Temer dissemina discurso de vítima da quebra de sigilo

Foto: Agência Senado
 
Jornal GGN – Michel Temer tenta reverter o cenário da mira contra ele para a atual Justiça, de investigado para vítima, desde que os caminhos das apurações no Supremo Tribunal Federal (STF), em diferentes processos com também distintas relatorias, não conseguiram fugir do alvo no mandatário.
 
Na sequência da estratégias de pregar a visão de que estaria sendo “vítima” de ativismo tanto do Supremo, neste caso envolvendo dois ministros, quanto da Procuradora-Geral da República, Raquel Dogde, interlocutores começaram, nos bastidores, mas claramente como parte dos planos, a disseminar esse discurso.
 
De um lado, Luís Roberto Barroso autorizou a quebra de sigilo bancário do presidente na apuração sobre o decreto do Porto de Santos. O caso tramita em sigilo no STF, mas a informação foi vazada nas últimas semanas. Como consequência, o ministro determinou, como praxe, a apuração do vazamento.
 
 
Mas até o protocolo seguido por Barroso foi motivo para a equipe de Temer alimentar que seria vítima no caso: “Assessores de Temer afirmam que o ministro tenta desviar o foco de sua decisão [de quebra de sigilo bancário do presidente], classificada pelo governo de sem base legal e de polêmica”.
 
As aspas são de reportagem do G1, que ouviu as fontes não nominadas do Planalto. Do lado jurídico, a equipe do presidente levanta outra tese sobre a investigação de Barroso contra o vazamento: para supostamente tirar o foco dos “indícios frágeis” para a quebra de sigilo de Temer, o ministro abriu investigação sobre a divulgação da informação sigilosa.
 
Um desses porta-vozes que se manifesta sem pudores e abertamente na consolidação das teorias de Temer é o ex-deputado e ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun. Ao blog de Valdo Cruz, ele disse que investigar o vazamento “parece até piada”, uma vez que a própria determinação de Barroso seria “contestada, sem base legal”.
 
Um dos questionamentos do ministro foi o fato de os advogados de Temer terem tido acesso a dados que eram sigilosos do processo sobre o Porto de Santos. Uma petição ingressada pela defesa do mandatário no Supremo mostrou que eles teriam conhecimento dessas informações. 
 
 
 

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