssef que poderão sofrer sanção da Petrobras:

1) Alusa

2) Andrade Gutierrez

3) Camargo Corrêa

4) Carioca Engenharia

5) Construcap

6) Egesa

7) Engevix

8) Fidens

9) Galvão Engenharia

10) GDK

11) IESA

12) Jaraguá Equipamentos

13) Mendes Junior

14) MPE

15) OAS

16) Odebrecht

17) Promon

18) Queiroz Galvão

19) Setal

20) Skanska

21) TECHINT

22) Tomé Engenharia

23) UTC

 

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

25 comentários

      • Desculpe mas ele não responde

        Desculpe mas ele não responde a questão e nada indica que ele entenda muito da empresa.

        O que ele faz é especular sobre politia e corrupção.

        Mas e a alternativa ás obras que a empresa necessita fazer ? Quem vai fazer ? Empreiteiras estrangeiras ? A que custo ? Provavelmente muito maior que o custo de se fazer com uma empreiteira nacional, mesmo com corrupção. Está é que é a questão.

        •  
          Daniel, nem o Brito e nem

           

          Daniel, nem o Brito e nem você respondeu a questão…

          Sugere que continue do jeito que está, como se nada tivesse acontecido?

           

          Além do que, a medida (claramente política) é mais um jeito da Petrobras tirar o dela da reta…

           

          Ninguém é santinho nessa história e essas empreiteras devem pagar sim…

           

          Eu acho foda esse negócio de apoiar empresas só porque são nacionais…

          Veja a Positivo Informática que ganha  um monte de isenção do governo e só produz porcarias…

          • Eu acho que a Petrobrás tem

            Eu acho que a Petrobrás tem que pensar é nela, em seus negócios e nos benefícios ao País.

            Nâo vejo problemas, a priori, em trazer empreiteiras estrangeiras para fazer as obras, mas será que elas competem no custo com as nacionais ?: Elas tem expertise operacional, juridica, etc, para atuarem aqui ? Duvido muito.

             

          • Faz licitação, oras.
            Se as

            Faz licitação, oras.

            Se as empreiteiras estrangeiras – ou baianas ou gaúchas – apresentarem melhor preço, ganham. Se não apresentarem melhor preço, perdem.

            Do jeito que está é que não pode ficar, por que o preço é decidido pelas empreiteiras em conluio umas com as outras.

    • Já estão aqui

       E faz tempo,

        Todas as grandes empreiteiras americanas, européias e asiáticas, com expertise no ramo de Oleo & Gás, particpam de contratos, tanto diretos com a PBR, como associadas ou terceirizadas de nossas empreiteiras nacionais acima listadas, tanto que um dos primeiros “rolos” da lava-jato, originou-se dos negócios de uma delas, a holandesa SBM, uma “gigante” da area, que confessou, tanto na Europa como nos Estados Unidos ter participado de operações “criativas”, junto a PBR e seus fornecedores.

  1. Pessoal continua com esse

    Pessoal continua com esse fetiche de porque supostamente o George Soros estaria comprando ações da empresa que por isso ela não tem problema algum e está tudo bem. É falso.

    Primeiro que ele pode nem estar comprarndo. Segundo, ele pode estar comprando mas ninguem tem como saber a quantidade, o preço pago e muito menos quando ele irá vender, qual seu objetivo, se é especulação de curto prazo ou ficar muito tempo com a empresa. Terceiro, há outros investidores maiores que ele que não compram Petrobras. Quarto, ele, muitas vezes, ja perdeu e muito em suas especulações e tacadas. De forma que isso não é um parâmetro válido e nem tem qualquer lógica.

    O ideal é sempre discutirmos a empresa, sua situação operacional e financeira e principalmente, as implicações que esta operação lava jato causará à empresa e por extensão, à economia do País.

  2. Grandes obras

    Não seria o caso de fatiar as grandes obras/contratos com empresas Medias. e eleger uma delas para gerenciar as fatias integrando-as? O que seria uma forma inclusive de prestigiar a engenharia brasileira.

    Luiz

     

    • Duvido que haja viabilidade

      Duvido que haja viabilidade de se fazer isso. E o custo fatalmente iria aumentar.

      O que é preciso fazer é punir as pessoas que cometerem crimes ou irregularidades, punir exemplarmente.

