A terceirização e as greves.

Trabalhei dois anos e meio na Sitel, empresa que faz o atendimento e suporte técnico aos cliente possuidores de equipamentos (notebook, palm tops e outros) da HP. Serviço terceirizado. Não é novidade pra ninguém.

O suporte on-line era feito dentro da HP mesmo, lá em Alphaville. Tudo bonitinho,..sala de descanso com TV e tudo…. me disseram que até yoga tinha até um tempo antes de eu entrar na empresa.
Salário regular, pago sem atrasos, vale refeição de cerca de 170 reias e mais ajuda pra gasosa (no caso da pessoa usar carro pra ir trabalhar) de uns 180 reias se me lembro bem.

Ficamos sabendo de uma hora pra outra que passariamos a trabalhar na própria Sitel que tem sede na Barra Funda. Decidido e pronto. Em um mês estavam todos transferidos…pros que não conseguiam fácil acesso à Barra Funda, problema.

Chegando na sede da Sitel nos demos conta da perdas…a empresa não tinha estacionamento, logo cortaram o vale-gasolina justificando que não fazia mais sentido…como não estavamos mais em Alphaville e a comida na Barra Funda era, segundo a empresa, mais barata, cortaram cerca de 40 reais de nosso vale refeição. Até questionamos sobre ser ilegal reduzir os benefícios, mas nesse caso não era. A jogada é simples. Você assina um contrato ao entrar na empresa, onde um dos itens justifica que você recebe por exemplo 100 reais de vale refeição, o restante é um benefício “extra” da empresa, podendo ser cortado a qualquer momento.

O salário continuou na mesma…ufa.

Existe um sindicato que “respondia” por nós atendentes de suporte. É o Sintratel. Eles não se posicionaram, não emitiram um comunicado sequer. Perdemos. Não houve greve, só reclamações entre funcionários nos horários de respiro/almoço…

As empresas de telemarketing e a inércia de seus sindicatos é somente mais um exemplo dos setores que ja perderam a luta. Setores que não tem mais voz e ferramentas para questionar e resistir…se perdemos benefícios, não reclame, estamos prestes a perder o emprego…

Dia 5 desse mês os funcionários da USP entraram em greve. Ao menos nas faculdades de humanas da USP estão havendo debates entre alunos e funcionários. Os professores em sua maioria fingem que nada ocorre. Ganharam aumento salarial e um novo benefício no ano passado. Não há o que justifique a paralisação deles. A categoria foi comprada.

Entre os alunos, há os que são a favor de uma greve geral (alunos, funcionario e professores); os que são contra qualquer greve, e os que só querem assistir à Copa.

O Sintusp, sindicato dos trabalhadores da USP é um dos organismos que ainda defende o direito dos trabalhadores e protestam por boas condições de trabalho, pelos direitos da mulher, por salários justos…os trabalhadores, professores, e alunos, são a universidade…e a universidade está comandada por pessoas que a querem tranformá-la em uma empresa de telemarketing com um sindicato igual ao Sintratel…cabe a quem defender o direito ao ensino público de qualidade?

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