A participação da elite na política paulista

Dias atrás comentei sobre o período de muda da política paulista. 

Diante de uma análise pessimista sobre o futuro do protagonismo de políticos paulistas no cenário nacional, perguntava-me onde estão as ruas, onde estão as praças. Buscando nelas a fonte primeva da política, os movimentos populares.

A praça é do povo como os ceus são do condor!

As praças e os ceus também podem ser dos tanques e helicópteros militares da repressão, como na da Paz Celestial em Pequim ou no Vila Euclides em São Bernardo e agora na Líbia, mas antes, e ante, dos tanques e dos helicópteros está o povo.

As praças e ruas paulistas não estavam vazias. Na minha opinião estavam cheias de gente apressadas como sempre, mas cada uma cuidando de suas vidas.

De repente, as ruas de novo. E aí está o movimento contra o aumento das passagens de onibus da Prefeitura de São Paulo. Não são muitos, no protesto de ontem, como noticiado pela Folha de hoje, seriam 200 almas, mas estão nas ruas. A reportagem é de Vinícius Queiroz Galvão e traz nela um tesouro escondido em uma única linha, mote para o título deste post.

Deveria estar feliz por esse contraponto ao meu pessimismo anterior, mas não estou.  

Parecem os mesmos de sempre, quando não eles na Avenida Brigadeiro Faria Lima, então, os professores na Avenida Paulista. 

Quasímodos hercúleos paulistas, diria o também paulista Euclides, antes de tudo, fortes.

Fortes que não rodam a roda, apenas não deixam o mecanismo da ação popular parar de vez, respondo dotado de um espírito de porco pós carnavalesco ou de um saudosismo setento-oitentista. 

Nada mudou, ainda que algo tenha mudado. A participação das elites paulistanas nas manifetações populares.

Após os burgueses de passeata do Movimento Cansei, passeata com patrocínio e artistas contratados, diga-se passagem – coisa fina, ontem elas se manisfestaram novamente.

Enquanto os manisfestante anti-aumento protestavam nas ruas do Itaim-Bibi, bairro de classe media alta paulistana, a elite atirava-lhes ovos do alto de suas varandas de vidros blindados.

Agora sim, agora vamos.

Para aonde, José? José, para aonde? 

Teria só nos restado o auxílio luxuoso da poesia?

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1103201124.htm

 

 

Casa de Kassab é alvo de ato contra aumento dos ônibus

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DE SÃO PAULO

Foram dois bloqueios na via. Após o primeiro, no sentido Itaim Bibi, o grupo foi até a rua Angelina Maffei Vita, que dá acesso ao condomínio onde mora o prefeito. Perto dali, queimou um boneco com uma foto de Kassab.
Moradores do prédio jogaram ovos nos manifestantes -alguns foram atingidos.
Na volta, o grupo em passeata bloqueou o cruzamento com a avenida Rebouças, causando, segundo a CET, lentidão de 400 m na Faria Lima -da rua Tabapuã à avenida Cidade Jardim. O protesto, iniciado por volta das 17h em frente do shopping Iguatemi, foi encerrado às 20h.
A PM acompanhou a manifestação -no último dia 17, houve confronto entre policiais e manifestantes num ato em frente da prefeitura.

ATÉ NO EXTERIOR
Kassab está na França em missão oficial da prefeitura, que termina no sábado.

Cerca de 200 pessoas participam do ato, que integra uma série de manifestações já realizadas pelo Movimento Passe Livre e pelo Comitê de Luta Contra o Aumento.

Na terça-feira, um pequeno grupo de brasileiros, com faixas em protesto contra o aumento, encontrou a comitiva do prefeito em Paris.

Manifestantes interditaram ontem a avenida Faria Lima (zona oeste) em ato contra o aumento da tarifa de ônibus, que passou de R$ 2,70 para R$ 3 em janeiro, após decreto do prefeito Gilberto Kassab (DEM). O trânsito na região foi prejudicado.

 

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