A carta dos familiares de mortos e desaparecidos políticos

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Familiares de mortos e desaparecidos políticos escreveram uma carta divulgada nesta terça (4), após um encontro nacional em Brasília, defendendo o trabalho de resgate da memória das vítimas da ditadura militar, além de demandar o cumprimendo de duas dezenas de recomendações feitas no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 10 de dezembro de 2014, além da continuidade dos trabalhos e da autonomia da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, responsável por organizar o encontro.

 
Na segunda (3), a Comissão divulgou a identificação de um sindicalista torturado e morto em São Paulo, na unidade comandada pelo coronel Carlos Brilhante Ustra. A identificação da ossada foi feita por meio de exame de DNA. 
 
Leia, abaixo, a carta completa.
 
CARTA DE BRASÍLIA
 
Nós, familiares de pessoas mortas e desaparecidas vítimas da
repressão política da ditadura militar brasileira (1964/1985), presentes
no I Encontro Nacional de Familiares promovido em Brasília – DF, pela
Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP)
instituída pela Lei 9.140/95, reunidos com membros e colaboradores/as
dessa Comissão, nos dias 03 e 04 de dezembro de 2018, vimos a público:
 
– REITERAR o nosso direito inalienável de conhecer as circunstâncias de
desaparecimento e morte de nossos entes queridos e de receber os restos
mortais que ainda não foram localizados para sepultamento digno;
– REIVINDICAR a efetiva implementação das 29 (vinte e nove)
recomendações do Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade,
publicado em 10 de dezembro de 2014;
– REAFIRMAR a necessidade de preservação de todos os arquivos
relativos ao período da ditadura militar, bem como a reconstituição de
autos e de procedimentos eventualmente destruídos ou, de qualquer
modo, extraviados;
– DEMANDAR políticas públicas de implementação e manutenção de
espaços e marcos de memória relativos às ações de repressão da ditadura
militar e de resistência à violência e ao arbítrio daquele período;
– DEFENDER, de maneira intransigente, a continuidade dos trabalhos
em termos plenos e a autonomia da Comissão Especial sobre Mortos e
Desaparecidos Políticos;
– REQUERER a realização anual, a partir de 2019, de encontros nacionais
de familiares nos moldes do presente evento.
Nesses termos, reafirmamos o compromisso com a luta de nossos
antepassados pela defesa da justiça social, da liberdade e da democracia.
 
Brasília, 4 de dezembro de 2018. 

 

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