Conta do ajuste veio para o andar de baixo, por Guilherme Boulos

Da Folha

Quem paga a conta?

Guilherme Boulos

O anúncio dos cortes de R$ 26 bilhões no orçamento pela equipe de Dilma revela mais uma vez a saída que o governo oferece para a crise. Refém das chantagens de agências de risco e de ultimatos editoriais como o desta Folhano último domingo, a conta veio novamente para o andar de baixo. Cortes na moradia, na saúde e congelamento salarial para os servidores.

Para aumentar a arrecadação, a principal medida proposta foi a recriação da CPMF, sem qualquer alíquota progressiva. Taxação de fortunas, lucros de bancos, dividendos? Nem uma palavra. Ao contrário, o governo apontou para a redução do IOF, que incide sobre o capital financeiro. A Febraban aplaudiu e pediu bis.

Tal como a covardia do governo, impressiona a hipocrisia tributária dos ricos no Brasil. Reclamam sem parar da carga de impostos, obtiveram isenções bilionárias nos últimos anos e ganharam horrores no período de bonança. Agora não aceitam pagar a conta. Brasileiro já paga muito imposto, dizem. Permitam a pergunta: quais brasileiros?

Se estão falando dos mais pobres e dos setores médios têm razão. Segundo o IPEA, os trabalhadores com renda mensal até dois salários mínimos deixam 54% dos seus gastos em impostos. Já aqueles com renda superior a trinta salários mínimos deixam para a Receita 29% dos seus gastos, quase a metade dos mais pobres.

Esta distorção ocorre porque a maior parte da carga tributária brasileira (51,3%) incide sobre o consumo de bens e serviços. Neste quesito, os diferentes são tratadas convenientemente como iguais. Outros 25% da carga são sobre os salários. Apenas 18% sobre a renda e –pasmem– menos de 4% sobre a propriedade.

As faixas do IR são uma aberração. A última faixa pega os que ganham acima de R$ 4.400 mensais e tem alíquota de 27,5%. Isso quer dizer que um trabalhador que ganhe R$ 5.000 por mês paga proporcionalmente o mesmo imposto do alto executivo que ganha R$ 100 mil. E a alíquota é baixíssima para os padrões internacionais. Na Argentina, a alíquota máxima é de 35%, no Chile 40% e em Portugal 46%.

No caso do imposto sobre a propriedade imobiliária a situação é ainda mais gritante. O ITR (Imposto Territorial Rural) é calculado a partir da autodeclaração dos proprietários sobre o valor de sua terra. A arrecadação anual do ITR em todo o Brasil –país conhecido pelos imensos latifúndios improdutivos– é menor que dois meses de arrecadação de IPTU da cidade de São Paulo. Em 2012, a União angariou ridículos R$ 677 milhões com ITR, enquanto a arrecadação do IPTU paulistano foi de R$ 5 bilhões. A Katia Abreu paga menos impostos por suas fazendas do que você pelo seu apartamento.

Portanto é verdade que brasileiro paga muito imposto, desde que estejamos falando da maioria trabalhadora do país. Quanto aos ricos, banqueiros e grandes empresários, sua tributação é uma mamata. Choram de barriga cheia.

São eles que devem pagar a conta da crise. E as propostas para isso são bastante concretas. E, diga-se, bem mais eficazes para solucionar a crise fiscal do que cortar R$26 bilhões em áreas sociais.

O auditor fiscal Fabio Avila de Castro apresentou em um trabalho acadêmico no ano passado apontando algumas alternativas.

Primeiro, a taxação sobre a repartição de lucros e dividendos. O Brasil é um dos poucos países que não faz esta tributação. Segundo os cálculos do auditor, uma alíquota de 15% sobre a repartição de lucros geraria arrecadação anual de R$ 36,5 bilhões. E uma alíquota de 20% sobre os dividendos poderia gerar R$ 48,9 bilhões.

Outra medida seria igualar o modo de tributação dos lucros ao já aplicado sobre os salários, com suas faixas de isenção e progressividade. Isso renderia, segundo ele, R$ 59 bilhões de receita anual.

O economista Odilon Guedes e o Sindicato dos Economistas de São Paulo também construíram uma proposta tributária no mesmo sentido.

