Cotada para Direitos Humanos prega que Igreja Evangélica “restaure a Nação”

A pastora Damares é antagonista de feministas, de homossexuais e militante eloquente da Escola Sem Partido. Em pregação divulgada em 2013, ela incitou os fiéis a sairem do conforto dos templos evangélicos para protestar contra políticas públicas

Jornal GGN – Assessora jurídica há quase duas décadas, em defesa da Frente Parlamentar Evangélica e da Frente da Família, a pastora Damares Alves recebeu pessoalmente convite de Jair Bolsonaro para assumir os Direitos Humanos do futuro governo.
 
O convite agrada a bancada evangélica porque Damares é contra direitos de homossexuais, pautas feministas e milita a favor da Escola Sem Partido. Ao menos desde 2013 ela prega eloquentemente que a “Igreja Evangélica deve restaurar a Nação”, que seus fiéis devem sair do “conforto dos templos” para protestar contra políticas públicas.
 
“A Igreja Evangélica ficou por muito tempo dentro de suas igrejas e não se atentou para o que está acontecendo à nossa volta”, disse em vídeo divulgado no Youtube há 5 anos. “Deus está chamando para a Igreja Evangélica fazer uma revisão de valores”, acrescentou.
 
Na pregação que Damares faz de igreja em igreja nos últimos anos, sempre levando o recado de parlamentares da Frente Evangélica, o governo federal sob o PT aparece como promotor de uma série de políticas nos Ministério da Saúde e Educação que “detonaram” as “nossas criancinhas” – que, às vezes, ela chama de “cordeirinhos” – e promoveram “a cultura da morte”.
 
Ela criticou, no vídeo abaixo, “as pessoas que estão escrevendo as políticas públicas desta Nação” e a inércia da “Igreja Evangélica [que] está deixando essas coisas acontecerem.”
 
https://www.youtube.com/watch?v=NauhvD1JZaw width:700 height:394
 
“Talvez vocês nunca tenha prestado atenção ao que está acontecendo com a educação neste País, com as escolas brasileiras. Estão detonando as nossas crianças. Vou rasgar o verbo.”
 
Como que para despertar a atenção do público, Damares começou sua argumentação afirmando que a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy gastou R$ 2 milhões com um programa que ensinava “sobre ereção e masturbação em bebês nas escolas”.
 
“Estão ensinando que precisamos aprender a masturgar os bebês aos sete meses de idade”, que “a menina tem que manipular a vagina desde cedo para ter vida sexual saudável na fase adulta.”
 
No mesmo evento, Damares disparou contra uma série de materiais pedagógicos, inclusive vinculados à Secretaria Nacional de Direitos Humanos, alegando que eles ensinam sexo a crianças de 3 anos. Ela comparou um dos livro ao Kama Sutra e reclamou que a Bíblia não entra nas escolas porque o Estado é laico, mas esse tipo de material está permitido. “Olha o que estão fazendo com nossas crianças”, repete insistentemente. 
 
Ao criticar a educação sexual nas escolas, ela tratou o “ponto G das mulheres” como uma invenção do Ministério da Educação sob o PT. Ela afirmou ter ouvido de médicos ginecologistas um suposto aumento do número de meninas com desenvolveram infecção de tanto “enfiar o dedo na vagina”, porque aprenderam nas escolas sobre “o tal do ponto G”.
 
Além de abraçar a agenda da Escola Sem Partido, Damares também milita contra homossexuais.
 
No vídeo, ela diz que “a homossexualidade é aprendida no berço, na forma que se lida com a criança mas ninguém nasce gay”, e diz que a homossexualidade entre meninas é mais preocupante porque a sociedade dá menos atenção.
 
“Ensinaram para as meninas que ficar com meninas é permitido e legal. Vou dar um alerta para você que é mãe: sabe essa coisa de deixar a filha dormir na casa da amiguinha para você ter um tempo livre em casa? Abre o olho que elas estão se tocando.”
 
Segundo O Globo, a pastora também defendeu que o papel da mulher é ser mãe e priorizar os cuidados da casa e dos filhos. 
 
Sobre o aborto, ela disse, em 2013, que os ministros da Saúde dos governos do PT tentaram aprovar o aborto e, para isso, manipularam o número de mortes decorrentes da interrupção feita na clandestinidade.
 
“Eles dizem que no Brasil milhões de mulheres morrem por aborto. Cadê os milhões de túmulos? Mentira, não existem! Eles manipulam dados e informações para impor na sociedade uma cultura de morte. As feministas dizem que aborto é questão de saúde pública. É mentira.”
 
Para Damares, questão de saúde pública é dengue, febre amarela, malária. Aborto é questão ligada a fé e discutir as situações em que é permitido afronta sua religião.
 
Advogada, mestre em Educação e Direito Constitucional e da Família, Damares é assessora de Magno Malta e seria a segunda mulher no governo Bolsonaro, após a confirmação de Tereza Cristina (DEM-MS) na Agricultura.
 
No Youtube também há testemunhos seus de estupros que sofreu por volta dos 6 anos. Ela disse que foi violentada dentro da própria casa por um conhecido que deixou sequelas em seu corpo. Sem poder ter filhos biológicos, ela é mãe adotiva de uma menina indígena, afirmou O Globo.
 
Segundo o jornal, a bancada evangélica indicou 3 nomes para o Ministério da Cidadania, mas Bolsonaro não escolheu nenhum deles, nomeando Osmar Terra (MDB-RS) para a pasta. Por isso, a bancada estava na expectativa de emplacar o titular dos Direitos Humanos.
 
A possível escolha de Damares não foi indicação da bancada, mas “contemplaria” seus interesses”, pontuou o diário. 

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