      Por outro lado, melhorar os controles internos, os orçamentos base e os controles sobre as obras e serviços da Petrobras.

      É o que dá para ser feito. A Petrobrás não pode ficar responsável por formar outras empresas de engenharia.

      • Grandes

        Daniel

        Acho que a enorme dificuldade para controlar orçamentos de obra e serviço está no detalhamentos e especificações a que se chegam os projetos, pois os projetos não possuem, por assim dizer, muitas vezes nem tem, bom detalhamento e boa especificação.

        Luiz

      • Grandes

        Daniel

        Acho que a enorme dificuldade para controlar orçamentos de obra e serviço está no detalhamentos e especificações a que se chegam os projetos, pois os projetos não possuem, por assim dizer, muitas vezes nem tem, bom detalhamento e boa especificação.

        Luiz

  3. Acho que é um lance de xadrez da Dilma

    A presidenta tenta pressionar os principal partido de oposiçaõ (a mídia familiar) e seus patrõe$$.

    Se querem pegar os corruptores, que seja agora.

    Restauremos a moralidade ou punimo-nos todos. 

    Com a palavra, o STF.

    .

     

     

  4. Demorou

      Manobras defensivas, tanto quanto a futuras licitações ( que para 2015 seriam poucas ), quanto para assegurar que em caso de reparações financeiras ou provisionamentos, a PBR se reserva no direito de acionar as empreiteiras para reparações.

       Já quanto ao balanço, a reconhecida expansão do prazo para apresenta-lo auditado, é relevante para “segurar” a corrida de liquidações antecipadas dos papéis de divida emitidos pela PBR, vincendos originalmente até 2025, mesmo com um balanço postergado, mas apresentado até 03/2015, auditado e provisionado nas perdas, serão bloqueadas ações de “abutres”, que estão adquirindo papéis PBR, a preço de “banana”, visando sustentar futuras ações judiciais.

        P.S.: Ações, ADRs são um tipo de papel  da PBR listados e negociados em Bolsa ( Bovespa e NYSE  principalmente), mas existem outros “papéis” PBR ( só na NYSE de 15 a 20 ), como: Debentures, Empréstimos, Commercial Papers, Fundings Loans, etc.. , com prazos dilatados de vencimentos, em posse de varias carteiras ( fundos de pensão, bancos, pessoas fisicas, corretoras etc..), que pagam a seus detentores juros e spreads, alguns até cambio, que são cotados diariamente – marcação de mercado -. Ações e ADRs, neste momento dificil, são de menor preocupação, o problema é que, caso as “demonstrações financeiras e provisionamentos”, não ocorram no prazo determinado pelos contratos, todos estes “papéis” de divida, tornam-se “demand loans” de liquidação imediata.

  5. Petróleo e Petrobrás

    É O PETRÓLEO, ESTÚPIDO

     

    A midia, sempre na procura de uma crise, aproveita o caso de corrupção ocorrido na Petrobrás, para aplicar a máxima do Velho Guerreiro: vim para confundir e não para explicar.

    Num momento em que o mercado internacional de petróleo também é vítima de uma ação, nada técnica ou econômica, está formado o ambiente ideal para que todos sejam vítimas da desinformação.

    Sem pretender ter a verdade, mas com respaldo de algumas décadas de trabalho no mundo do petróleo, procurei grupar a atual questão nos dois campos onde é possível entender o que acontece: o campo técnico-econômico e o campo político-financeiro.

    Campo técnico-econômico

    Vamos iniciar trabalhando o Quadro que se segue com as reservas de petróleo em países chaves. Os dados numéricos estão em bilhões de barris, com arredondamento estatístico para facilitar a percepção.

     

    PAÍSES                      1980                1990                2000                2010                2013

    Arábia Saudita            168                  260                  262                  294                  268

    Kuwait                          68                    97                    96                  101                  104

    Emiratos (EAU)            30                    98                    97                    98                    98

    Irã                                 58                    93                    99                  151                  157

    Iraque                           30                  106                  112                  143                  140

    Nigéria                                      17                    17                    29                    37                    37

    Angola                            1                      2                      6                      9                    10

    Brasil                              1                      4                      8                    12                    14

    Venezuela                    19                    60                    77                  296                  298

    EUA                              30                    26                    22                    20                    20

    Rússia                          63                    57                    77                    79                    80

    TOTAL MUNDIAL     648                  985               1.074               1.385               1.480     

     

    Em 1980 ocorreu o “oil glut”. Após diversos aumentos de preço, desde o final dos anos 1960 até aquele ano, os preços se estabilizaram e a produção, com os programas de conservação de energia e substituição de energéticos, deixou de ser pressionada pela demanda. Falava-se, também, de um previsível fim da era do petróleo para os próximos cinquenta anos. Como se vê no Quadro, as reservas de petróleo aumentaram significativamente. Apenas mudou o peso dos países detentores destas reservas. Vamos analisar mais detalhadamente o Quadro.

