Bolsonaro muda discurso sobre vacina, mas mantém postura de radicalização

Presidente tenta manter base de apoio próxima em meio a tentativas de reduzir desgaste político com avanço da pandemia

Jornal GGN – A política de confronto do presidente Jair Bolsonaro mostra sinais de desgaste em meio à escalada da pandemia e o fracasso de tal estratégia para conter os efeitos do vírus. Ao mesmo tempo, Bolsonaro precisou adotar um plano de defesa nos últimos tempos.

Como explica Bruno Boghossian em artigo no jornal Folha de São Paulo, Bolsonaro chegou a tentar fechar espaços mais expostos ao começar a defender a vacinação, mas a postura de conflito permanece – não é raro ver o presidente atacar governadores, criticar o distanciamento social e insinuar ameaças de ordem social.

Essa movimentação ganhou força depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou seus direitos políticos, e apresentou um discurso completamente oposto ao de Bolsonaro.

Porém, Bolsonaro seguiu tentando vincular as consequências econômicas do isolamento social (necessário para conter o avanço da pandemia) aos partidos de esquerda, embora até mesmo apoiadores do presidente tenham editado decretos de distanciamento.

Ainda que o presidente tente mudar o discurso sobre a vacina, isso tem efeitos limitados, uma vez que nem mesmo o Ministério da Saúde consegue atender o cronograma de vacinação em andamento. Por isso, como afirma Boghossian, “Bolsonaro insiste em métodos já conhecidos e explora seus instintos de radicalização como um mecanismo de proteção. O plano é atiçar tanto sua base de apoiadores fiéis quanto aqueles que apontam suas falhas, com o objetivo de garantir que eles deem sustentação ao governo num momento difícil”.

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