Vazamento de procurador da Suíça levou a Lava Jato a Cerveró

Inconformado com o fim de uma megaoperação similar à Lava Jato, envolvendo a Alstom, procurador suíço se vingou vazando o que sabia para os colegas brasileiros

Jornal GGN – Os procuradores brasileiros contaram com a ajuda de um colega da Suíça para chegar a uma “conta secreta” (carteira de investimentos com lastro em banco) que Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, mantinha naquele país desde os anos 1990, abastecida, inclusive, com propina recebida pela compra da refinaria de Pasadena.

Em um vídeo da delação de Cerveró à força-tarefa da Lava Jato, o ex-diretor revela que vinha sendo investigado na Suíça a reboque de um processo envolvendo a Alstom.

Cerveró diz que numa versão Suíça da Lava Jato, um operador que trabalhava para a Alstom nos contratos com o governo Suíço foi preso, episódio equivalente ao momento em que a força-tarefa tupiniquim chegou ao doleiro Alberto Youssef. Foi quando, lá e aqui, conseguiram desvendar a rede de corrupção que desviava recursos públicos para paraísos fiscais.

Só que ao contrário do que acontece no Brasil, segundo Cerveró, na Suíça a Alstom simplesmente “ignorou” a ofensiva dos procuradores e buscou o governo para resolver a situação. A empresa sustentou que a investigação havia tomado uma dimensão enorme e que estava prejudicando a economia, e ameaçou, caso não houvesse uma resolução imediata, fechar a sede local e inserir 15 mil suíços nas estatísticas de desemprego. “Seria o equivalente a Marcelo [Odebrecht] dizer que ou dá-se um jeito, ou ele vai demitir 35 mil funcionários e vocês que se virem”, comparou.

A Alstom conseguiu, assim, firmar um acordo de leniência. “Tudo foi apagado”, diz Ceveró em relação as investigações que envolviam o alto escalão da companhia. “Sobrou para os procuradores atacarem apenas os peixinhos, e eu era um peixinho”, acrescenta.

Cerveró caiu na rede do Ministério Público suíço porque, no meio da apuração das contas irrigadas com recursos da Alstom, os procuradores chegaram a uma que pertencia ao ex-diretor da Petrobras. No vídeo, Cerveró admite à Lava Jato que chegou a receber 700 mil dólares da Alstom em propina pela compra de máquinas para construir termelétricas no governo FHC, em 1999, e que isso motivou a abertura da conta.

“Cheguei a ter quase 2 milhões de dólares nessa conta na Suíça”, diz Cerveró, acrescentando que os recursos que desviou na compra da refinaria de Pasadena também faziam parte desse montante. Tudo teria sido bloqueado pela Justiça da Suíça a pedido do MP.

Cerveró só ficou sabendo do caso porque seu investidor na Suíça veio ao Brasil informá-lo do bloqueio na conta. Ele, então, conseguiu fazer um acordo com as autoridades daquele País.

No final de seu processo, que deveria ter corrido sob total sigilo, pois era uma das cláusulas contratuais, ele aceitou pagar uma multa de 500 mil francos suíços e fazer uma doação de mais 50 mil francos suíços para uma instituição de caridade. A conta foi desbloqueada e, nela, sobraram cerca de 400 mil dólares, conforme verificou a Lava Jato.

Ou seja: inconformado com o fim que levou a versão estrangeira da Lava Jato, o procurador suíço, a quem Cerveró chamou de “boquirroto”, se vingou vazando o que sabia para os colegas brasileiros.

https://www.youtube.com/watch?v=gB3qxR7njq8 width:700 height:394

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17 comentários

  1. E a Suíça continua
    E a Suíça continua enriquecendo com a venda de chocolates, relógios de pulso e queijos suiços. E nós damos um tirombaço na democracia e vamos vender nossas riquesas pros estrangeiros, agora sem propinas, honestamente.

  2. vazamento….

    Só agora na “Terra da Inocência” nos damos conta da desgraça que estamos fazendo com a economia brasileira? Duvido que exista outro povo tão imbecil (me desculpem, eu sou brasileiro, mas imbecilidade deve ser um produto inventado no Brasil). A Alstom (francesa) está atolada até o dna em todas as grandes operações da PF e várias do exterior. Fizeram um “acordinho mequetrefe” de leniência, liberarm seus diretores e todos deram no pé do país. Tem alguém preso? A mesma coisa com Bambardier, GE, SBM, Siemens, CAF, Shell e outra dezena de transnacionais estrangeiras. O que deu o caso do HSBC? Enquanto isto, aqui no Brasil, a solução apresentada (vejam a novidade) é privatizar a maior petrolífera do mundo. Explicação: O Brasil tem um governo parasita e incompetente, que leva 40% das riquezas do país. Não tem capacidade de adminbistrar as empresas do Estado. Então não mudaremos o Estado. Abriremos mão das empresas. GENIAL, GENIAL, GENIAL!!!! Não sei como o planeta não segue nosso exemplo? É igual urna eletrônica. Enquanto o mundo inventa “Nobéis”, a gente inventa urna eletronica. E destruimos as maiores empresas genuinamente nacionais, com décadas de serviços prestados e Know-how, além de milhares de empregos especializados de brasileiros, trancafiando seus diretores, os expondo como se tivessem trabalhado a vida inteira para serem criminosos.  Pobre país. Lamentável. 

