Alípio Viana Freire, por Izaías Almada

Conheci-o em 1969 quando éramos “hóspedes” do Hotel Tiradentes, como às vezes costumávamos chamar o Presídio de mesmo nome

Alípio Viana Freire

por Izaías Almada

         O companheiro Alípio partiu para outros mares e terras, vítima que foi da insensibilidade de um governo medíocre e irresponsável, para dizer o menos. Levou-o uma tal de “gripezinha”, conhecida por Covid-19.

         Conheci-o em 1969 quando éramos “hóspedes” do Hotel Tiradentes, como às vezes costumávamos chamar o Presídio de mesmo nome que abrigou algumas centenas ou mesmo milhares de mulheres e homens em sua maioria ainda jovens e que lutaram contra a ditadura imposta ao país pelo Golpe Civil/militar em 1964.

         Essa experiência nos levaria anos depois a concretizar uma sua ideia: o registro da memória de muitos que passaram pelo Presídio Tiradentes. E assim foi feito.

         Com a ideia na cabeça e algumas folhas A4, reunimo-nos na casa do jornalista José Adolfo de Granville Ponce e durante dois ou três finais de semana conseguimos definir uma agenda de trabalho para procurarmos os companheiros que eventualmente quisessem falar sobre sua experiência de luta e sua passagem pelo presídio.

         Conseguimos reunir 35 depoimentos e, além disso, a honra de contar com o prólogo do professor Antonio Candido de Mello e Souza, um dos grandes sociólogos e críticos literários do Brasil contemporâneo.

         O livro da Scipione Cultural, com supervisão editorial de Jiro Takahashi, foi lançado na Livraria FNAC de Pinheiros em 1977, esgotando os 400 exemplares enviados para o lançamento na mesma noite, por onde passaram mais de 700 convidados.

         TIRADENTES: UM PRESÍDIO DA DITADURA transformou-se em referência literária e memorialística do Brasil que enfrentou os anos de chumbo.

         Uma iniciativa do baiano Alípio Viana Freire, jornalista, poeta, e incansável batalhador das causas populares e também um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.

         Descanse em paz, Alípio!

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