Avaliações sobre o debate – 5

Essa forma do Nassif desdobrar em perguntas foi show. Parabéns! Dá para acompanhar muito bem e de modo focado os comentários. Minha sugestão para os leitores é abrir uma pasta no Explorer e ir salvando as urls, assim mais tarde dá para voltar rapidamente.

Eu vi o debate todo e concordo com as avaliações em todos os lugares de que Plínio foi o showman. Já li a Christina Lemos (R7), o Estadão, o Azenha e o Eduardo Guimarães. Todo mundo, de lá e de cá, fala mais ou menos o mesmo.

Mas nenhum desses falou de coisas que eu penso ter percebido:

– Os candidatos podiam mudar de assunto nas respostas, portanto Serra perdeu 10 oportunidades para falar sobre câmbio e juros. Não comentou nem quando foi responsabilidade dele apreciar a resposta de Dilma ao Joelmir. Ou seja, quem tinha alguma dúvida quanto à sinceridade dele em relação ao tema, continua tendo. Se Dilma estava nervosa, Serra esteve menos e não se alterou. Mas a chamou de Marina e esqueceu completamente que “O Brasil Pode Mais”.

Plí- O Plínio foi bem mais contundente com Serra e Marina (com quem houve flerte de coligação no começo do ano.) Em relação a Dilma apenas insistiu no pouco alcance da Reforma Agrária, na qual ele participou. Ele diz que todos são iguais, mas há disfarçada preferência. Ou seja, ele também não se “demitiu” completamente.

– Marina está muito desenvolta e simpática. Dizem que foi para usar como “escada”, mas gostei dela ter feito a única pergunta de candidato ao Plínio. A alcunha de “conciliadora” cabe, até porque ela tem um perfil pós-Lula. Vários elogios à administração petista (discurso de qualidade de educação, relevância da luta pela CPMF, reconhecimento da ascensão social, apoio à transposição do S. Francisco) mostram que não é verdadeiramente oposição (em um comparativo do Brasil Econômico sobre discursos econômicos, o dela é quase idêntico ao de Dilma.) Se o debate ficasse entre Marina e Dilma pareceria uma conversa. Julgo que ela não ficará neutra no 2º turno.

– O PT mudou a pauta da discussão no Brasil. Marina e Plínio, ex-PT, estão mais no avanço que na oposição. Os dados que Plinio usou sobre concentração de renda e relação serviço da dívida/programas sociais estão equivocados mas Dilma optou não rebatê-los. O programa do PSDB/DEM simplesmente não apareceu, a oposição tornou-se um espelho do PT, não algo diferente. O mote “gestão” só apareceu para recuperar uma estatal (os Correios.) Reforma tributária, que é a bandeira não social de Dilma, continuou com ela.

– Serra não conseguiu fugir da estratégia de criticar o governo em coisas de pouco impacto. Preferiu usar o tempo para mutirões, Apae e ministério da segurança. Para quem conhece números e acompanha mais ou menos o noticiário soa falso. A estória da Nota Fiscal Paulista é uma falácia, pois não serve para reduzir tributação, ao contrário, mas para elevá-la com discurso moral e no final sem maiores efeitos que a nf-eletrônica que a Receita já está implantando. Dilma teve oportunidades para rebatê-lo com maior contundência, não deve tê-lo feito por nervosismo (visível, óbvio, com causas também óbvias, como ser a mais inquirida)

– Quando Serra perguntou sobre “congestionamento de portos e aeroportos” eu teria respondido : “estão congestionados porque não houve investimento na gestão anterior e começamos tudo agora, o congestionamento é consequência temporária do desenvolvimento. Aliás, porque tivemos de vir de helicóptero à noite?” 

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