Receita fará pente-fino nas contas de Flávio e Queiroz

Apuração inclui repasse de R$ 24 mil para a conta da primeira-dama; Fisco irá checar se presidente emprestou dinheiro para ex-assessor, verificando se valores saíram da conta de Bolsonaro  
 
Imagem: Reprodução 
 
Jornal GGN – As áreas de fiscalização e inteligência da Receita Federal vão trabalhar juntas fazendo um pente-fino e relacionando a origem de movimentações suspeitas de 27 deputados estaduais e 75 servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Entre os alvos estão o senador eleito e ex-deputado Flávio Bolsonaro (PSL) e seu ex-assessor Fabrício Queiroz.
 
Segundo informações do Estado de S.Paulo, alguns dos investigados – 28 funcionários e ex-funcionários – receberam de outros servidores da Alerj, tiveram saques e depósitos em espécie, sempre próximo das datas de pagamento do salário. Padrão identificado nas movimentações de Queiroz. 
 
A área de inteligência da Receita participou da primeira fase da Operação Furna da Onça, para a qual o Coaf produziu os relatórios e ficará responsável pelo cruzamento de informações. Com o maior banco de dados da América Latina, a Receita tem condições de descobrir de uma empresa que fez depósitos na conta de um deputado, por exemplo, é de fachada. 
 
Uma fonte da Receita disse ao jornal Estado que um dos pontos que serão apurados no pente-fino é o repasse de R$ 24 mil de Queiroz para a conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente Bolsonaro se defende afirmando que o pagamento se tratava da devolução de parte de um empréstimo feito ao ex-assessor. Queiroz deverá ser chamado para prestar esclarecimentos e demonstrar como recebeu o dinheiro emprestado pelo presidente. A Receita irá checar se o valor saiu mesmo da conta de Bolsonaro.
 
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), usado como base de investigações do Ministério Público do Rio (MPRJ), mostrou que o primogênito do presidente recebeu o pagamento de título da Caixa de R$ 1 milhão, além de uma série de depósitos fracionados no valor de R$ 2 mil totalizando R$ 96 mil. Flávio alega que os valores estão ligados a compra de dois imóveis. Ainda, segundo fontes entrevistadas pelo Estado, investigadores ligados a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, formada por mais de 90 entidade, dizem que a compra de bens em dinheiro vivo pode ser uma forma de lavagem de dinheiro.
 
Sobre Queiroz, o Coaf revelou que oito funcionários do gabinete de Flávio fizeram depósitos na sua conta, sempre próximo da data de recebimento dos salários. No período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017, o ex-assessor movimentou na sua conta R$ 1,2 milhão. 
 
No final de semana, o jornal O Globo publicou que, dois anos antes, Queiroz teria movimentado R$ 5,8 milhões. Durante todo esse período ele trabalhou na Alerj como funcionário no gabinete de Flávio.
 

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