Acrescentam temas como a federalização e aumento do imposto sobre heranças (que hoje tem teto de 8%), a regulamentação da taxação de grandes fortunas a partir de R$ 5 milhões (previsto no Artigo 153 da Constituição) e até mesmo a isenção de IR para trabalhadores de menor renda, mediante o aumento de sua alíquota para os mais ricos e a criação de novas faixas.

Ou seja, soluções para que o andar de cima pague a conta da crise não faltam. Inclusive reduzindo impostos sobre os mais pobres e setores médios, através de uma orientação por taxar muito mais a renda do que o consumo.

 

Soluções populares não faltam. Falta, isso sim, coragem para enfrentar os grandes interesses econômicos. Aplausos da Febraban, repúdio das ruas. 

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36 comentários

  1. Mais uma vez

    Mais uma vez começa e termina num tom que não avança um milímitro á direita. Pelo contrário, só serve pra enfraquecer mais ainda um governo já fraco.

    … Andar de baixo… Defende o aumento dos impostos sobre os mais ricos e pronto, ora.

     Deve ser vantajoso se proteger… “Ah, eu critiquei o governo… Sou independente…”

    Só pode ser alguma coisa na água de são paulo: ativista metido a fazer analise acadêmica e acadêmicos querendo ficar “bem na foto” com ativistas.

    • Quem está enfraquecendo o governo

      é ele mesmo. Onde estavam duas das bases sociais mais firmes na defesa do governo até esse anúncio de corte anteontem? Nos movimentos por moradia e no funcionalismo federal, que tem pavor dos 8 anos de congelamento do PSDB. Ao optar pela covardia, Dilma só vai erodindo suas bases de apoio. O que este artigo faz é apontar as soluções para o governo SAIR dessa armadilha. Nada mais oportuno.

      • Desculpe a expressao mas voce

        Desculpe a expressao mas voce acha que basta a Dilma pegar um papel, assinar e a “classe trabalhadora vai ao paraíso”, é?

        O PT jamais teve sequer 1/6 do Parlamento. E hoje com o conluiio de uma oposição que não aceita resultado de eleições, Imprensa golpista e o bloco de achacadores do Congresso você acha que o governo pode dar uma de valente?

        O que eu escrevi com todas as letras foi o seguinte: defenda o aumento de impostos pros mais ricos, mas sem essa de chamar o governo de “traidor da classe operária”, porque além de um tremendo erro de avaliação, é um tiro no pé.

        • Criar um imposto sobre lucros

          Criar um imposto sobre lucros e dividendos com uma alíquota de 15% não é “dar uma de valente”. É propor o razoável e que já existe em outros países. Mas jogar essa conta no lombo de servidores concursados, que tem uma carga de arrocho do governo FHC que o governo Lula não conseguiu minimizar nem 10% em época de bonança, e no dos sem-teto, é uma baita covardia. Em nenhum momento disse que o governo é traidor da classe operária, nem o texto. Não sei de onde você tirou isso. Mas que é muito covarde, isso é. 

    • governistas defendendo os ricos, triste fim do PT!

      A mascara dos governistas cai a cada dia e cada comentário deles aqui no GGN. Agora vem defender os ricos que não pagam imposto em proporçao a sua riqueza  e desqualificar quem faz parte de movimentos que não recebem mesada do governo para controlar trabalhadores sem nenhum argumento para provar que o artigo está errado. Triste fim o do governo do PT.

      • Pfff!

        Não que mereça resposta, mas com esse tipo de provocação imbecil não tem jjeito

        Releia (alguma alfabetização você tem, sim, não adianta escamotear: papa e mama gastaram bastante dinheiro):

        “… Andar de baixo… Defende o aumento dos impostos sobre os mais ricos e pronto, ora.”

        Agora interprete (aí não dá mais praa culpar papa e mama, é por sua conta): onde está a defesa “dos ricos que não pagam imposto” ou qualquer referência á “mesada” do governo.

        Maluco.

        • modere suas ofensas e argumente com civilidade.

