As polêmicas do embaixador Luís Fernando Serra, cotado ao Itamaraty

Olavista e defensor das polêmicas de Bolsonaro no exterior, a escolha do embaixador não está sendo vista com bons olhos pela oposição e parlamentares

Bolsonaro durante audiência, ao lado de Onyx Lorenzoni e o embaixador Luis Fernando Serra - Foto: Marcos Corrêa/PR

Jornal GGN – Após o anúncio da saída de Ernesto Araújo do Ministério das Relações Exteriores, o nome mais cotado para assumir o cargo é o embaixador do Brasil em Paris, Luís Fernando Serra. A escolha de um olavista não está, contudo, sendo vista com bons olhos pela oposição e parlamentares que enxergam a grave crise da diplomacia brasileira no exterior.

Serra é apontado como um olavista e já estaria aguardando o anúncio de seu nome para substituir Araújo. Sua indicação seria na linha de manter a ala ideológica do governo e, portanto, já está sendo criticada pela oposição e pelo Congresso.

Acompanhando a postura de Araújo e do presidente Jair Bolsonaro, o embaixador já chegou a cancelar um evento em Paris, com acadêmicos, quando soube que a vereadora assassinada Marielle Franco seria homenageada.

O diplomata enviou telegramas a Ernesto Araújo informando a negativa ao evento, que seria realizado em julho do ano passado. “Convidado para assistir à cerimônia de encerramento do Congresso, fui informado de que o evento ocorrerá em local cedido pela prefeitura de Paris, com a presença da prefeita Anne Hidalgo (Partido Socialista)”, escreveu Serra, em telegrama no dia 6 de agosto de 2019 a Araújo.

“Na ocasião, após a palestra final da conferência, deverá ser dada a palavra à prefeita para ‘prestar homenagem à brasileira Marielle Franco’. Na ocasião, a prefeita tornará pública a localização de jardim da capital francesa que receberá oficialmente o nome da vereadora brasileira. Ante o exposto, tomei a iniciativa de cancelar minha participação no referido evento”, disse o embaixador.

Favorito do mandatário, o polêmico embaixador já havia sido cotado para assumir o cargo no início do governo Bolsonaro e tornou-se próximo do mandatário em fevereiro de 2018, quando Bolsonaro era deputado federal e pré-candidato. À época, Serra recepcionou o então deputado em Seul, na Coreia do Sul.

Ao longo de sua defesa escancarada das polêmicas do presidente brasileiro, Serra rebate críticas da imprensa francesa contra o mandatário e é crítico do presidente da França, Emmanuel Macron, defendendo Bolsonaro em pleno atrito diplomático, quando o presidente brasileiro ofendeu a primeira-dama francesa em 2019.

Enquanto o presidente francês criticou amplamente o aumento das queimadas na Amazônia e Pantanal brasileiro, no governo de Jair Bolsonaro, juntamente com diversos países do mundo, o embaixador saiu em defesa de Bolsonaro, afirmando que durante o governo do ex-presidente Lula houve incêndios “muito mais graves” na Amazônia.

Disseminando Fake News, Fernando Serra disse, em entrevista à TV local France 24, que em 2005 foi “pior”. “Preciso dizer uma coisa muito importante: em 2005, aconteceu a mesma coisa, aliás, pior. Você pode ir aos arquivos para ver, mas o presidente era Lula, queridinho da imprensa, então ninguém saiu espalhando o que estava ocorrendo na floresta. Ninguém disse que era culpa do Lula.”

Ainda, na ocasião, o embaixador disse que Bolsonaro “derrotou a esquerda com 58 milhões de eleitores que eram contra Lula e seu partido” e que “a squerda não admite perder eleições no Brasil.”

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