  3. será? Essa lava-jato suiça

    será? Essa lava-jato suiça terminou por conta de contrato de leniência? Ou as autoridades suiças são mais corruptas… Esse negócio da lava-jato tupiniquim está cada vez mais parecida com a prisão de “traficantes de drogas”: a dita enorme mídia que acantonou nosso país, vive mancheteando que pelas drogas transitam bilhões de reais (mais o helicóptero sem dono dos perrela) e, no entanto, quando das prisões, lá estão estampados sempre os mesmos (des)personagens: camiseta de física, short e chinelos de dedo. E os bilhões, ó…

  4. ” Cerveró admite à Lava Jato

    ” Cerveró admite à Lava Jato que …que chegou a receber propina …no governo FHC, em 1999, e que isso motivou a abertura da conta.”

    Enfim, tal qual o mensalão, o petrolão teve sua gênese em mão tucanas. A diferença é que as deles são limpas por definição. Ninguém investiga.

    Detalhe importante a posição das autoridades suiças em relação a economia do país. Aliás, é padrão nas repúblicas “frutas vermelhas”  esse tipo de ação. Pune-se de algum modo, mas preserva-se empregos, expertise…

    Já nas repúblicas de bananas…

  5. E os procuradores daqui, ao

    E os procuradores daqui, ao contrário dos de lá, destruíram a economia e as maiores empresas do país, além de abrir caminho para um golpe de estado onde os golpistas estão acabando com qualquer indício de estado democrático.

    Isto sem falar nos mais de dois milhões de desempregados provocados pela lava rato.

    Também podemos notar, como já afirmou o André Araújo várias vezes neste blog, que lá, o estado protegeu as empresas e os empregos, ao contrário daqui, onde o estado era dirigido por uma pateta segurando um controle remoto.

    • lava jato suiça…

      E entendo que a jornalista est sendo “didatica”, ma chamar a investigação suiça de lava jato é um pouco fora do contexto….se não me engano a investigação teria começado em 2006-2007 e acabado em 2011, 4 ou 5 anos sem vazamento….foi feita em 15 paises……se referia a corrupção em outros paises(Letonia e Tunisia), e mesmo assim concluiram que não havia corrupção organizada…..tipo pagou ta novo….muito comun na suiça em crimes de corrupção e desvio de dinheiro…voce devolve o dinheiro tooooodo, paga multa toooooooda, e depois é a justiça comun que se encarrega de julgar se voce deve ir ou não para a cadeia, e as penas são relativamente leves ou voce tem penas pecuniarias(jour-amendes)…..voce não vai pra cadeia mas paga(so como exemplo) tipo 200 dias à 100,200,500 euros   por dia…o juiz é quem decide segundo a suas posses.

      texto em françes  wiki

      Alstom est soupçonné d’avoir versé 7 millions d’euros en pot de vin à Slim Chiboub gendre de l’ancien dictateur de Tunisie Ben Ali, qui serait intervenu auprès de la STEG pour faire la sourde oreille sur des défauts techniques lors de l’exécution des travaux de la 3e tranche de la centrale électrique de Radès, effectués par Alstom pour un montant de 30 millions d’euros. À ce sujet, l’entreprise a été placée sous surveillance dans trois pays (Tunisie mais aussi Malaisie et Lettonie) pour quatre ans par le Fonds souverain norvégien pour risque grave de corruption d’agents publics. À la suite d’une longue enquête de la justice suisse dans une quinzaine de pays, le Ministère public de la Confédération a conclu en novembre 2011 qu’il n’y avait pas de système de corruption organisé. Des cas de versements sans prestation en contrepartie ont été identifiés dans trois contrats signés entre 2000 et 2006, dans deux d’entre eux des salariés d’Alstom se seraient enrichis personnellement.

  6. As histórias desses delatores

    As histórias desses delatores são como as novelas antigas, tipo O direito de Nascer. Intermináveis. 

    E Cerveró se lasca cada vez mais, se vai delatar os tucanos. Data vênia, …

  7. E o Delcídio?

    Neste momento, enquanto Cerveró era gerente,   Delcídio era o diretor (seu superior, portanto).

    Cerveró já disse que o Delcídio recebeu 4 milhões de propina da Alstom.

    Delcídio disse que não recebeu nenhuma propina. E o PGR foi camarada, cobrou uma multa de apenas 1,5 milhão parcelada.

    Só que um dos dois (Delcídio ou Cerveró) deve estar mentindo, não é verdade?

    • Prova válida

      Se for contra o PT é válida. Se for contra tucano “vivo” é inválida. Contra tucano “morto”, pode até ser válida, mas como está morto é melhor não investigar, pois pode encontrar algum tucano “vivo” no caminho.

  8. Octavio Frias

    Falta um procurador de lá tambem denunciar os varios equemas criminosos da MAN. O Octavio Frias podferia ajudar muito, revelando o que sabe sobre a importaçao da rotativa impressora UNIMAN 4/2 S para a Folha, usando a diferença entre o cambio oficial e o cambio paralelo, existente então. Ele tinha 20 e poucos anos e tinha um monte de ideias novas na cabeça.

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