          Eu posso até ter interpretado errado seu comentário; mas eu não te xinguei nem te desqualifiquei ou ofendi pessoalmente.Esperava uma resposta no mesmo nível do meu comentário e não baixarias dignas das passatas que pedem a volta da ditadura. Você não me conhece e não sabe a que custo eu fui ou deixei de ser alfabetizado e não te devo nenhuma satisfação sobre minha vida escolar ou familiar ou histórico médico (maluco? quanto respeito pelos que sofrem com doenças mentais!) e também não quero saber da sua. Não estou aqui para discutir a minha vida ou a sua, estou aqui para discutir ideias, principios e fatos politicos. Descambar para a desqualificação pessoal do opositor – especialmente quando é alguém que você não conhece e não sabe quem é –  é uma atitude raivosa, de ódio e autoritária, uma atitude fascista. É o fascista inconsciente, é mas não sabe que é. Lhe faltam princípios de civilidade e capacidade de argumentar, mobilizam apenas emocões negativas como o ódio, o medo sem argumetação racional. Leia o texto de Adorno sobre a personalidade autoritária e tome consciencia de que lado você está.

          • Sim, conheço Adorno.
            Perdoe o
            Sim, conheço Adorno.
            Perdoe o mau jeito. Não tenho a menor disposição para usar esse espaço deste modo. Se me permite uma “justificativa” , eh que aparecem uns provocadores que, por outro lado….
            Deixa pra lá.
            Mais uma vez, aceite minhas desculpas.

    • Análise perfeita

      Boulos é racional. Não é radical.

      Mas num país com tanta gente doida, além dos mal intencionados, a solução é tentar rotular o autor do artigo.

      • Pffffff!²

        Agora viraste militante de esquerda acusando um governo que defende a valorização do salário mínimo, o patrimônio e o conteudo nacional de “traidor da classe operária”, é?

        Pfff! Outro maluco….

        Passa!

        • Sempre fui de esquerda. O que

          Sempre fui de esquerda. O que não sou é militonto (ou comissionado) como você e sua trupe. Boulos também é de esquerda, e deixou bem claro a quem serve este desgoverno Dilma.

          E que conversa é essa de “Passa!”? Além de militonto, ainda é fascistinha…

           

          • “Passa” significa “passa fora
            “Passa” significa “passa fora provocador barato”!
            “Militonto” eh linguagem de leitor de Reinaldo Azevedo. Portanto, nao tente me enganar: fascistinha eh quem me chama.
            Evite comentar minhas palavras que eu continuo sem ler as suas.
            Ademais, defendo ou critico o governo que eu quiser.

          • Expediente manjado

            Os reaças tem como modus operandi a mentira, a insídia e a má-fé. Um expediente mentiroso recorrente é dizerem que são “de esquerda”, “ex-petistas” ou “apartidários”.

            Como você muito apropriadamente observou, Lucinei, eles se entregam pelo linguajar, pela argumentação cheia de clichês direitistas e pela defesa apaixonada (e mal disfarçada) do partido a que estão ligados.

            Pessoalmente não tenho problemas em debater com quem tenha posições diferentes e até diametralmente opostas às minhas, desde que haja honestidade intelectual e que cada um assuma suas posições sem falsidade. O que me irrita é o uso de expedientes mentirosos. Acho que você faz muito bem em denunciar essa atitude desonesta.

             

  2. Sem falar que dentre o pessoal que paga irrf

    muitos conseguem recuperar uma boa parte do que pagou com a restituição no próximo ano corrigida pela selic.

    E muitas vezes através de artimanhas contábeis.

    E mesmo assim são os que mais reclamam.

  3. Governo hipocrita , oposicão idem

    Palestra de ontem na Livraria Culitura , intermediada por Eliane Cantanhede …………. e o livro comentado por Jose Serra.  

    FHC traça um panorama da “crise moral” que assombra o Brasil, evidenciada por escândalos de corrupção e aprofundada por decisões econômicas desastrosas

        A miséria da política reúne textos escritos por Fernando Henrique Cardoso entre 2010 e 2015. Publicados em jornais de grande circulação ou apresentados em conferências no país e no exterior, traçam um panorama da “crise moral” que assombra o Brasil, e apontam direções possíveis para a reinvenção da política e para o fortalecimento da democracia.

