A Folha e o jornalismo com birra

Ontem, o Blog do Planalto desmentiu cabalmente a interpretação dada pela Folha à reportagem do Financial Times. Não teve jeito! Hoje, o editorial da Folha repisando o que foi desmentido. Faz-se jornalismo por birra. Uma operação que envolve uma empresa imensa, milhares de funcionários, opções estratégicas complexas – porque em um ambiente de revolução tecnológica – e o jornal continua se permitindo o exercício amador das idiossincrasias.

Editoriais

Lula lá fora Político de inegável talento e biografia incomum, o presidente Lula soma a essas qualidades uma grande capacidade de interpretar a história em benefício próprio, a ponto de apresentar-se, com frequência, como o único responsável por avanços que exigiram esforços coletivos e lentos processos de maturação.

Não seriam pequenas as ambições do mandatário petista ao se aproximar o fim de sua Presidência. Lula já manifesta o desejo de tornar-se liderança internacional.

Foi o que expressou em artigo publicado anteontem pelo diário britânico “Financial Times”. No texto, diz pretender concentrar sua atenção “em iniciativas para beneficiar os países da América Latina” e do continente africano.

Confirma-se assim a informação publicada por esta Folha, há um mês, de que o presidente almejava ocupar postos em organismos multilaterais -notícia que foi negada por sua assessoria.

O interesse revelado pelo presidente é legítimo -embora possa levantar especulações sobre até que ponto suas movimentações internacionais também se pautaram pelo projeto ora assumido.

É longa, de todo modo, a distância que separa os paparicos hoje dispensados por lideranças de países ricos ao presidente brasileiro e a possibilidade de ele vir a assumir cargos que signifiquem real capacidade de intervenção. Os dois postos aventados pelo círculo próximo ao mandatário petista -a presidência do Banco Mundial, ocupada há 65 anos por norte-americanos, ou a secretaria-geral da ONU- são improváveis.

Ainda que haja espaço para novos polos de influência no mundo, a direção de organismos relevantes segue sendo controlada pelas antigas potências. EUA e Europa não vão abrir mão de sua influência, como demonstrou a reação às gestões brasileiras e turcas no caso do programa nuclear iraniano. 

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