A rasteira de Trump, por Fernando Lopez

Disse em outras palavras: “Morreu muita gente aqui sim, mas se eu tivesse feito como Bolsonaro teria morrido dez vezes mais”.

A rasteira de Trump

por Fernando Lopez

Por que o Trump resolveu destruir Bolsonaro, em público, como fez hoje?

Pra entender melhor é preciso entender que assim como Bolsonaro, Trump só pensa na reeleição. Ele queimaria Ivanka e o sonso do Jared em praça pública se isso o ajudasse a vencer.

Essa semana a poderosíssima Ways and Means Committee, da Câmara controlada pelos Democratas, declarou que nem um tipo de tratado, acordo comercial, facilitação ou ajuda será negociada com o Brasil enquanto Bolsonaro for presidente. É uma decisão solene, oficial, tomada pela comissão sem cuja aprovação nada acontece no legislativo americano.

Isso acabou com qualquer possibilidade de Trump usar Bolsonaro como escada da sua política externa. Borseta virou persona non grata, e o Brasil foi junto.

Daí entram em cena os inesperados e altamente positivos números do desemprego americano em maio, onde se esperava uma perda de oito milhões de empregos mas o que aconteceu foi a criação de dois milhões e meio de novas vagas.

Isso colocou Trump novamente na corrida pela reeleição e ele não perdeu tempo em propagandear o fato, assumindo o crédito da política de socorro à economia. Fez certo. É assim que se joga.

Mas acontece que ele vinha sendo cobrado por fracassos nas duas frentes, na economia e na saúde pública. Com a economia dando sinais positivos, ele partiu para a defesa de sua gestão da saúde, do combate ao vírus.

Pra isso escolheu o pior entre todos os governantes do planeta, um que tinha acabado de perder a viabilidade como parceiro comercial, e o usou como exemplo.

Disse em outras palavras: “Morreu muita gente aqui sim, mas se eu tivesse feito como Bolsonaro teria morrido dez vezes mais”.

Pragmatismo americano na versão mais refinada.

Destruiu um aliado para parecer, por comparação, menos pior.

Trump ficou muito mais perto da reeleição. Bolsonaro foi pro vinagre.

Fernando Lopez é militante das causas populares, colunista do Terra Sem Males e idealizador do Social Lista SA.

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