    Como José Serra diz na orelha do livro: “Em cada artigo, em cada análise, em cada julgamento moral, em cada rumo que traça para os que nele se inspiram, Fernando Henrique não abandona em momento algum a coerência de princípios, o rigor da análise e a referência ao bem público como objetivo maior. O intelectual, no autor, faz da capacidade analítica uma barreira contra o ‘realismo’ oportunista; enquanto o político, nele, combate o voluntarismo com a força da realidade.”

  4. “Vejo um museu de grandes novidades”…

    Bom dia debatedores,

    com o devido respeito – que  anda sumido – este artigo é daqueles  que “chove no molhado.”

    Arrisco-me  a dizer  que todos os que frequentam o CGN já estão  “carecas” de saber dessas aberrações do sistema tributário brasileiro. E pior. Todos já  sabem disso desde sempre. Já nos respectivos nascituros, todos nós  sabíamos disso.

    No caso acima, tudo bem, concordo que  o autor sopesou os velhos problemas com o tal “ajuste”. Nesse sentido, portanto, tudo bem, é um enfoque  “novo”  do velho, do tipo: mais uma vez não se fez isso. Ó céus….

    Mas confesso-lhes que  cansa ficar ouvindo a mesma coisa sempre. 

    Aliás, daqui de longe suspeito que estes temas passaram pelas conversas de  bastidores do governo  antes que o tal plano de “ajustes” fosse publicado. Razoável  concluir isso, não? Alguém deve ter falado. Alguém deve ter concordado, outro não etc.

    A pergunta é: por que não o fizeram?

    Por que não propuseram a regulamentação do “grandes fortunas”, do IR sobre os dividendos, o aumento da alíquota do ITR aumento da alíquota na herança etc ? 

    Por que? Ó deus , por que?

    Nínguem consegue propor isso de jeito nenhum? Ó céus, meu Deus do céu, santo padim pade cícero, ajudem-nos?

    Misericórdia… senhor….

    Especulo que há várias “respostas” que justificam essa inércia. Vejamos.

    1 – Deus não é brasileiro.

    2 – Se deus é brasileiro, então esse deus é o mercado meritocrático, racional, atemporal, individual, egoísta, hostil: no fundo,  ele, o mercado, é o  verdadeiro “salvador da pátria”. É através do “mercado” meritocrático que conseguiremos garantir a dignidade da pessoa humana.

    3 – Deus até que gosta do Brasil, mas, devido a operação lava jato, afastou-se um pouco do brasil. Está com uma certa birra do brasil, razão pela qual, precisa “discutir a relação”.

    4 – Deus é brasileiro e, dada a homofobia cada vez mais manifesta na “sociedade brasileira”, tem tido dificuldades de se relacionar com o Brasil, vez que Deus e Brasil são do  mesmo sexo e as bancadas da bala, bíblia e boi, parecem não gostar deste tipo de “relação” homoafetiva. Nesse sentido, o triângulo amoroso: deus, brasil e mercado pior ainda.

    5- Contudo, na relação : mercado e brasil – deus fica de fora. Nesse caso específico, especula-se que  até as bancadas precitadas  admitiriam uma relação mais próxima, desde que o brasil seja o “passivo” e o Mercado o “ativo”.

    Enfim, “são tantas emoções” que não dá pra saber o porquê da inércia. 

    Todavia, uma coisa eu tenho certeza: no longo prazo, isto é, junto com o apocalípse final, minutos antes, “eles”, os representantes do povo em busca da terra prometida, votarão e aprovarão essas “reformas” tributárias, políticas, agrária, enfim, todas.

    Nada mais claro e óbvio. Tudo isso será feito visando garantir uma “boquinha” no céu.

     

    Saudações 

     

     

     

     

  5. Vai nascer homem macho pra fazer isto aí!!!

    O ITR no Brasil é uma piada. Se paga 0,03% sobre o valor da terra.

    Conversando com um contador daqui observei que os valores pagos são da ordem de 10 a 30 reais para propriedades com até 50 hectares. Propriedades com 100 hectares pagam em torno de 100 reais por ano.

