De Wanderley ao Nassif

Prezado Nassif,

Além do artigo a que vc. generosamente se referiu, o suplemento Eu& do Valor Econômico traz outra participação minha (esta na imprensa tradicional) no debate sobre o momento.

Não tenho discutido os problemas dos sistemas representativos, suas deficiências arqui-conhecidas e apontadas em tom algo caricatural por alguém que me lisonjeia com a declaração de ex-aluno. Agradeço, mas anônimos não me sensibilizam.

Minhas observações sobre essas limitações estão em diversos trabalhos meus que não vêem ao caso citar. Também não me faz justiça a crítica de que implico com o mundo digital, vocês é que afirmam que o sistema representativo está superado – o que nego com argumentos, não xingamentos ou implicâncias.

Se me permite uma auto referência, foi em meio digital que levantei o tema de que o discurso de ódio que permeia parte considerável das manifestações e de mensagens digitais encontraram seu paradigma no espetáculo que foi o julgamento da Ação Penal 470, transmitido justamente por meios convencionais. Não discuto meios mas as mensagens que são relevantes para o que estamos debatendo.

Reconheço e saúdo o fato de que esse novo universo já tem produzido fenômenos importantes para a sociedade democrática. Também estimo, como você, que exista um potencial de avanço civilizatório significativo embutido nessa ferramenta. Mas não estou tratando de promessas de futuro, de potencialidades, de aspectos positivos. Estou tratando de aspectos de hoje e negativos. Um discurso fascista é fascista seja qual for o meio em que esteja vazado. E tanto levo a sério o meio que tenho participado dele, afinal vc. está me fazendo restrições em virtude da minha participação.

Tenho repetido uma proposta para enriquecer a democracia representativa brasileira: tornar os analfabetos elegíveis nas mesmas condições dos alfabetizados. Ninguém se manifesta. Acho que consideram chocante, a esta altura do século XXI, internético, alguém se preocupar com os direitos políticos dos analfabetos. Enquanto isso, aguardo uma proposta, não promessas de futuro, de como aproveitar de forma produtiva a sensacional vantagem que é a velocidade de decisão por meio digital.

Abraço cordial,

Wanderley Guilherme

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