Banco em Mônaco que guardava R$ 70 mi de Teixeira protegia cartola

 
Jornal GGN – A conta secreta do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que guardava o equivalente a mais de 70 milhões de reais em Mônaco ao cartola brasileiro recebia instruções para evitar que caísse na malha das autoridades de investigação. 
 
De acordo com o repórter Jamil Chade, do Estadão, uma das administradoras da conta bancária de Teixeira no Principado admitiu que o banco retirou qualquer menção à palavra “futebol” nos documentos envolvendo o cartola.
 
Em entrevista ao jornalista, Celine Martinelli, ex-funcionária do Banco Pasche, contou que o banco orientava a retirada de qualquer referência às funções de Teixeira, em relação à futebol, Fifa ou CBF. 
 
Em outubro deste ano, veio à tona mais um dos indícios contra o ex-presidente da CBF, cerca de US$ 22 milhões na conta do Pasche, filial do banco francês Crédit Mutuel, que é suspeito de participar do esquema de lavagem de dinheiro e foi alvo de investigação judicial no principado.
 
A suspeita é de que o dinheiro tenha relação com o esquema no Catar para sediar a Copa de 2022. Em 2010, Teixeira foi quem votou e articulou para que o Catar fosse a sede do evento de futebol. Agora, de acordo com as apurações do FBI, da Justiça francesa e da suíça, desde 2015, foi que Teixeira participou de esquema de compra de votos para a escolha da sede do mundial.
 
O principal eixo que levantou as investigações foi um amistoso realizado entre o Brasil e Argentina, em Doha, em 2010, que teria sido realizado para mascarar a compra de votos a favor do Catar, envolvendo o empresário Ghanem ben Saad Al-Saad, ex-presidente do fundo Qataria Diar. Estas suspeitas antecediam, inclusive, as apurações do Ministério Público da Suiça.
 
O empresário, conhecido inversionista e próximo do emir do Catar, Tamim ben Hamad al-Thani, foi fundador e diretor-presidente da empresa Ghanin Bin Saad Al Saad & Sons Group (GSSG), que financiou o jogo entre o Brasil e a Argentina em novemnro de 2010, que ocorreu duas semanas antes da votação da Fifa que escolheu o Catar como sede da Copa em 2022.
 
Um dirigente argentino e Teixeira teriam recebido parte dos US$ 8,6 milhões pagos pelo empresário catari ao amistoso. O caso ainda envolve mais US$ 182 milhoes desviados da companhia de serviços coletivos Veolia, que foi adquirida pelo fundo Qatari Diar na gestão de Al-Saad. Os investigadores tentam identificar onde foi parar esta quantia e a relação do dinheiro com os dirigentes do Brasil e Argentina.
 
Ainda, as apurações mais recentes indicam que teriam se beneficiado do esquema três ex-dirigentes: o ex-presidente da CONMEBOL, oparaguaio Nicolás Leoz; o ex-vice-presidente da Fifa, trinitino Jack Warner; e o dirigente futebolista do Catar Mohamed Bin Hammam.
 
Agora, novas informações divulgadas pelo repórter Jamil Chade dão conta de que o dinheiro, se não é proveniente deste esquema, carrega origens ilícitas, uma vez que o próprio banco tratava de ocultar a relação com futebol. 
 
De acordo com a ex-administradora, o pedido partiu do próprio diretor do banco, Jurge Schmid, que já foi flagrado em áudio afirmando que nenhum outro banco de Mônaco aceitaria o cartola brasileiro como cliente. Schmid deu autorização para a então administradora para a liberação de crédito para a compra de imóvel. 
 
Martinelli contou que “era algo grande” e, seguindo a praxe de ‘Conheça seu Cliente’ da instituição, buscou o perfil de Teixeira, anexando aos documentos do banco. “Coloquei em evidência suas funções no passado e no presente no mundo do futebol”, contou a ex-funcionária ao Estadão. 
 
“Entreguei isso tudo a Schmid e a seu assistente. Mas eles vieram até minha mesa quando leram para dizer que não poderíamos fazer referências a qualquer uma de suas atividades e relações com o mundo do futebol. No banco, tínhamos que esconder que Teixeira tinha relação com o futebol”, disse.
 
A informação foi dada às autoridades francesas, quando prestou depoimento. Ela e outros dois funcionários do banco foram demitidos em 2013, quando passou a viver em outro país e teme que escutas tenham sido inseridas em seu telefone.
 
 
 

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5 comentários

  1. O Banco Pasche Monaco é

    uma subsidiaria do Banco para-estatal francês “Credit Mutuel”, e o caso está virando um mega-escandalo na França.

    A cobertura dada ao caso pela mídia corporativa generalista (Liberation, Le Monde) ou especializada (Les Echos) mostra uma queda vertiginosa do conceita do Brasil e dos brasileiros, com um certo pendor em considerar tudo que é ligado ao Brasil como mafioso.

    Temo que as pessoas físicas brasileiras (isto incluindo os não coxinhos esquizofrênicos) e as empresas (isto incluindo as não ligadas aos esquemas globo/cbf/fifa/psdb/alstom.. nossa são tantos…) vão ter dificuldades crescentes nas suas viagens e negócios na Europa.

    Outro banco citado nas estripulias cbfianas, o Banque Havilland sempre teve uma imagem mafiosa.

  2. Mônaco

    Que tal incluir o Galvão Bueno já que possui contas por lá! Na potencial tripulação se chega aos Marinhos e pelo menos indiretamente à família Safra, cuja safra rende dividendos estratosféricos por conta de contas brasileiras!  

    • Mônaco….

      Quer dizer que esta gente loira, de olhos azuis, que pousa com ar de superioridade é tão suja quanto ‘pau de galinheiro’. Queremos todos nomes, os depositantes, RGT, J. Hawilla, os lacaios que ganharam titulos e estádios como esmola, os políticos pseudo-progressistas que condenam a RGT, no público, enquanto são comparsas no privado. Queremos saber como ‘mortadelas e coxinhas’ idealizaram a Copa do Mundo. Queremos descoberta a sujeira toda que sabemos como foi implementada.  

  3. Mônaco é onde se reúne o fino

    Mônaco é onde se reúne o fino da ladroagem mundial. Passei por là em 2014 e minha vontade foi de explodir aquela bregaiada deslumbrada com seus carrões de milhões de dólares que têm um volante, quatro rodas, motor, acelerador, freio, 4 portas, do mesmo jeito que meu palio de 25 mil pratas. Óbvio que um lugar desses só poderia ser um paraíso fiscal para bandidos.

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