A trama criada pela grande mídia com o crucifixo de Lula, em 2016

O crucifixo, uma peça de cerca de 1,50 metro de altura, feito em madeira de tília, esteve no gabinete presidencial de 2003 a 2010, e foi com seu proprietário por ocasião do fim do mandato.

Jornal GGN – Em 2016, Estadão aparece com a bombástica matéria de que a Polícia Federal teria encontrado cofre de Lula com joias e obras de arte. O documento da PF foi assinado pelo delegado Ivan Ziolkowski. A narrativa foi incorporada por todos os grandes veículos de mídia, tornando o ex-presidente vítima de uma trama a mais na preparação da Lava Jato.

Dizia a matéria que no cofre do Banco do Brasil estariam 23 caixas guardadas pelo ex-presidente desde janeiro de 2011, quando deixou o Palácio do Planalto, e seriam presentes recebidos por chefes de Estado de todo o mundo. A PF teria fotografado parte do acervo e enviado ao juiz, na época, Sergio Moro.

E, na listagem, a presença de um crucifixo barroco e, segundo a coluna Radar, da Veja, seria uma obra de Aleijadinho que teria sumido do Palácio do Planalto.

Mas a trama urdida tinha uma outra versão, a real, contada em 2011 pela revista Época, que também embarcou na narrativa do ‘saque’. O crucifixo, uma peça de cerca de 1,50 metro de altura, feito em madeira de tília, esteve no gabinete presidencial de 2003 a 2010, e foi com seu proprietário por ocasião do fim do mandato.

Começou, então, a tentativa de mostrar que o crucifixo pertencia ao Palácio, desmentido pelo diretor da documentação histórica da Presidência, Claudio Soares. Soares explicou que a peça era um presente recebido pelo presidente Lula de um amigo. O crucifixo pertencia a Dom Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias que o colocou à venda em 2002 e foi comprado por José Alberto de Camargo, diretor da CBMM. Morelli resolveu, então, dar a Lula o presente, por sugestão de Frei Betto. E ele acompanhou o presidente por todo seu governo.

A foto em que Itamar Franco aparece com o crucifixo ao fundo não é da época de seu governo, e sim em uma reunião com Renan Calheiros, então presidente da República em exercício, em maio de 2006. Foi esta foto que alimentou a boataria sobre Lula ter roubado o Cristo quando saiu do Planalto.

E foi bem usada pela grande mídia. E o crucifixo que existia no Palácio, antes de Lula levar para lá seu presente, era uma cópia tosca do trabalho de Aleijadinho. E lá permanece.

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