Aécio aproxima-se dos sindicatos

Do Terra Magazine

PSDB de Aécio quer aproveitar racha entre PT e sindicatos

Dayanne Sousa e Marcela Rocha

A ala do PSDB ligada ao senador Aécio Neves (MG) pretende, segundo interlocutores do ex-governador de Minas Gerais, aproveitar os recentes desgastes entre PT e sindicatos para estreitar laços com as entidades. A intenção é aumentar as bases trabalhistas do partido, com vistas em 2014, ano em que o mineiro pretende disputar as eleições presidenciais.

“A intenção é ampliar o leque de alianças do PSDB, tanto de partidos como de representantes da sociedade que hoje eventualmente estão na base do governo, mas que podem estar conosco daqui a quatro anos”, resume o deputado mineiro Rodrigo de Castro (PSDB), ligado a Aécio.

As centrais sindicais e o Planalto não entraram em acordo sobre o reajuste do salário mínimo. Críticas ao valor estabelecido pelo governo (R$ 545) foram vocalizadas pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, que, com meia dúzia de integrantes de seu partido, não votou com a base governista.

EmenEm entrevista a Terra Magazine, nesta terça-feira (28), Paulo Pereira fez duros ataques ao governo Dilma Rousseff e criticou centrais aliadas. “Estamos de saco cheio do PT”, disse.

Paulinho da Força defendeu o mesmo valor ao mínimo apresentado pelo DEM e defendido pelo senador Aécio (R$ 560). O restante do PSDB, no entanto, era favorável a um salário mínimo de R$ 600, sugerido pelo ex-governador de São Paulo José Serra, enquanto disputava a Presidência da República com Dilma no ano passado.

Os dissidentes do PDT, partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, estão sendo isolados pelos demais governistas. O líder da sigla na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), foi excluído de reunião com a presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira (2). E, para diminuir o mal-estar entre a presidente e o partido, agravado com as recentes declarações de Paulinho, os pedetistas consideram ser preciso escantear o deputado sindicalista.

É neste vácuo onde Aécio e seus aliados pretendem entrar. As primeiras conversas com Paulo Pereira já aconteceram e os tucanos esperam poder estreitar ainda mais a relação com o líder sindical.

Para Castro, o momento atual – de insatisfação do líder da Força Sindical e crise na aliança com o PDT – é crucial para os tucanos. Embora os aecistas não apostem numa mudança repentina na base aliada, cultivam a proximidade. “Não creio que haverá um rompimento com o governo daqui há um mês, mas esse é um momento em que nós avançamos e eles (as forças governistas) recuaram”. 

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