Chats da Lava Jato com suíços parecia “feira livre” de dados contra políticos e empresário brasileiros

Procuradores de Curitiba esconderam da defesa de Lula e do STF as comunicações feitas com os Estados Unidos e Suíça

A Swiss flag flies on the shores of Geneva Lake on June 14, 2013 in the center of Geneva. AFP PHOTO / FABRICE COFFRINI / AFP PHOTO / FABRICE COFFRINI

Jornal GGN – A cooperação internacional que a turma da Lava Jato em Curitiba fez com a Suíça foi tão irregular quanto a relação que se teve com os Estados Unidos. É o que mostra uma nova petição apresentada pela defesa de Lula ao Supremo Tribunal Federal na quinta-feira (17). No documento, os advogados afirmam que os chats de Telegram entre os procuradores liderados por Deltan Dallagnol e os suíços pareciam uma “feira livre” de dados vazados contra empresários e políticos brasileiros.

“(…) a relação fora dos canais oficiais entre a Lava Jato e os procuradores suíços foi efetivamente mantida após a assunção do procurador WALTER MAEDER no lugar de STEFAN LENZ. Os chats envolvendo WALTER MAEDER e a Lava Jato no Telegram parecem uma ‘feira livre’ de informações sigilosas — com o oferecimento, pelo procurador suíço, de informações sobre empresários e políticos brasileiros”, descreveram.

Nos chats de Telegram, os brasileiros pediam favores às autoridades estrangeiras para acessar documentos que poderiam servir de elemento de prova nas ações penais, ou levantar indícios que pudessem ser usados para pressionar os investigados e obter delações premiadas.

A defesa de Lula solicitou detalhes sobre a cooperação internacional na Lava Jato, mas os procuradores de Curitiba e demais envolvidos sempre negaram que tivessem registro das comunicações. O imbróglio foi parar no Supremo Tribunal Federal. Com a invasão hacker que atingiu a força-tarefa, a ocultação dos materiais obtidos via “colaboração selvagem” pela Lava Jato veio à tona.

O material “confirma as ligações da Lava Jato com agências estrangeiras fora dos canais oficiais, inclusive no Acordo de Leniência da Odebrecht — ao contrário do que foi afirmado pelos procuradores da Lava Jato”, anotou a defesa na petição ao STF.

Os advogados ainda lembraram que, durante as oitivas do caso triplex, eles tentaram indagar as testemunhas e delatores sobre negociações de acordos nos Estados Unidos, e o juiz Sergio Moro obstruiu esse trabalho.

“Aliás, oportuno indagar neste ponto: quantas vezes a Defesa Técnica do aqui Reclamante fez perguntas em audiências sobre essas ‘entrevistas” e sobre a cooperação da “Lava Jato” com autoridades norte-americanas e as perguntas foram indeferidas pelo então juiz SERGIO MORO? Aqui está o real motivo: a cooperação era ilegal e clandestina.”

Ainda de acordo com a defesa, “informações de inteligência vindas dos Estados Unidos, conforme mostram as mensagens, eram usadas para quebrar o sigilo fiscal de brasileiros. A quebra do sigilo fiscal, ademais, era definida em reuniões feitas entre a “Lava Jato” e Roberto — da Receita Federal.”

O material mostra a completa inobservância do “Tratado de Cooperação Jurídica em Matéria Penal” entre a República Federativa do Brasil e a Confederação Suíça”, aprovado pelo Congresso Nacional e promulgado pelo Decreto nº 6.74/2009. Para preservar a reputação de terceiros, o chat não será colacionado ao 6º. Relatório Preliminar que acompanha esta manifestação.”

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