Réu do cartel de metrô não é encontrado na Alemanha

Jornal GGN – A Justiça de São Paulo não encontrou, na Alemanha, o executivo Robert Huber Weber, acusado de participar do esquema do cartel de trens no Estado de São Paulo, entre 1998 e 2010. Weber é ex-diretor-geral da Siemens na Alemanha e foi um dos cinco executivos que viraram réus.

Apenas Robert Weber não foi encontrado pela Justiça para ser notificado sobre a ação contra ele, que, junto com outros quatro executivos da Siemens, são acusados de participar de conluio na licitação das obras da Linha 5 do Metrô de São Paulo.

Do Estadão
 
 
Ex-executivo da Siemens é acusado pelo Ministério Público paulista de participar de conluio na licitação das obras da Linha 5 – Lilás do Metrô
 
Por Mateus Coutinho

A Justiça de São Paulo não localizou na Alemanha um dos executivos acusados de participar do esquema de cartel de trens no setor metroferroviário durante as gestões do PSDB no Estado de São Paulo, entre 1998 e 2010. Ex-diretor-geral da equipe turn-key da Siemens no país europeu, Robert Huber Weber foi um dos cinco executivos que se tornaram réus na Justiça de São Paulo no ano passado e que está no exterior.

Robert Weber e outros quatro executivos da Siemens são acusados de participar do esquema de conluio na licitação das obras da Linha 5 – Lilás do Metrô de São Paulo, no valor de R$ 1,2 bilhão. Eles são acusados de crimes contra a ordem econômica e contra a administração pública. Apenas Robert não foi localizado pela Justiça brasileira para ser notificado sobre a ação contra ele que corre na 7ª Vara Criminal da capital paulista desde o ano passado. A notificação é uma das primeiras etapas após a aceitação da denúncia e é a partir dela que os réus têm prazo para se defender perante o juiz.

 

Inicialmente, a denúncia contra 12 executivos de três empresas acusadas de atuar no cartel apresentada em março de 2014 foi rejeitada pela Justiça de São Paulo. Acatando um recurso da Promotoria paulista, um mês depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a 7ª Vara abrisse a ação penal contra os executivos. Mais de um ano depois, a Justiça paulista encaminhou no mês passado as notificações contra os executivos que moram na Alemanha. Como Robert Huber não foi localizado, o juiz da 7ª Vara Paulo Eduardo Balbone Costa encaminhou o caso para que o Ministério Público se manifeste.

Em outra denúncia, o Ministério Público já chegou a pedir a prisão preventiva de César Ponce de Leon – que integrou no Brasil a direção da multinacional francesa Alstom Transport, que não foi localizado pelas autoridades brasileiras e atualmente está fora do Brasil, provavelmente na Espanha.

O pedido, contudo, não foi acatado pela Justiça. No caso de Robert Weber, o Ministério Público Paulista pode solicitar que o nome do ex-diretor da Siemens seja incluído na lista de nomes procurados da Interpol. A Promotoria, contudo, ainda não recebeu os autos para analisar o caso.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, as empresas participantes da licitação da Linha 5 combinaram os preços, formaram novos consórcios ao longo da disputa e ainda subcontrataram as companhias derrotadas. “Não existiu, portanto, competição, mas acordo e ajuste entre os licitantes para todos integrarem o objeto do contrato. Assim, o preço apresentado torna-se automaticamente irreal”, assinala o Ministério Público na denúncia.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A Siemens informou que Robert Weber não é funcionário da Siemens mais e que a empresa continua colaborando com as investigações.

A multinacional alemã firmou acordo de leniência com o Cade no qual revelou a existência do cartel, tendo colaborado para as investigações que resultaram em seis ações penais contra os acusados de participar do esquema.

O Metrô vem reiterando que  “continua colaborando com a Justiça e que não compactua com nenhum tipo de irregularidade.”

 

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12 comentários

  1. O escândalo sem corrupto.

    O único escândalo de corrupção do mundo que não tem corrupto, segundo a nossa grande imprensa. Tucanos envolvidos? Magina, eles não erram!

    • Concordo

      Exato, tucanos são tão inocentes que não sabiam  das propinas,  e muito menos dos superfaturamentos.  Só os “cartéis” é que sabiam.  E o senhor “cerra” ainda teve o descaramento de dizer que “cartelização” é normal. Claro, desde que seja para atender interesses e outras “coisas” dos emplumados.

  2. O certo é que não há nenhum

    O certo é que não há nenhum juiz alemão querendo fechar a Siemens por causa das falcatruas de alguns ex-executivos, muito ao contrário, portanto, do que faz um certo juiz midiático de Curitiba em relação às construtoras!

  3. Robert Huber?…não vem ao caso!

    Pior que nem adianta pedir ajuda ao pessoal da PF, aqueles que estão na força tarefa do Moro, pois nem o tal do Careca, aquele que entregou dinheiro ao Cunha e ao Anastasia e que mesmo sendo um ex-colega na polícia federal, eles conseguem encontrar….imagine um “empresário” gringo que, além de tudo que se apurou, aqui e na Europa, ainda ajudou o tucanato paulistano nas tramóias do trensalão….este, nem mesmo um Sherlock Holmes com ajuda da moderníssima e atualizadíssima NSA e da Agatha Cristye poderia conseguir encontrar, principalmente se estiver escondido nos arredores de Curitiba…

  4. Será?

    Será que algum tucano poliglota abriu o bico para o alemão ter tempo de se escafeder? Aqui sabemos que tucano é ruim de abrir o bico, porém do lado de lá…..

  5. Sonegação fiscal x serviços públicos de qualidade

     

    Fora de Pauta? Não sei.

     A OPERAÇÃO ZELOTES está funcionando e ela pode atingir a Rede Globo. É o que diz Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania.

    http://www.blogdacidadania.com.br/2015/08/operacao-zelotes-volta-a-andar-e-pode-atingir-a-globo/#comment-1770305

    Segundo a matéria, em termos de roubalheira, o custo anual médio da corrupção no Brasil, em valores de 2013, corresponde a 67 bilhões.

    O crime de sonegação fiscal, porém, deixa o de corrupção no chinelo. Deixa-se de recolher 500 bilhões de reais por ano aos cofres públicos, calcula o presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, Heráclio Camargo.

    Portanto, o placar é de 500 bilhões a 67 bilhões, quase 7 x 1.

    E os coxinhas foram para a Av. Paulista defender a sonegação fiscal (ver fotos acima), ao mesmo tempo em que exigiam serviços públicos de qualidade. Quanta estupidez!

    Quá, quá, quá, quá!

     

  6. “Know How”

    Puts, se não conseguem encontrar nem  aquele torturador que aparece expontaneamente nas manifestações na Paulista  portando cartazes sobre a Comissão da Verdade, vão encontrar alguém que está do outro lado do Atlântico? Tá na cara que o dito cujo “procurado” foi devidamente “informado”  da “ação” . Questão de “know how”  tucano que age  como raposa, ataca o galinheiro, esconde as penas e o dono das galináceas acusa o pobre do cachorro.Se a tal “diligência” fosse contra petista, a história seria bem diferente, ou alguém ainda tem dúvidas sobre isso?

  7. Comparar o trensalão com a

    Comparar o trensalão com a vaza a jato dá a perfeita idéia dos “dois pesos e duas medidas”. Melhor que isso, só desenhando ou dando exemplo com laranjas (frutas).

  8. Já os políticos e quejandos

    Já os políticos e quejandos da corrupção em SP são facilmente encontráveis. Mas são inimputáveis, claro.

    Contra eles não há investigações e manifestações, quê isso, tudo gente de bens.

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