    Quando a produção é mantida nos mesmos patamares, as reservas crescem por dois motivos: houve novas descobertas ou melhorou-se o fator de recuperação dos reservatórios. Como é sabido, nunca se retira todo o óleo/gás existente nos reservatórios. Somente utilizando a energia natural dos reservatórios pode-se retirar 20% a 30%, dependendo do que se chama sistema rocha-fluido. Mas com métodos de recuperação pode-se retirar até 60% do petróleo existente. Seria equivalente a uma descoberta do mesmo porte. Assim as oscilações positivas, quando pouco expressivas, e, principalmente, a manutenção das reservas devem ser atribuídas à melhoria do fator de recuperação.

    As descobertas realmente importantes, nestas últimas duas décadas e meia, ocorreram na Venezuela, no Irã e no pré-sal do Brasil, onde ainda estão sendo apropriadas as reservas, mas se estima iguais ou superiores a 60 bilhões de barris. Este fato redesenha a geopolítica do petróleo e coloca os países da União Européia e os Estados Unidos frente a países que não se subordinam aos seus interesses: Venezuela, Irã, Rússia e Brasil. Poderíamos dizer que se está diante de uma situação indesejável, do ponto de vista dos Impérios Coloniais. Não assombra, consequentemente, que várias medidas em diversos níveis e diversificadas áreas estejam sendo adotadas para modificar esta situação. Mais ainda, quando o petróleo é e continuará sendo até, ao menos, o final deste século, a mais barata e comercializável fonte de energia e um insumo indispensável para ampla área industrial, com a tecnologia hoje disponível.

    Vejamos o preço. Como produto finito, o preço do petróleo, além do custo de produção, agrega um “valor de reposição”, ou seja, o que se terá ao fim da reserva explotada. Também fazem parte do preço os impostos, os encargos da contratação da área e o lucro. Tomemos a área que tem, provavelmente, o menor custo de produção: a península arábica. Ali estão as produções da Arábia Saudita, do Kuwait, dos Emiratos Árabes, do Qatar e do Iraque. São campos antigos, mas, se observarmos o Quadro anterior, notaremos que se tem feito um grande esforço na elevação do fator de recuperação dos reservatórios. Assim, podemos estabelecer USD 10 por barril. Mas temos que agregar o custo de reposição. Vamos pegar um valor que inclua áreas ainda prospectáveis do Planeta: costa ocidental da África, do Golfo da Guiné ao sul deste, a Sibéria Russa, o Mar da China, a Amazônia Peruana e o pré-sal brasileiro. Posso avaliar um custo médio de USD 30 por barril para confirmação da reserva. Finalmente os demais custos e o lucro corresponderiam a uns USD 20, o que parece bastante proporcional e razoável. Temos, por conseguinte, que o preço mínimo de um barril de petróleo seria de USD 60, o que confere com os menores valores que ele atingiu neste último mês.

    Vamos tratar de outro aspecto técnico-econômico. O universo empresarial do petróleo. Se as majors e algumas estatais tem maior visibilidade, elas trabalham com uma enorme gama de prestadoras de serviço, tais como: perfuração e intervenção em poços, sísmicas e outros métodos geofísicos de levantamento e processamento de dados, laboratórios de análises geológicas, serviços de apoio e de deslocamento de unidades de perfuração e mais um grande número de companhias de diversos portes, mas detentoras de uma tecnologia cara e especializada. Quando a atividade petroleira se retrai, estas empresas sofrem muito pois se forem desmobilizadas provavelmente deixarão de existir e se continuarem em funcionamento engulirão sua reserva econômico-financeira. Situação ainda mais aflitiva se considerarmos que quase todas estão nos países ocidentais desenvolvidos que passam por uma dificílima situação econômica.

