Vazamentos concluem que Palocci foi usado para prender Lula

 
Jornal GGN – O interrogatório de Marcelo Odebrecht e do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci era no contexto da acusação contra ambos por corrupção e suspeita de lavagem de mais de 10 milhões de dólares. No mesmo processo, estão na mira o ex-assessor de Palocci, Branislav Kontic, e outros 12 investigados por corrupção ativa e passiva e lavagem na obtenção de contratos de sondas pela empreiteira junto à Petrobras. Mas o verdadeiro foco dos questionamentos foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Conforme o GGN vem divulgando desde o último ano, o processo relacionado ao ex-ministro da Fazenda do governo Lula é peça “chave” para a Operação Lava Jato fazer a ponte que falta para conectar todas as miras no grand finale sob o ex-presidente. É neste cenário que os vazamentos pelo site O Antagonista, e posteriormente por Fausto Macedo do Estadão e demais diários, trouxeram uma só manchete. No processo contra Palocci e Marcelo Odebrehct, as acusações eram contra Lula.
 
Ainda na fase de levantamento de suspeitas, os procuradores da força-tarefa do Paraná já indicavam: “Antonio Palocci tinha uma tarefa bem determinada: fazer a ponte entre o governo e os empresários, alimentar as estruturas de poder (as campanhas). Era a prioridade de Antonio Palocci”, é o trecho de delação do ex-senador Delcídio do Amaral nos autos do processo.
 
“Em depoimento complementar prestado ao Ministério Público Federal, Delcídio do Amaral revelou que: ‘Antonio Palocci sempre atuava na formatação dos grandes projetos do governo (estruturação dos consórcios, organização dos leilões); que Antonio Palocci era como se fosse o ‘software’ do Partido dos Trabalhadores, enquanto João Vaccari e José Di Filipi eram ‘hardware’, ou seja, executores daquilo que Antonio Palocci pensava e estruturava”, completaram.
 
E o desfecho: “Segundo demonstraram os diversos e-mails apreendidos com Marcelo Odebrecht e com outros executivos do grupo, a interlocução ilícita estabelecida com Antonio Palocci se deu, seguramente, desde o período em que Antonio Palocci exercia o cargo de Ministro da Fazenda do Governo Lula”.
 
Já aí estava delineado o fio condutor de toda a investigação dos procuradores da República junto ao juiz Sérgio Moro, da Vara Federal de Curitiba. Ainda em novembro de 2016, o GGN mostrou que a condenação do ex-ministro Palocci pela Lava Jato era requisito para se levar à cabo a condenação contra Lula. 
 
 
Avançadas as investigações que colocaram no banco de réus o ex-ministro e seu assessor, o ex-presidente da companhia e herdeiro da Odebrecht, e outras doze pessoas, o processo agora tramita nas últimas fases, sendo o interrogatório dos acusados realizado na tarde desta segunda-feira (10).
 
O primeiro veículo a vazar as informações da audiência foi O Antagonista, que manchetou trechos dos depoimentos em tempo real:
 
 
Em seguida, foi a vez do blog de Fausto Macedo confirmar junto a suas fontes as informações divulgadas:
 
 
Desta vez na condição de delator com acordo fechado junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e já condenado em outra ação que prevê 19 anos e quatro meses de prisão, nas mais de duas horas de interrogatório, o ex-presidente da Odebrecht entregou o que os procuradores da República e o juiz Sérgio Moro esperavam: 
 
“Palocci era ‘o principal interlocutor da empresa com o governo Lula’”.
 
Os vazamentos deixaram o juiz irritado. Horas antes, a prática havia sido criticada pela própria presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, apontando, inclusive, a eventual consequência de anulação de um processo, e momentos antes entrevista divulgada com Sergio Moro indicava também que o magistrado era contra os vazamentos, mas questionava a viabilidade de sequer investigá-los.
 
Após ser avisado pelo advogado de Palocci, José Roberto Batochio, a atitude imediada de Moro foi suspender o interrogatório de Marcelo Odebrecht. “Após rápida checagem do site, o Juízo constatou que de fato teria reprodução de afirmações do depoente Marcelo Odebrecht que só poderiam ter saído desta sala”, narrou depois o juiz no Termo de Audiência.
 
Em clima de desconfiança, os 26 advogados presentes na sala foram os primeiros a apresentar, por iniciativa própria, seus aparelhos celulares, para demonstrar que não eram os vazadores. Em seguida, também o fizeram os procuradores da República e os policiais federais.
 
“Nada foi constatado pelo julgador”, disse Moro. 
 
 

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