A crítica ao bipartidarismo

Penso que o Marcos Coimbra deixou de lado algumas questões importantes.

Existem registrados hoje, no Brasil, somente 27 partidos (http://www.tse.gov.br/internet/partidos/index.htm).

Já nos EUA, ao contrário do que acreditamos, existem aproximadamente o triplo de agremiações (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_partidos_pol%C3%ADticos_nos_…). Logo, se tomarmos por base nosso “irmão” do Norte, ainda teria espaço para muitos outros partidos se formarem.

Existir mais ou menos partidos nao é garantia de representatividade, ao contrário do que faz parecer o Coimbra, como que sugerindo que devessemos copiar o bipartidarismo branco da Inglaterra e dos EUA sem se dar conta de que existem mais do que duas idéias no mundo de hoje capazes de mobilizar a sociedade. E nao será por meio de lei que iremos reforçar ideologicamente os partidos hoje existentes no Brasil, mas por meio do amadurecimento político.

Penso que o principal problema que aflige aos pequenos partidos e que deve ser atacado pela reforma política não é a de falta de representatividade, mas de falta de recursos. Sim, porque as eleiçõe são movidas a dinheiro. E os partidos que conseguem erguer melhores estruturas financeiras possuem mais condições do que os que não tem esta possibilidade.

A reprodução deste mecanismo acarreta vários efeitos ruins para a democracia: impede os pequenos partidos de colocarem suas idéias na sociedade, na medida em que não podem pagar por esta estrutura nem estão no poder para viabiliza-las; os grandes partidos não precisam se ocupar em reforçar sua ideologia, pois a chave da eleição passou a ser o setor de finanças e o de marketing, não o de formulações teóricas; deseduca a população a pensar criticamente as propostas, porque se “são sempre os mesmos” sempre, não é preciso muito esforço para entender o que pretendem transmitir; praticamente impede o surgimento de novas lideranças e de novas práticas políticas, pois o sistema atual, ao contrário do que afirma Coimbra, não privilegia o coletivo, mas as cifras. E quem não as possui não consegue vencer.

Logo, penso que uma reforma política que de fato pretenda fazer avançar o sistema político brasleiro nao pode se concentrar em diminuir o número de partidos. A escolha sobre em quem votar pertence ao povo e é ele quem deve decidir se os pequenos partidos devem ou nao seguir existindo, por meio do voto, sem tutelas que, no fundo, guardam um velho preconceito: o que de a população “não sabe” votar.

Deve, sim, atacar o problema central das eleições: o dinheiro.

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