    Finalmente uma breve consideração sobre os shale oil&gas. A produção deste xisto oferece muitos problemas ambientais, como a contaminação dos aquíferos, econômicos, em média são necessários 10 poços onde bastaria um para reservatórios convencionais, e a duração de uma reserva é breve – a literatura estima que um campo de shale oil&gas tenha, em dois anos e meio, produzido mais de 80% de seu potencial explotável, ficando os restantes 20% para um período igual ou superior a 10 anos. Assim, não se pode considerar que as reservas canadenses e norte-americanas de xisto estejam alterando o mundo do petróleo. A China também detém reservas de xisto, mas está preferindo comprar petróleo convencional no mercado, principalmente com os atuais preços baixos.

    Campo político-financeiro

    As guerras frias e quentes desencadeadas pelos EUA neste novo século retiraram do mercado produtor e das atividades exploratórias, no mínimo, muitas centenas de bilhões de dólares, além de reduzirem a produção de importantes reservas como da Líbia, do Iraque, do Irã e, agora, da Rússia. Obviamente estas ações justificariam a elevação do preço do barril, ao invés de sua redução. Mesmo a retração econômica dos EUA e da Europa não chegariam a modificações no preço, principalmente num forte inverno, a não ser para majorá-lo. A queda do preço do barril é, tão somente, política e os prejuízos dela decorrente me fazem pensar que não durarão por mais de um semestre. Do lado norte-americano é uma pressão adicional à Rússia e ao Irã, e uma tentativa de se apropiar das reservas venezuelanas e do pré-sal brasileiro. Do lado saudita, a disputa regional e religiosa da sunita Arábia Saudita com o xiita Irã. Não posso deixar de chamar a atenção para o non sense saudita-norte-americano que de um lado financiam o Estado Islâmico – o califado do século XXI – com capitais da Arábia Saudita e por outro lhe movem guerra com recursos norte-americanos. Como diria o personagem de Jô Soares: chose de loque. Há outras variáveis nesta questão mas fogem ao escopo destas considerações.

    Outra questão para embaralhar o entendimento é o preço das ações.

    Vejamos um novo Quadro que retrata os preços das ações na Bolsa de Nova York de companhias integradas de petróleo, nos últimos 30 dias, valores em USD 1,00, variação em percentagem.

    EMPRESA                             MÁXIMA                                MÍNIMA                      VARIAÇÃO (min/max)

    BP                                               43                                           36                              83,72

    CHEVRON                               112                                         102                              91,07

    EXXON                                       95                                           90                              94,73

    PETROBRAS (ADR)                   9                                             7                              77,78

    SHELL                                                    72                                           64                              83,72

    Veja que empresas sólidas, com enorme tradição no mercado, como a Shell, sofreram maior variação do que empresas com ativos muito menores e reservas pequenas como a Chevron. No meu juízo há o fator do conhecimento da empresa nacional frente a estrangeira e o aspecto altamente importante da especulação, que envolve todo mercado financeiro, definindo este indicador. Assim, atribuir à Petrobrás, isolada do mercado, por motivos sensacionalistas a queda do preço é outro fator de desinformação. Isto para não citar, o que não pude comprovar, que um dos maiores especuladores mundiais, Georgy Soros, teria dobrado a posição de seu fundo em ações da Petrobrás.

    PETROBRÁS

    Chegamos à Petrobrás. Antes de analisar a situação atual, gostaria de contar um fato histórico recentemente reavivado pelo jornalista José Augusto Ribeiro. Este fato foi narrado pelo ex-senador, atual vice-governador, Francisco Dornelles. Seu pai General Mozart Dornelles era Subchefe do Gabinete Militar de Getúlio Vargas, em 1954. O maior empresário da midia, dono dos dois únicos canais de televisão no Brasil, era Assis Chateaubriand (Chatô). Ele colocou seus canais de TV à disposição de Carlos Lacerda que toda noite perorava agressões a Getúlio e pedia sua renúncia. General Mozart procurou Chatô, usando seu bom relacionamento com o empresário, sem que Vargas soubesse, e perguntou qual a razão de tanta crueldade. Chateaubriand não dissimulou suas razões: “Mozart, eu adoro o Presidente. Basta ele desistir da Petrobrás e eu tiro o Carlos Lacerda e entrego a televisão a quem o Presidente quiser, para fazer a defesa do governo”. Chocado, o General foi a Tancredo Neves, seu cunhado e Ministro da Justiça, e relatou o episódio. O desfecho todos sabemos.

