A incapacidade de Dilma de limpar a agenda negativa

A presidente Dilma Rousseff não nomeou ainda os presidentes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Não confirmou no cargo, ainda, Ministros de área social. Não definiu, com os respectivos Ministros, os projetos centrais de cada Ministério. Conclamou os Ministros para uma estratégia de comunicação, mas não definiu a estratégia.

Na 5a  feira passada criticou duramente – para assessores, vazando para os jornais – a estratégia de divulgação do “impairment” da Petrobras, que permitiu que um ajuste de R$ 88,8 bilhões nos ativos fosse tratado pela mídia como custo da corrupção.

Mas, da parte de Dilma, nada foi feito para preparar a empresa para enfrentar o terremoto atual.

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Existe um CEO adequado para cada circunstância. Para períodos de crescimento, de contenção, para épocas de crise, cada circunstância exige um perfil diferente.

Graça Foster é uma funcionária exemplar da Petrobras, mas exposta a um fogo cruzado intenso e desgastante, que a obriga a pensar na empresa, na sua segurança pessoal e a explicar-se diariamente sobre malfeitorias das quais não participou.

Além disso não tem experiência de CEO para analisar todas as circunstâncias e desdobramentos da crise atual.

O momento exigiria um CEO experimentado em questões de governança, que pudesse implantar métodos modernos de controle e isolar a operação definitivamente da crise política e policial.

A insistência de Dilma com Graça Foster foi imprudente e injusta para com ela própria. De certo modo repete-se o que já ocorreu em outras áreas do primeiro governo Dilma, em que a demora em proceder a substituições inevitáveis acabou  por impor sacrifícios adicionais às pessoas que permaneciam no cargo.

Dilma julga estar agindo com lealdade com seus subordinados, mas apenas os expõem a uma dose de sacrifício adicional, antes do inevitável.

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A segunda perna da estratégia seria  um presidente de Conselho de Administração com status de Ministro para administrar a crise, conversar com as empresas de auditoria, com o Grupo de Trabalho da Lava Jato, com o próprio mercado. E, principalmente, articular com os bancos operações de salvamento dos fornecedores da Petrobras, para impedir o desmantelamento da cadeia produtiva do petróleo e gás – que responde por 13% do PIB.

De preferencia, alguém que já tenha sido CEO de grandes grupos, que conheça os humores do mercado nacional e internacional, que saiba analisar os desdobramentos de decisões internas sobre o balanço, o mercado e os fornecedores.

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Está certo que, desde as eleições, Dilma não teve um minuto de sossego. No dia seguinte ao da apuração, já estava sob fogo cruzado. Mas o momento exige decisão. E exige, acima de tudo, discernimento e método para gerir o país em um pedaço complicado que virá pela frente.

Em períodos críticos como o atual, o governante não pode se dar o direito de apostar – como fez Dilma, mantendo Graça Foster no cargo quando normas mínimas de prudência recomendariam sua substituição, inclusive para tirar o tema Petrobras da frente e permitir ao governo avançar em uma agenda positiva.

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Tome-se a Procuradoria Geral da República. É um cargo relevante, mas longe da importância e da complexidade da Presidência da República. No entanto, o PGR conta com um conjunto de conselhos de alto nível – composto pelos quadros do Ministério Público Federal – para aconselhá-lo em todos os temas relevantes, de questões políticas a questões constitucionais.

Quando se olha para o Palácio do Planalto, o que se vê – ainda – é o governo de uma só, com poucos conselheiros opinando nas análises conjunturais, políticas e econômicas e quase nenhum sendo ouvido. E os problemas se acumulando pela incapacidade de Dilma de pensar friamente, estrategicamente para ir limpando o sótão de fantasmas que nunca são exorcizados.

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