Secretaria da Fazenda que cometeu calote fiscal investiga campanha de Dilma para Gilmar

A pasta do governo de Geraldo Alckmin foi denunciada, em julho, por “pedalada” no pagamento da Nota Fiscal Paulista. Agora, a pedido de Gilmar Mendes, a Secretaria prepara relatórios de empresas que o ministro acredita terem irregularidades na campanha da presidente
 
 
Jornal GGN – Não bastando o despacho encaminhando “indicativos de ilícitos” nas contas da presidente Dilma Rousseff, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, pediu agora a ajuda da Secretaria de Fazenda de São Paulo para investigar indícios de irregularidades de outra empresa, no pagamento de R$ 1,6 milhão para a campanha da presidente. A empresa, segundo Gilmar Mendes, foi aberta apenas dois meses antes das eleições.
 
A pedido de Gilmar, a pasta do governo de Geraldo Alckmin encaminhou as informações de que a empresa Angela Maria do Nascimento Sorocaba-ME foi aberta em agosto de 2014 e, em um mês, emitiu notas fiscais eletrônicas no valor de R$ 3,7 milhões sem pagar impostos. Também foi informado pela Secretaria que desse total, R$ 1,6 milhão foi emitido em nome da campanha de Dilma.
 
Curiosamente, a mesma pasta que encaminhou todas as informações para Gilmar Mendes é hoje comandada por Renato Villela. Se por um lado, a Secretaria da Fazenda está fornecendo materiais para o ministro do TSE questionar as contas de Dilma, como mais uma tentativa de pedido de impedimento do seu governo, além das próprias pedaladas fiscais já em julgamento pelo Tribunal de Contas da União, o secretário de Alckmin seria também o responsável pelas “pedaladas fiscais” no atraso do pagamento das Notas Fiscais Paulistas.
 
Villela é economista, ex-secretário-adjunto do Tesouro e foi subsecretário de Fazenda da prefeitura do Rio de Janeiro. Em julho deste ano, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo, Roque Citadini, denunciou o calote da pasta estadual aplicado no consumidor, ao mudar as regras do programa da Nota Fiscal Paulista. 
 
Em meio à crise econômica, para compensar a queda na arrecadação, Villela decidiu adiar os créditos que seriam liberados para o consumidor em outubro, além de penalizar os repasses, que caíram de 30% para 20% (http://bit.ly/1Mjz1th).
 
Agora, essa mesma Secretaria fez as buscas da empresa, fornecendo material extra para a empreitada de Gilmar Mendes contra o mandato de Dilma. A equipe de Villela informou que a Angela Maria do Nascimento Sorocaba-ME não foi encontrada no endereço comercial e realizou, inclusive, uma diligência na residência da proprietária, que dá nome à empresa. As investigações da Secretaria da Fazenda concluíram que Angela foi orientada a abrir a sede apenas no período eleitoral. 
 
Já o contador da empresa de Angela, Carlos Carmelo Antunes, que é também funcionário da empresa Embalac Indústria e Comércio Ltda., disse que a abertura ocorreu a pedido da Embalac, com o objetivo de livrá-la de custos com impostos. Assim, teriam sido emitidas 29 notas para a campanha, referentes ao fornecimento de placas e faixas.
 
A Secretaria da Fazenda de São Paulo também concluiu um relatório sobre toda a atividade da empresa Focal Confecção e Comunicação Visual, que Gilmar Mendes também suspeita de ter recebido dinheiro indevido da campanha da presidente. Com agilidade, o órgão informou que há “conclusões preliminares, pois devido ao grande volume de documentos apresentados faz-se necessário mais tempo para o aprofundamento das investigações e elaboração de relatório final”.
 
Agora, o ministro do TSE conta com o Ministério Público de São Paulo para investigar as suspeitas de irregularidades, previamente descritas pela Secretaria da Fazenda. 
 

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