    A Petrobrás, como aconteceu com muitas empresas, cito apenas as de meu conhecimento pessoal: Elf, francesa, e IBM, norte-americana, teve a infelicidade de ter um Diretor sem escrúpulos morais, mas suficientemente esperto para se proteger envolvendo outras pessoas da própria empresa, empreiteiros e políticos. Pensava criar uma barreira de impunidade. Uma operação policial que envolvia lavagem de dinheiro acabou por chegar a ele e desmontar seu esquema. A midia, em seu afã de desinformar, procurou associar este fato policial à compra da Refinaria em Pasadena (EUA), ao saudável endividamento da Empresa, ao preço de suas ações nas Bolsas e ao oportunismo de detentores de ADRs em mover ação contra a Petrobrás. Vamos começar pelas ADRs. Faria muito bem o órgão público que venha tratar desta questão exigir a relação nominal dos detentores das ADRs. Afinal é lícito saber quem está movendo uma ação contra você. Neste conhecimento serão sem dúvida identificados brasileiros que não terão como explicar este investimento no exterior, cometendo ou evasão fiscal ou remessa ilícita de dinheiro, se não houver fato mais grave. É dado com sensacionalismo um fato por demais conhecido por todos que se interessam pelo mercado financeiro internacional. O Estado de Nevada, como diz a máxima, tem mais empresas do que habitantes, pelas facilidades, custo e garantia que dá a estrangeiros que abrem empresa para especular ou mesmo investir nos Estados Unidos. Dizer que encontrou o dinheiro da Lava Jato deveria acrescentar da Lista de Furnas, da Compra da Reeleição, da Pasta Rosa, dos Trens e Metro de São Paulo, do Maluf etc etc etc.

    É óbvio que o desvio de dinheiro e o custo mais elevado provocado pela ação do senhor Paulo Roberto Costa e, possivelmente, por sua auxiliar Venina Fonseca entre outros exijam uma aferição mais profunda das contas da Petrobrás. Isto é o correto. O tempo que isto levará depende da profundidade do estudo e das decisões judiciais que venham a ser tomadas. Sem dúvida gera um ambiente de incertezas na contabilidade da companhia, mas não é um desastre como os da BP ou da Exxon. O ativo mais importnte de uma empresa de petróleo é sua reserva e seu lucro vem da produção, ambos em ascensão atualmente. Pessoalmente estou aproveitando a baixa do preço para comprar ações da Petrobrás.

    Fica uma lição que, infelizmente sou obrigado a reconhecer, parece que a Petrobrás não aprendeu completamente foi designar a advogada Ellen Gracie, ex-OGX, ex-STF, para a equipe de “compliance”. Meu modesto entendimento aconselharia a fazer uma profunda mudança na estrutura organizacional da Petrobrás, herança do período FHC, sob a Presidência do francês Henri Philippe Reichstul, de triste memória. Este modelo facilita ações delitosas, como a que estamos conhecendo, desarticula ações que deveriam estar sob uma única responsabilidade e aumenta o custo administrativo. Quando foi implementada objetivava fracionar e vender por partes a companhia. Não creio que este objetivo prevaleça.

    Finalmente o desenvolvimento do pré-sal. Quando você encontra um reservatório, os bancos não se furtam em financiar o que chamamos desenvolvimento do campo, pois tem a reserva como garantia. Este financiamento gera um fluxo de caixa com os preços previsíveis do petróleo. O orçamento da Chevron para 2014 foi feito com o barril a USD 110. É óbvio que, mantidos os preços atuais, o que repito não acredito, a Petrobrás precisará rever todos seus planos de desenvolvimento dos campos. Possivelmente alguns não serão econômicos com o barril de USD 60. Mas é isto que o planejamento da Petrobrás já estará fazendo: novos cenários, novos fluxos, novas taxas de atratividade a serem apresentados para decisão colegiada da Diretoria Executiva da Companhia. Isto já ocorreu em 1980 e em outras oportunidades. Toda empresa de petróleo está fazendo o mesmo, com toda certeza. Nada de escândalo midiático, nem torcida contra o Brasil.

    Pedro Augusto Pinho, avô aposentado

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome