Roberto Barroso fere a ética da magistratura, por Roberto Romano

Por Roberto Romano

O Dr. Roberto Barroso disse “não ter dúvida” sobre o caráter criminoso dos vazamentos que deixam seus correligionários do PLV (Partido Lava Jato) em péssimos lençóis. Uma nota pequena: juiz que não tem dúvidas não é juiz, mas inquisidor. Mesmo este último apresentava dúvidas sobre a culpa dos seus réus. Basta ler o Malleus Maleficarum para verificar que mesmo os mais dogmáticos inquisidores tentavam gerar métodos (de tortura e de hermenêutica) para chegar a pelo menos um simulacro de justiça.

Com o Dr. Barroso somem todas as cautelas. Ele fala sobre um tema que com muita probabilidade será julgado por ele. E fere a ética da magistratura. Outro ponto: se exige de um juiz que ele pense.

Ora, quem leu Montaigne e os céticos (grandes impulsionadores da ciência) sabe perfeitamente que a dúvida é inerente ao pensar (que aliás significa pesar palavras, idéias, noções, provas). Mesmo um intelectual de extração dogmática, como Descartes, não descartou a dúvida como crisol para se atingir o verdadeiro.

E adianto: mesmo na cátedra mais dogmática do planeta, a Santa Sé, não há garantia absoluta de que todos os juízos e sentenças do Santo Pontífice sejam em todos os casos infalíveis.

Ocorre que a arrogância e falta de pensamento dos nossos togados os levam a crer que suas falas são mais infalíveis do que as do Papa. Sinto muito, senhores que admiram o Dr. Barroso: ninguém está acima da lógica e da pesquisa empírica, pontos fundamentais para se estabelecer o bem fundado ou péssimo uso dos atos e fatos humanos. Não é ético nem moral dizer algo sem provas. E tais elementos faltam ao decreto canônico enunciado por Sua Excelência.” (Roberto Romano)

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11 comentários

  1. O PT se pautou pelo republicanismo ao indicar crápulas como Barroso que, como se vê, não é nem um pouco republicano : apenas um crápula oportunista….

  2. Como é que estão se virando para dormir estes “simpatizantes” ocasionais do partido lavajateiro? Tendo suas falas, antes abertas a pequenos grupelhos, agora trazidas parcialmente ao público? Tendo seus planos econômicos, para formação de seu instituto/partido descobertos e abortados? Tendo como seus defensores públicos aqueles que são assombrados pelo terror de terem suas sujeiras descobertas e que, como já demonstrado por mensagens, foram protegidos de investigação em suspeitas que pesam contra si?
    Vida pública, no que pese a importância primária da credibilidade das ações na vida pessoal, para que seja durável ou tenha um mínimo de respeitabilidade e honradez, tem que estar em oposição às suspeições e práticas que a enfraquecem. Agentes como sr.s Barroso ou FHC quanto mais, forçosamente, creio eu, tem de aparecer ao vexame de se expor em defesa dos aventados malfeitos de uma agremiação, afim de ilusoriamente ocultarem seus próprios malfeitos, mais luz e suspeição colocam no passado e/ou teorias que os condenem. Vão sepultando sua credibilidade e diminuem o valor de suas falas, hoje apoiadas apenas em nome dos cargos exercidos, diplomas antigos nas paredes e medalhas velhas em suas estantes e capas de tecido a lhes cobrir de vaidades nulas. É correr atrás do vento, o que não é nada nobre aos que a velhice chega e por não ter como remontar o passado, deslizam no limbo das próprias pedras escorregadias que deixaram pelo seu caminho de escolhas. Pobres criaturas, com o passado a lhes perseguir como uma sombra, com uma realidade dormente a ter de servir, apenas para protegerem papéis emoldurados, metais envelhecidos e prédios descascados. Não vai ser nada bom para suas histórias, vidas e sanidade mental, continuarem com falas vazias gastando o tempo das pessoas, recursos e materiais para defenderem o indefensável.

  3. Basta dizer que se os vazamentos partiram de um dos interlocutores que a certeza desce por terra.

    ALEXANDRE MORAES, outro supremo, já disse que não é dado ao funcionário público o direito de não ser apenado por prova ilícita.

    FATO, o dia que a democracia voltar TRÊS medidas – NO MINIMO – precisam ser urgentemente adotadas

    – MANDATO pros ministros do STF, de digamos 8 anos (igual a senadores), pra acabar com a vitalicidade e sensação de Poder inimputaáel e ABSOLUTO que estes caras carregam.

    – REVER e enriquecer o curriculo das ESCOLAS MILITARES, atualizando-o com múltiplas fontes de conhecimento, como, direito constitucional, história e FILOSOFIA, ajudando a aprimorar o censo critico e de cidadania dos nossos policiais e militares

    – instituir o RECALL para presindente da republica, diminuindo com isso as possibilidades de que haja GOLPES e impeachs que fogem à vontade e ao interesse do povo

    OU ISSO, ou aqui vai continuar a ser este paizinho de MERDA aonde “escolhidos e entronados” acham que tudo pode, sem que nada lhes aconteça.

  4. Prezado Jornalista:
    Diante da evidência na comprovação de parcialidade no julgamento do Presidente Lula e a sua consequente liberdade, há de se preocupar pela sua segurança física. Pois, este é o momento de maior risco, na medida em que a sua prisão tem o objetivo político que envolve interesses de toda ordem, quer nacional, são inúmeras as manifestações explicitadas por diversos segmentos, quer por envolvimentos internacionais.
    No passo da liberdade do ex-presidente, não faltará a justificativa de se “encontrar” um louco ou fanático para perpetrar um atentado contra a sua vida.
    O Prezado Jornalista, pelo posicionamento político e profissional que arregimenta, é quem poderá, com maestria e credibilidade, alertar o Brasil e o Mundo por essa temível possibilidade.
    Att.,

  5. A vida de Lula ou sua sanidade mental está nas mãos dos EUA. Lula é preso do DOJ americano: a Pgr Doj é demais otoridades são fantoches do governo americano, os generais cagões tmbm e, como se sabe, os EUA jamais deixa vivo uma lideranca de oposição ao imperialismo, como Lula…

  6. Esse simulacro de magistrado é uma montanha de vaidade , inflada com o putrido ar da arrogância. Sujeito asqueroso, que não demonstra qualquer grau de empatia com o outro. Zero à esquerda na escala da humanidade.

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