Risco de golpe não é irreal, por Janio de Freitas

Articulação de um processo contra democrático teria apoio nas classes mais remuneradas do país, repetindo cenário de 64 
 

General Silva e Luna Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Não há garantias de que o país está fora do risco de um golpe militar isso porque, “não se sabe em que nível estão no Brasil a cultura cívica e a maturidade institucional”, avalia Janio de Freitas, na coluna deste domingo na Folha de S.Paulo, em resposta a recente manifestação do general Silva e Luna, ministro da Defesa, de que os militares irão respeitar o resultado das urnas.
 
A fala de Silva e Luna é uma tentativa de “recompor o clima abalado” pelo comandante do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, após entrevista ao jornal Estado de S.Paulo quando disse que a legitimidade de um novo governo poderia ser questionada, se referindo ao atentado contra o deputado e candidato Jair Bolsonaro. 
 
“As palavras do comandante Eduardo Villas Bôas foram logo interpretadas como referência a riscos de ação militar em razão do resultado eleitoral. A dedução não foi estapafúrdia. Nem segura. A falta de clareza do que foi dito e por que foi dito, deficiência agravada por se tratar de tema tóxico, permitia mais interpretações”, pondera Janio.
 
O jornalista pontua que a articulação de um processo contra democrático teria apoio nas classes mais remuneradas do país, lembrando do perfil eleitoral de Bolsonaro apontado nas pesquisas Datafolha, ou seja, “um movimento golpista não faltaria nem sequer a adesão civil tradicional”, lembrando-se do mesmo perfil social que apoio o golpe de 1964. 
 
Lava Jato
 
Sobre a transferência do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima para São Paulo, deixando a equipe de Curitiba responsável pela Lava Jato, simplesmente “porque se aposentará em janeiro”, parece não convencer.
 
“Porta-voz do grupo, produtor de inúmeras manchetes desmoralizantes, Santos Lima foi submetido a questionamentos no Ministério Público por insultos ao Supremo Tribunal Federal e a Gilmar Mendes”, observa o articulista, arrematando com o enredo normal aos quais tais servidores são submetidos: aposentadoria aos 54 anos com remuneração integral de procurador, em torno de R$ 30 mil.
 
Anastasia e Aécio
 
O candidato ao governo de Minas Antonio Anastasia (PSDB) passou a usar o slogan “Anastasia é Anastasia” para fazer frente à associação “Anastasia é Aécio” usada, inclusive, pela equipe de campanha do oponente na corrida eleitoral e atual governador no estado Fernando Pimentel (PT). 
 
Janio de Freitas lembra que Aécio foi o principal responsável pela ascensão política de Anastasia. “Até a candidatura foi imposta por Aécio a Anastasia, que não queria deixar o Senado”, completando:
 
“Como governador, está previsto para Antonio Anastasia um papel relevante nos processos de Aécio e sua irmã Andréa Neves, sobre extorsões a Joesley Batista”. 
 

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