    Sem falar que produtor rural sonega até o último. Recentemente fiz uma previsão de receitas para um agricultor daqui e calculei que ele arrecadava 1,5 milhões por ano. Depois fui ver no IR tinha apenas 300 reais declarado. Hortifruti saem quase todos sem nota fiscal de venda das propriedades rurais.

    • O problema do ITR é que quem

      O problema do ITR é que quem cobra o imposto é o governo federal para repasar para o municipio, e o governo federal não tem interesse em cobrar aquilo que não vai ser para ele.

      Sobre o produtor rural, não sei se tem atividade com mais risco que a produção rural, e vem dela a sustentação da balança comercial.

      Cobrar imposto do produtor rural é na verdade encarecer o alimento para a população.  O produtor rural esta ficando “rico”, não é o que vemos pelo Brasil a fora.

    • Tem o ITR mais a 

      Tem o ITR mais a  contribuição para a Confederação Nacional da Agricultura, que é obrigatoria e tem natureza parafiscal.

      Os dois juntos custam pouco mais de 2.000 Reais para uma propriedade de 250 hectares, considerando que na União Europeia e nos EUA o Estado PAGA uma mesada para o agricultor existir, na França é mil Euros por vaca. Não há taxação da agricultura em nenhum grande pais agricola, ao contrario, a regra é o subsidio pelo que sacrificio que é a atividade.

      O rendimento da gricultura é pouco e exige um trabalho de sol a sol, exige muito esforço, conhecimento e dedicação e ainda tem o risco do clima e das pragas. Alguem dizer que tudo isso é moleza e que precisa taxar mais é fruto de absoluto desconhecimento e muita ideologia.

      • Depende.
        Não é bem assim

        Depende.

        Não é bem assim não.

        Estão todos, estados e prefeituras, atualizando os valores de terras, para ITR, para doações, etc…

        Circulam várias tabelas por ai, muitas com valores acima do de mercado real.

        E a taxação para arrendamento ou parceria como costumam disfarçar o arrendamento, é de 5,5% para pessoa física e 6,5% para empresas. É uma taxação relativamente baixa.

         

      • Não misture…

        Sr. Araújo, por favor não misture o incentivo às pequenas propriedades e à agricultura familiar, que devem sim ser incentivadas e seguem esse seu comovente depoimento sobre o “trabalho de sol a sol, [que] exige muito esforço, conhecimento e dedicação”… etc, etc, com o agronegócio em grande escala com imensas propriedades de monoculturas, baixa geração de empregos e altas taxas de lucro (muitas vezes beneficiando-se de financiamentos diferenciados para a agricultura).

        E não estou falando mal do agronegócio, ele é importante e não acho que deva ser penalizado. Só acho que envolve grandes capitais e grandes lucros, podendo perfeitamente pagar seus impostos tanto quanto o cidaão pobre, que sobrevive de salário mínimo, paga.

        Só acho bizarro confundir o agronegócio de grandes latifundiários ou até mesmo multinacionais com essa conversa de “trabalho de sola sol” que deve ser reservada à agricultura familiar e ao pequeno produtor.

        Misturar essas coisas dá impressão de cinismo (o que não estou em absoluto dizendo que é o caso), por isso acho importante a ressalva.

        Se a agricultura seguir a mesma lógica tributária perversa que observamos em outros setores no Brasil, é provável que os pequenos produtores familiares paguem proporcionalmente muito mais impostos que os grandes latifúndios e se esse for o caso, é um erro a se corrigir.

        • A expressão “latifundio” é de

          A expressão “latifundio” é de outras épocas, quando se guardava a terra como reserva de valor, hoje a grande propriedade tem que ser produtiva, a terra nua apenas com a escritura saiu de moda porque o imposto passa a ser oneroso, a propriedade pode ser invadida, devastada, queimada, a menos que se tenha guarda permanente, o que tambem é caro. Se o prezado acho que eu faço confusão, aponto outra megaconfusão propistal usada pela esquerda, misturar agricultura familiar com assentamentos de reforma agraria, quando são contextos completamente diferentes.

