A plataforma Jobim, por Maria Cristina Fernandes

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Em sua coluna no Valor Econômico, a jornalista Maria Cristina Fernandes fala sobre a possível candidatura do ex-ministro Nelson Jobim em uma eventual eleição indireta, em caso de impeachment ou renúncia de Michel Temer. 
 
Ela destaca que a coluna que Jobim escrevia no jornal gaúcho Zero Hora foi suspensa há duas semanas, coincidindo com a ascensão do ex-ministro como o “nome mais suprapartidário para o colégio eleitoral”. Fernandes afirma que o advogado tem o mérito de defende a tese impopular de que não há solução para a crise fora da política. 
 
“A criminalização da política serve a impostores e déspotas. A crise política se resolve pela política”, escreveu o ex-ministro, demonstrando preocupação com a aparição de uma aventureiro para 2018. A jornalista também pontua que, recentemente, Jobim deu uma palestra no BTG-Pactual dizendo que não acreditava mais que Temer iria permanecer no Planalto. 

 
Leia mais abaixo: 
 
Do Valor
 
 
Por Maria Cristina Fernandes
 
Os leitores do “Zero Hora”, de Porto Alegre, estão há duas semanas sem um dos seus principais colunistas. A seção fixa que o advogado Nelson Jobim mantinha no jornal às segundas-feiras foi descontinuada por tempo indeterminado. A suspensão de suas colunas coincidiu com a ascensão do ex-ministro de três governos, ex-ministro de dois tribunais superiores (STF e TSE) e sócio de André Esteves no BTG-Pactual, como o nome mais suprapartidário para o colégio eleitoral que pode vir a ser convocado para a escolha de um eventual substituto do presidente Michel Temer.
 
No seu escritório de advocacia, informa-se que a suspensão temporária se deu em função do momento político do país. O ministro temia ser mal interpretado em seus contundentes artigos. Entre seus leitores mais atentos, e não apenas dentro das fronteiras gaúchas, a suspensão das colunas foi vista como uma iniciativa de Jobim para se preservar da percepção de que poderia vir a ser o coveiro da Lava-Jato. O colunista tem o destemido mérito de cultivar a tese, cada vez mais impopular, de que não há saída fora da política. A leitura dos textos sugere que a suspeita sobre sua licença procede.
 
Seis dias depois da divulgação da delação dos executivos da Odebrecht, Jobim publicou coluna intitulada “A crise”. Dedicou-se, no texto, a desautorizar, com seis pontos de exclamação, a validação, como prova, daquilo que fora dito pelos delatores: “Aqueles que visaram a vantagens com suas delações passaram a ser fonte da verdade absoluta (!!!). (Os corruptores passaram a ser fonte de certeza (!!!))”. O ex-ministro também contestou a interpretação de que o sistema político ruíra frente à abundância de deputados, senadores e governadores alvos de inquérito. Nas contas expostas no texto, apenas 12% dos congressistas haviam sido atingidos. Ao esgrimir seus conhecimentos na matéria, adquiridos em mestrado na Universidade Federal de Santa Maria, nunca concluído, disse que o país estaria diante do “erro lógico da generalização empírica”, tese do filósofo austríaco Karl Popper.
 
A constatação de que o país está à beira de uma catástrofe, na visão de Jobim, viabilizaria o aparecimento de um “caudilho redentor” que apenas substituiria um problema por outro. A ausência do prefeito de São Paulo, João Doria, e do deputado Jair Bolsonaro das listas das empreiteiras não era tema de sua coluna, mas o ex-ministro não disfarçou a preocupação com as consequências das delações sobre o plantel de opções para 2018: “A criminalização da política serve a impostores e déspotas. A crise política se resolve pela política”.
 
 
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