PF queria condução coercitiva de Haddad, mas Justiça negou

Em outros depoimentos, a Andrade Gutierrez e a Odebrecht já apontaram que dívidas das campanhas do PT transitavam em outro diretório, o nacional, não o municipal
 

Foto: Fernando Pereira/ Secom/ PMSP
 
Jornal GGN – Na Operação Cifra Oculta, desdobramento da Lava Jato com mira no ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a Polícia Federal havia solicitado a condução coercitiva do político e de sua ex-vice, Nádia Campeão. O apelo dos delegados, que movimentaram de forma exacerbada 30 policiais às ruas de São Paulo, São Caetano e Praia Grande, teve que ser brecado pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Márcio Antônio Boscaro.
 
Isso porque a ação ostensiva, já cumprindo nove mandados de busca e apreensão no inquérito policial com base nas delações premiadas de executivos da UTC, chegou a tentar obrigar Haddad a prestar depoimento, de forma inesperada.
 
Com o juiz Boscaro negando o pedido, a Polícia Federal adiantou que Fernando Haddad será, então, intimado a prestar o depoimento. A informação foi dada pelo delegado da PF, Rodrigo Costa, após as medidas contra o ex-prefeito serem cumpridas na manhã desta quinta-feira (01).
 
O juiz da Zona Eleitoral de São Paulo, contudo, aceitou outros pedidos dos delegados: além da busca e apreensão relacionadas a Haddad, incluindo os de donos de gráficas que prestaram serviços à campanha do petista, em 2012, à Prefeitura de São Paulo, também autorizou o sequestro de bens dessas gráficas.
 
O inquérito analisa o pagamento da UTC a serviços gráficos no valor de R$ 2,6 milhões da campanha de 2012, quando Haddad arrecadou R$ 42 milhões para seu fundo, mas gastou R$ 67 milhões. As dívidas foram assumidas pelo Diretório Nacional do PT em 2013.
 
Segundo os depoimentos da UTC, um doleiro teria pagado as dívidas por meio de transferências bancárias e em dinheiro vivo às empresas gráficas, em uma quantia que teria somado R$ 2,6 milhões. Os investigadores apontam que o diretório municipal do partido não declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à época, a prestação dos serviços.
 
Entretanto, em outra esfera da investigação Lava Jato, sob a mira no ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a Andrade Gutierrez e a Odebrecht indicavam que as dívidas das campanhas transitavam em outro diretório, que não o municipal. Tratavam-se, segundo os delatores, de negociações junto ao PT Nacional, por meio dos tesoureiros de campanhas. 
 
De acordo com as empreiteiras Odebrecht e Andrade, Vaccari, por exemplo, teria tratado de parte das dívidas da campanha de Haddad, em negociações, inclusive, com o marqueteiro João Santana.
 
“O propalado repasse de R$ 2,6 milhões, se ocorreu, não tem nada a ver com a campanha de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo em 2012, até porque seria contraditório uma empresa que teve seus interesses prejudicados pela administração, saldar uma dívida de campanha deste administrador”, disse, em nota, a assessoria de Haddad.
 
A citação “interesses prejudicados pela administração” faz referência a acordos quebrados com a empreiteira UTC, durante o início da gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, uma vez que as obras do túnel da avenida Roberto Marinho foram canceladas. A UTC e outras empreiteiras investigadas na Lava Jato faziam parte do consórcio para as obras.
 
 
Em resposta, o ex-prefeito lembra que a gráfica mencionada, que foi de propriedade do ex-deputado Francisco Carlos de Souza, prestou pequenos serviços e que foram pagos, com documento registrados, inclusive, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
 
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