A estrutura da presidência de Dilma

Do Valor

Dilma pode mudar estrutura da Presidência

Cristiano Romero, de Brasília
06/08/2010 

A vantagem registrada em algumas pesquisas de opinião já faz a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, pensar na formação do seu governo. Segundo fontes próximas à candidata ouvidas pelo Valor, ela tende a manter alguns ministros e dirigentes de estatais da atual gestão, a ter pelo menos um terço das Pastas comandadas por mulheres e a modificar a estrutura de poder do Palácio do Planalto, nomeando assessores diretos para áreas consideradas típicas de Estado, como diplomacia e segurança.

O modelo de Presidência que, neste momento, inspira Dilma é o dos Estados Unidos, onde o presidente dispõe de assessores de alto nível em áreas como economia, segurança nacional e combate ao tráfico de drogas. A ideia não é ter assessores para fazer contraponto aos ministros das respectivas áreas, mas para subsidiar o presidente técnica e “politicamente”. Atualmente, quem já exerce essa função no Palácio do Planalto é o professor Marco Aurélio Garcia, assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

NooNo organograma de um possível governo Dilma, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que até a gestão Itamar Franco se chamava Gabinete Militar, deverá implodir. Desta forma, a subsecretaria que cuida do combate ao tráfico de drogas e que hoje está subordinada ao GSI voltaria para o Ministério da Justiça e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) passaria a responder diretamente ao presidente da República.

Dilma rompe, em seu projeto, com uma estrutura que vinha dos governos militares. Na sua gestão, o Palácio do Planalto terá uma Casa Civil forte, com atribuições de secretaria de governo e articulação política. O nome mais forte para ocupar esse cargo é o do ex-ministro Antônio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma. “O ministro da Casa Civil tem que ser do PT”, ponderou uma fonte ligada à candidata.

Ao contrário de Lula, que especialmente em seu segundo mandato se dedicou diretamente às principais articulações políticas do governo, Dilma pretende deixar nas mãos do futuro chefe da Casa Civil essa tarefa. Como tem um perfil mais administrativo, ela se dedicará, mais do que o atual presidente, ao gerenciamento das ações governamentais.

Enquanto já pensa numa nova estrutura de poder, a candidata do PT define os nomes da atual administração que pretende manter. Segundo apurou o Valor, dois ministros serão convidados a permanecer onde estão: Fernando Haddad, da Educação, cuja gestão é bem avaliada pelos petistas; e Nelson Jobim, da Defesa. Jobim pode ficar, pelo menos, por mais dois anos no cargo, até concluir a reestruturação da Pasta, tornando-a efetivamente um ministério civil, segundo palavras de uma fonte graduada.

No início desta semana, Jobim esteve com o presidente Lula para falar das eleições. Explicou-lhe que é amigo do candidato da oposição, José Serra (PSDB), bem como da candidata do governo, e que, por isso, não gostaria de participar da campanha. Lula, segundo um assessor, entendeu as ponderações e o tranquilizou. Se vencer a disputa, Dilma pretende convidá-lo a ficar.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, deve permanecer no ministério, mas não na Pasta do Planejamento, que chefia desde 2004. O chanceler Celso Amorim é outro que tem chances de permanecer. Duas assessoras da candidata petista na Casa Civil – Miriam Belchior e Erenice Guerra, que a substituiu na Casa Civil – deverão comandar ministérios numa possível gestão Dilma. 

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