Além do SBT, novo ministro tem ligações com rádios e TVs locais

De perfil discreto, Fábio Faria (PSD-RN) tem bom trânsito nos bastidores da Câmara, inclusive com o presidente da Casa, Rodrigo Maia

Jornal GGN – Nomeado ministro das Comunicações, o deputado Fábio Faria (PSD-RN) não somente é genro de Silvio Santos e esposo da herdeira da televisão SBT, como também carrega um histórico de redes familiares com rádios e outros veículos de comunicação.

Casado com Patrícia Abravanel, além de ser uma das herdeiras e apresentadora do SBT, é também dona da TV Alphaville, canal por assinatura do bairro de luxo da grande São Paulo, são sócios da produtora New Bebinnings, ligada à TV aberta, e seu pai, Robinson Faria, é dono de rádios locais do Rio Grande do Norte.

Foi também do pai que faria seguiu a carreira política. O ex-governador do Rio Grande do Norte e presidente do PSD no estado, Robinson possui três outorgas da marca Rádio Agreste no estado, deixando de ser sócio da empresa em 2013, mas mantendo a operação das transmissões locais.

Além de representar mais uma nomeação ao Centrão, a escolha por Fabio Faria foi também estratégica para atender a interesses de rádios e televisões locais que reclamavam da demora nos processos de outorga. O deputado, que está em seu quarto ano de mandato na Câmara, afirmou que a escolha de Bolsonaro não teve relação com o partido: “Foi uma indicação 100% pessoal, nada a ver com o PSD”, disse.

Entretanto, o partido se mostrou satisfeito com a nomeação de Jair Bolsonaro. O líder Diego Andrade (PSD-MG) afirmou estar “pronto para ajudar nas boas propostas do governo”. Há quem também indicou o receio da aproximação com o governo. “Ao Fábio Faria, meus sinceros votos de que consiga preservar a sanidade mental neste governo e convença o presidente a respeitar a imprensa”, disse o deputado Fábio Trad (PSD-MS).

O lado “pessoal” da escolha de Bolsonaro também não converge com o papel que o deputado possui dentro da Câmara. Apesar do perfil discreto, o parlamentar é conhecido por ter um bom trânsito junto à Mesa Diretora, sendo o terceiro-secretário, e teria bom relacionamento inclusive com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma dos objetivos de aproximação de Bolsonaro.

Conforme o GGN mostrou, a escolha ocorre em meio às estratégias do mandatário de evitar desgastes políticos e se blindar junto ao Congresso, nomeando diversas figuras do Centrão e, assim, angariando o apoio em um eventual processo de impeachment.

 


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