Quem está mentido sobre vaga no STF, Moro ou Bolsonaro?, por Ranier Bragon

‘Para a carreira jurídico-política de Moro, não resta dúvida de que há dois horizontes: o STF ou a vaga de Bolsonaro; Confirmação do “compromisso” validaria percepção de que ele conduziu a Lava Jato com objetivos políticos’

Jornal GGN – Como destacou Luis Nassif na coluna de segunda-feira (13), “a imagem da Lava Jato vai se esgarçando à medida em que vai aparecendo o oportunismo de seus principais protagonistas”.

No domingo passado (12), em entrevista à rádio Bandeirantes, o presidente Bolsonaro expôs que havia acordado com o ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, a indicação dele à próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Eu fiz um compromisso com ele, ele abriu mão de 22 anos de magistratura. A primeira vaga que tiver lá [no STF], estará à disposição (…) eu tenho esse compromisso com Moro, e se Deus quiser nós cumpriremos esse compromisso”, contou.

Porém, durante uma palestra no Congresso Nacional sobre Macrocriminalidade e Combate à Corrupção, em Curitiba (PR), realizado na segunda, Moro desmentiu que houve algum acordo: “Não vou receber um convite para ser ministro estabelecendo condição sobre circunstâncias do futuro que não se pode controlar”.

Qual dos dois está mentindo? A dúvida foi ressaltada por Ranier Bragon, em sua coluna na Folha de S.Paulo, publicada nesta terça (14).

“Bolsonaro levou para seu governo um auxiliar dito “inadmissível”, hoje seu ministro mais bem avaliado. Que outra brilhante solução haveria, então, que não a de retirar do jogo um concorrente em 2022 despachando-o para debaixo de uma nova toga?”, propõe como resposta o articulista.

“Do ponto de vista de Moro, o ex-juiz vem passando por percalços no Congresso e tenta olimpicamente se desviar de temas que vão do Queirozgate [caso do ex-assessor de Flávio Bolsonaro investigado por movimentações financeiras suspeitas] aos infames decretos bangue-bangue [pacote anti-crime e facilitação do acesso e porte de armas]. Parece ter assumido o Ministério do Não É Comigo”, completa Bragon.

“Para sua carreira jurídico-política, não resta dúvida de que há dois horizontes: o STF ou a vaga de Bolsonaro. Logo, não seria de bom tom excluir de cara um desses cenários. Além do mais, a confirmação do “compromisso” mobilizaria por antecipação tropas contrárias e daria mais substância à percepção de que ele conduziu a Lava Jato com alguns objetivos políticos bem delineados”, conclui.

Outro fator também lembrado pelo editor-chefe e colunista do GGN é que, em abril, circulou na imprensa que Bolsonaro teria prometido uma vaga no STF para o desembargador João Pedro Gebran, do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Corte que confirmou a condenação feita por Moro ao ex-presidente Lula, agravando ainda mais a pena contra o petista – mais tarde revertida pelo Superior Tribunal de Justiça.

Bolsonaro terá que nomear 2 ministros para o Supremo enquanto durar seu mandato. Pela ordem, primeiro será para a vaga de Celso de Mello, que se aposenta em novembro de 2020 e o segundo para a vaga de marco Marco Aurélio Mello, a partir de julho de 2021.

Na contramão dos propósitos do Planalto, parlamentares querem incluir no texto da reforma da Previdência uma emenda para elevar a idade de aposentadoria obrigatória de ministros da corte de 75 para 80 – com isso ampliariam a permanência dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello.

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