          Uma coisa é o japones com horta em Mogi das Cruzes, em terra que ele comprou e pagou com esforço, outra coisa é a turma da periferia ocupante de terra de outros e que depois passa o resto da vida pedindo tudo ao Governo ou pior ainda, pega o lote e troca por um Fusca ou uma moto e vai para outro assentamento. Nesses candidatos a assentamentos existem muitos não vocacionados para a agricultura, “maos lisas” que não querem nada com o trabalho tipo japonês.

          Há muito aproveitador vivendo desses movimentos, há muita verba publica em jogo nesse “projeto” ideologico” com escasso valor economico real, o mais famoso deles há 40 anos vide disso e tem mãos lisas como um designer de alta moda.

          • Falta de seriedade e tergiversação

            1) Em primeiro lugar sua afirmação em relação ao termo “Latifúndio” não procede:

            Dicionário Priberam:

            Latifúndio: S.M. Vasta propriedade rural, pouco explorada, cultivada por trabalhadores agrícolsa por conta de um proprietário não residente.

            Sua afirmação é absolutamente inverossímil. Não existem vastas propriedades rurais de um único proprietário não residente? Todas elas são muito exploradas? Todas são altamente produtivas?

            Faça-me um favor Sr. Araújo, mantenha um pouco de verossimilhança nas suas afirmações porque afirmações despropositadas sem um mínimo de veracidade só servem para tergiversar de forma inconsequente.

            2) Mas não é esse o problema, eu claramente coloquei uma contraposição entre pequenas propriedades rurais e grandes propriedades, afirmando que devem ter tratamento diferenciado.

            Misturar minha colocação com um questionamento sobre uma suposta “malandragem” de supostos invasores de terra e ainda por cima terreno urbano, lotes nas periferias como falou, coisa completamente diferente de pequenos proprietários e da agricultura familiar, não me parece uma forma honesta de dialogar.

            Eu afirmo uma coisa em um contexto e o Sr. responde colocando uma questão completamente diferente em um contexto completamente diferente, onde minha afirmação nem faz mais sentido, pois o Sr. fala de invasões de lotes urbanos contra uma questão de diferença de tratamento entre pequenos proprietários e o agronegócio em grande escala.

            Sinceramente assim não e possível dialogar com seriedade e honestidade, pois não sinto essas condições vindo de sua parte.

            Não vou nem comentar a diatribe contra os “aproveitadores” e o “projeto ideológico”, que me parecem não ter nada a ver e estarem carregadas de preconceitos. Como a intenção parece ser mesmo confundir os assuntos, não vou entrar nessa.

            Ainda mais com quem afirma que não existem latifúndios e latifundiários no Brasil.

            Há que se ter um mínimo de seriedade ao debater.

            la·ti·fún·di·o
            substantivo masculino

            Vasta propriedade territorial pouco explorada, cultivada por trabalhadores agrícolas por conta de um proprietário não residente.

            “latifúndio”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/latif%C3%BAndio [consultado em 17-09-2015].Vasta propriedade territorial pouco explorada, cultivada por trabalhadores agrícolas por conta de um proprietário não residente.
            “latifúndio”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/latif%C3%BAndio [consultado em 17-09-2015].

             

    • E o Incra???
      Pior órgão da união. Possui taxas irrisórias a serem pagas de 3 em 3 anos. Não paga nem o trabalho do contador.
      Se a prefeitura balizar o ITR para ter orçamento para recuperação de estradas rurais, sugiro anular o ITR e as prefeituras cobrarem pelo serviço prestado.

  6. Metáfora tosca

    Então o andar de baixo vai pagar a conta do ajuste?

    Dizendo assim fica parecendo que os ricos e os pobres são dois mundos separados e sem interação alguma no universo da economia. Não existe isso de andar de baixo pagar a conta ou andar de cima pagar a conta. Se os ricos pagam, os pobres também pagam por tabela. Você não beneficia os assalariados se arruína a quem os paga.

    Todo governo depende de impostos, e não existe fórmula mágica para se calcular a tributação ideal. Depende do grau de competência e honestidade do governo que vai gerir a receita de impostos. Em alguns países, como os do norte da Europa, onde a excelência da administração é reconhecida, altas cargas tributárias podem ser benéficas. Mas em países como o nosso, onde a competência e a honestidade do governo são aquelas que conhecemos, é crucial que a carga tributária seja a mínima possível, e os escassos recursos da nação fiquem nas mãos de quem é capaz de criar empreendimentos e oportunidades, ao invés de ficar nas mãos de quem só sabe dar empregos para seus parentes.

