Sequestro de apartamento: oficial tentou cumprir ordem de Moro durante luto de Lula

Ordem para sequestro se deu em 19 de dezembro de 2016, mas oficial de Justiça só tentou cumprir em fevereiro, três dias após a morte de Marisa Letícia

Jornal GGN – Um apartamento vizinho ao de Lula, em São Bernardo do Campo (SP), foi sequestrado no dia 10 de fevereiro a mando do juiz Sergio Moro, responsável pela ação penal em que o ex-presidente é acusado de receber vantagens indevidas da Odebrecht por meio deste imóvel e de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula.

Segundo reportagem do Estadão, a ordem de sequestro foi assinada por Moro em 19 de dezembro de 2016, no mesmo dia em que Lula virou réu pela segunda vez nas mãos do juiz de Curitiba – e quinta vez, se somadas as ações que correm em Brasília (uma da Lava Jato por obstrução de Justiça, e duas das operações Janus e Zelotes, por tráfico de influência e venda de medida provisória).

Apesar de o sequestro ter sido determinado em dezembro, a oficial de Justiça Edilamar Fernandes Dornas, de São Bernardo do Campo, só tentou cumprir o pedido no dia 6 de fevereiro, três dias após a ex-primeira-dama Marisa Letícia ter morte cerebral decretada pela equipe médica do hospital Sírio Libanês que a atendia desde um AVC (acidente vascular cerebral), que ocorreu no final de janeiro.

Segundo relatos do Estadão, a oficial de Justiça procurou um segurança de Lula no dia 6, e foi informada que o ex-presidente estava de luto e, por isso, não atenderia. No mesmo dia, o advogado de Lula, Roberto Teixeira, entrou em contato com Edilamar e informou que o imóvel alvo de sequestro era ocupado por Lula, mediante contrato de locação assinado em fevereiro de 2011, em nome de Marisa Letícia.

Para a Lava Jato,  Lula ocupa o apartamento que, no papel, pertence a Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, porque está sendo beneficiado por pagamento de propina da Odebrecht. Segundo o Ministério Público Federal, o esquema envolvendo a Petrobras movimentou ao menos R$ 75 milhões em oito contratos com a Odebrecht. Em troca, além de ajuda com o apartamento vizinho que custa cerca de R$ 500 mil, Lula teria tido a sua disposição um terreno de R$ 12,5 milhões para o Instituto Lula.

A defesa do ex-presidente diz que Lula e Marisa Letícia “jamais foram beneficiados por qualquer dos dois imóveis indicados na denúncia e muito menos receberam qualquer vantagem indevida proveniente de contratos firmados pela Petrobras. E o advogado Roberto Teixeira agiu sempre dentro do estrito dever profissional e com a observância de todos os deveres éticos inerentes à profissão.” Teixeira foi denunciado na mesma ação por ter intermediado o contrato de locação do apartamento.

Ainda de acordo com a defesa, Lula paga aluguel e esta é uma questão privada, nada tendo a ver com as investigações da Lava Jato. Além disso, ele não aceitou a oferta do terreno e o Instituto Lula foi erguido em outro prédio.

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