Sem mandado judicial e com “ordem de Brasília”, índios Kinikinau são expulsos de terra tradicional no MS

Relatos apontam que a ação foi violenta, com o uso de balas de borracha e bombas de gás contra mulheres, idosos e crianças

Jornal GGN – Cerca de 130 homens da Polícia Militar, apoiados por dois helicopteros, foram detacados para retirar cerca de 100 índios da etnia Kinikinau de uma área indígena tradicional, do município de Aquidauana, a 143 km da capital Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

A desapropriação começou na noite de quinta-feira (1º). Os relatos apontam que a ação foi violenta, com o uso de balas de borracha e bombas de gás contra mulheres, idosos e crianças. Para tentar conter o processo de retirada, lideranças indígenas da região fizeram mobilizações em grupos de Whatsapp, chamando professores, acadêmicos, familiares e funcionários públicos indígenas.

“Convido todos os guerreiros de luta, para que a gente possa mostrar aos ruralistas que o nosso povo tem direito! Se o Governo não o fizer, faremos nem que seja a preço do nosso sangue”, pontua um dos manifestantes no áudio.

A fazenda de onde foram expulsos era reivindicada pela etnia Kinikinau desde 2006 como área tradicional. Na quarta-feira, 31 de julho, cerca de 100 índios ocuparam o território que hoje faz parte da fazenda Água Branca.

De acordo com o advogado Eloy Terena, o despejo aconteceu sem mandado judicial. Em um vídeo é possível escutar a voz do prefeito Odilon Ferraz Alves Ribeiro, apontado como um dos comandantes da ação.

A Prefeitura de Aquidauana relatou ao jornal local O Pantaneiro que os índios chegaram por volta das 7 horas da manhã do dia 31 de julho na sede da fazenda Água Branca, onde estavam apenas o caseiro e sua esposa. O grupo trouxe junto documentos que diziam comprovar terem direito sob a terra.

A prefeitura destacou primeiro 40 policiais para negociar a saída das famílias Kinikinau. “Mas foi necessária uma ordem de retirada, vinda de Brasília às 17h, e o reforço de mais 90 policiais militares, Corpo de Bombeiros e o uso de um helicóptero para eles desapropriarem o local”, continua o jornal.

Nesse vídeo, duas meninas choram pelo desaparecimento da mãe durante o tumulto.

Em outro video, um homem Kinikinau relata que darão continuidade a luta.

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