  7. Só a ideia de reduzir gastos sociais para dar mais dinheiro

    para especuladores deveria envergonhar todos os militantes que se dizem de esquerda. O tal “ajuste” só vai servir para afundar mais a economia  e justificar novos “ajustes”, sempre inevitáveis, no futuro próximo.  Com a selic mantida no patamar atual, no próximo orçamento até a bandeira do PT a Dilma vai ter que vender para pagar juros.

  8. PTiscos

    Guilherme Boulos é um desinformador e um plantador de aleivosias, claramente a soldo do PIG.

    A Cartinha de Salvador* – na qual, logo de cara, tem uma foto de Dilma, Lula e Falcão,  ostentando largos sorrisos vitoriosos, de mãos dadas e expondo os sovacos –  norteia as medidas da atual gestão petista frente a essa tal crise.

    Escolhi alguns parágrafos da referida cartinha que, indubitavelmente, comprovam minha afirmação.

    Saca só:

    “34. O Partido acha urgente, ainda, a instituição do imposto sobre grandes fortunas,

    grandes heranças e sobre lucros e dividendos, para alavancar o modelo

    de desenvolvimento sustentável com justiça social.”

     

    “35. Também advoga a mudança das alíquotas do Imposto de Renda, com elevação

    do atual teto, aliviando a carga tributária sobre a produção e a maioria

    dos assalariados e onerando os grandes patrimônios e as grandes riquezas.”

     

    “36. É preciso inverter a lógica do sistema atual, que concentra a carga tributária

    sobre impostos indiretos, regressivos e injustos, pois atingem a todos

    igualmente (como são o ICMS e o IPI), para incidi-la mais sobre os impostos

    diretos, a fim de fazer pagar mais quem tem mais.”

    …………………………………………………

    Que ninguém nos ouça: parece que nas últimas semanas uma montoeira de militontos petistas, praticantes sinceros e confirmados na fé, tem procurado os serviços psiquiátricos.

    E o diagnóstico tem sido sempre o mesmo: distúrbio severo de esquizofrenia.

    …É aquilo: o recurso (político)psicológico do autoengano tem seus limites. A partir de determinado ponto, o infeliz “prefere” enlouquecer a enfrentar a realidade.

    Em breve restarão nos quadros petistas tão-somente dois grupos: os malandros (“malandros” é só pra pegar leve e não dizer outra coisa) e os alienados.

    *chrome-extension://mhjfbmdgcfjbbpaeojofohoefgiehjai/index.html

  9. ué! articulista dá impressão

    ué!

    articulista dá impressão de que aterrissou ontem, vindo sem escala de Marte…

    queria que a conta do governo Dilma fosse pra que andar suspeito senão, é óbvio ululante, velho e conhecido pau pra toda obra inacabada, o andar de baixo…

    elementar, meu caro Boulos.

     

  10. Guilherme é uma pessoa

    Guilherme é uma pessoa patética.

      O que ele quer todos nós queremos.

       A pergunta é :

      É possível 😕 

       No momento,não.

       E olha que nosso galân prefeito se esforça pra isso.

        O tal  de Guilherme nem dá tempo pra Dilma .

               É UM MULEQUE.Ou seria Moloque?

        NÃO é porque sou contra o governo, que vou embarcar em qualquer barca.

       Esse cara é oportunista, com o manto de defensor dos sem casa,–como todos somos,

                   Mas a hora é errada,

       

  11. O governo enfraquece a si próprio

    Onde estavam duas das bases sociais mais firmes na defesa do governo até esse anúncio de corte anteontem? Nos movimentos por moradia e no funcionalismo federal, que tem pavor dos 8 anos de congelamento do PSDB. Ao optar pela covardia, Dilma só vai erodindo suas bases de apoio. O que este artigo faz é apontar as soluções para o governo SAIR DESSA ARMADILHA. Nada mais oportuno.

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