Congresso do Peru rejeita impeachment do presidente Kuczynski

Foto El País
 
Jornal GGN – Nesta quinta-feira, dia 21, o pleno do Congresso do Peru rejeitou o pedido de impeachment apresentado pela oposição contra o presidente Pedro Pablo Kuczynski. A alegação é “permanente incapacidade moral” por seus vínculos com a construtora Odebrecht.
 
A sessão que definiu a rejeição do pedido durou mais de 13 horas, com 79 votos a favor. No caso, para ser aprovado, a lei determina que o impeachment precisaria do apoio mínimo de 87 dos 130 legisladores.
Os integrantes do bloco de esquerda Novo Peru foram fundamentais para o resultado, pois se retiraram antes da votação exibindo cartazes que diziam: “Nem golpismo, nem lobismo”.

 
Outro ponto que causou surpresa foi a abstenção de dez legisladores do partido fujimorista Força Popular, que domina o Congresso e tinha anunciado votação em bloco pela cassação.
 
O debate que antecedeu a votação durou mais de nove horas. Por mais de duas horas, Kuczynski fez sua defesa diante do plenário. Ele pediu aos congressistas que salvassem a democracia e rejeitassem o pedido de destituição, negando que tenha favorecido a Odebrecht ou mentido na sua relação com a construtora. 
O pedido de impeachment teve como motivo a consultoria financeira dada pela empresa do presidente, Westfield Capital, à Odebrecht, entre os anos de 2004 e 2007, por um projeto de irrigação no Peru.
 
O presidente pediu desculpas pois deveria ter sido o primeiro ‘a notar as dificuldades para sanar as feridas após a disputa democrática’ de 2016. Kuczynski obteve vitória apertada sobre a atual líder da oposição, Keiko Fujimori.
 
“Não está em jogo a minha permanência no cargo, está em jogo a estabilidade democrática. Não apoiem uma vacância sem sustentação, porque o povo não esquece, nem perdoa”, disse o presidente.
 
Kuczynski não negou que é proprietário da Westfield Capital desde 1992 e que seu ex-sócio Gerardo Sepúlveda administrou a companhia por ocasião de sua participação como ministro do governo de Alejandro Toledo. E mesmo que a lei proíba que um funcionário público administre interesses próprios ou de terceiros em companhias privadas, os dividendos que se recebe são por parte da empresa, não por sua gestão.
 
“Sou um homem honesto, jamais recebi uma propina, um suborno, que tenha distorcido a minha vontade. Nem minha empresa, nem eu fomos contratados pelo governo, jamais incorri em conflito de interesses”, disse.
 
A rejeição ao impeachment encerra uma semana de crise intensa no Peru, que teve início na semana passada, quando a Odebrecht divulgou um documento sobre as consultorias feitas pela empresa de Kuczynski.
 

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