A cortina de silêncio em São Paulo

Por o obervador

Mouro, estamos mais para Sodoma e Gomorra que News Orleans, a julgar pela torrente de xingamentos à paulicéia que o teu post desencadeia, penalizando o povo pela governança que temos, sem atentar para o fato que o povo sempre vota no menos ruim. Ou seja, a oposicão ao tucanato vem oferecendo candidatos sofríveis, sem nenhum carisma ou campanhas que comprovem os desmandos e corrupção da situação empoderada desde Mário Covas. Teu blog vem publicando seguidas críticas, ao longo dos últimos anos, sobre a causa das enchentes na capital. No auge da cheia de meio ano que submergiu o Jardim Pantanal, denunciou que Serra havia mandado fechar a barragem da Penha para poder alargar a Marginal do Tietê sem enchentes, à juzante dela, destroçando ali o bilionário Projeto Pomar que Alckmin havia erigido.

 Como consequência, as próprias estações elevatórias que a Sabesp havia construído nesse Jardim Romano/Pantanal foram inundadas, assim como os conjuntos residenciais do CDHU/CEO que ali haviam sido edificados quando se constatou que a área era imune a cheias, desde que a barragem da Penha estivesse aberta… O Estadão se omitiu, assim como a FSP e demais jornais, tevês, radiofonia e webb; assim como um Ministério Público criado para ser o fiscal da legalidade, isto é, para impedir que a limpeza permanente da calha de nossos rios fosse paralisada e o dinheiro desviado para comprar o silêncio da mídia.

Minto: o sucessor do Notícias Populares, o Agora, estampou na primeira página a foto de uma escavadeira que caiu de uma jamanta que passava pela ponte das Bandeiras e foi parar no meio do Tietê, embaixo, com a lâmina d’água encobrindo apenas metade de suas rodas. Novamente, fostes o único a comentar o fato ou foto, demonstrativa de que os mais de três metros de profundidade que o rio deveria ter ali estavam assoreados, isto logo após os folguedos carnavalescos do ano eleitoral que principiava. Essa foto, sem qualquer texto explicativo, seria o suficiente para o IE/IAB/OAB e dezenas de outras instituições se manifestarem em outros tempos, quando FHC ainda não havia transformado as independentes Ongues em Oscipis dependentes de verbas governamentais.

Com as ongues, mídia e judiciário silenciados, temos igualmente a oposição omissa como sempre, sem se manifestar sobre o absurdo da construção dos muros/diques e de bombas para recalcar a água para onde mesmo? Para o rio transbordante. Sem se manifestar sobre o fato do sistema Light de prevenção a enchentes ter sido desmantelado quando fracassou a privatização da usina Henry Borden, deixando as usinas elevatórias do Pinheiros à mercê dos gatunos menores, que roubaram peças e fios das bombas que deveriam estar invertendo o caudal em direção às represas Billings/Guarapiranga e daí até a usina de Cubatão.

O duro mesmo é ver que as centenas de reportagens publicadas sobre nossas enchentes, que culminaram com bilhões de dólares dispendidos em medidas corretivas, tudo isto virou pó ou matéria-prima para novos assoreamentos. Ninguém se lembra dessa época em que os problemas públicos eram esmiuçados e debatidos, muito menos a universidade – que se limita a corroborar decisões dos governantes capazes de comprar os valiosos préstimos de seus expoentes. Tendo o aval de uma opinião pública estupidificada pela falta de educação, que se compraz em xingar e enxovalhar o voto paulista nos menos ruins, esquecida do pequeno pormenor de que não tivemos alternativa inteligente ou competente em quê votar. Ou será que algum antigo candidato derrotado ao Governo paulista está se manifestando sobre essas questões e não estamos sabendo? Enfim, evoé, bom entrudo, o que não tem remédio…

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