A morte de Rui Moreira Lima, militar perseguido na ditadura

Da Agência Brasil

Morre brigadeiro Rui Moreira Lima, militar perseguido na ditadura

Vinícius Lisboa
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O major-brigadeiro do ar Rui Moreira Lima, de 94 anos, veterano da Segunda Guerra Mundial e fundador da Associação Democrática e Nacionalista dos Militares (Adnam), morreu na madrugada de hoje (13), no Hospital Central da Aeronáutica, onde estava internado há 47 dias na unidade de terapia intensiva (UTI) por causa de um acidente vascular cerebral. Ele teve uma parada cardíaca às 4h30.

O brigadeiro deu depoimento à CNV em outubro do ano passado e sua história motivou a criação do grupo de trabalho dedicado a militares perseguidos. Na abertura da sessão de hoje do grupo, o consultor Paulo Ribeiro da Cunha lamentou a morte e disse que o militar era uma pessoa extraordinária, que inspira o processo de luta pela verdade. “Hoje nossos trabalhos serão permeados pela emoção dessa perda”.

Nascido em 12 de junho de 1919, em Colinas, no Maranhão, o brigadeiro foi piloto de combate na 2ª Guerra Mundial, em missões na Itália.

De volta ao Brasil, chegou a ser comandante da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio, mas foi perseguido pelos militares a partir de 1964, por ter se negado a apoiar o golpe militar.

Chegou a ser preso três vezes. Na última, seu filho, Pedro Luiz Moreira, foi detido como forma de chegar a ele. Pedro deu depoimento ontem (12) para a Comissão Nacional da Verdade e para a Comissão Estadual da Verdade do Rio, contando que a perseguição a seu pai se estendeu a toda a família.

O corpo do militar será velado no Instituto Histórico da Aeronáutica, às 14h, e o enterro será às 16h, no Cemitério São João Batista.

Edição: Talita Cavalcante

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