Doria é a candidatura do imediato, não a ideal para velha mídia, por Alexandre Tambelli

Foto – El Pais Brasil

Doria é a candidatura do imediato, não a ideal para velha mídia

por Alexandre Tambelli

Vou opinar sobre a candidatura Dória (a de uma eleição direta antecipada) e a candidatura ideal para a velha mídia de 2018 para frente, pensando, a partir da pluralidade de brasis. Veio o texto abaixo a partir da leitura do texto do brilhante articulista Jeferson Miola: Dória, o Berlusconi da Lava-Jato?

A pergunta que me vem é se é possível vencer uma Eleição no Brasil sendo apenas o anti-Lula? Postura atual do Dória.

Claro que a ideia de construir um candidato de “fora da Política” como solução para o Pós-Temer é a tentativa que sobrou à velha mídia por causa de toda a liberdade irrestrita dada aos seus “aliados políticos de ocasião”, que dessa liberdade irrestrita ficaram com o currículo de honestidade nada competitivo.

Foi tanta a liberdade e tanta a loucura de destruir Lula e o PT e de derrubar Dilma que não houve controle das ações, cuidado e calma.

Bem sabemos que no Brasil as campanhas em eleições e as vitórias/derrotas de parlamentares e do Executivo foram irrigadas até 2014 por vultosas quantias de dinheiro privado, colocadas no bolso dos mais variados partidos e de ideologias diferentes, até o PCdoB recebeu valores, claro que pouco expressivos, de empresas privadas.

A Lava-Jato queria pegar só o PT, Dilma e Lula, mas fica impossível, porque, na verdade, eles são os mais honestos dentro dos grandes vitoriosos da Política brasileira.

Uma delação ou uma denúncia qualquer contra tucanos ser escondida para sempre? Não foi possível, apesar do Sistema estar organizado para abafar e defendê-lo. Nem toda a Justiça é tucana, nem todo delator é tucano, nem toda a sociedade é tucana – 5% apenas, lhe dão preferência, atualmente.  

No processo de tornar a Política um caso de polícia, se começou a tentativa de ter como alvo só o PT, mas aos poucos se perdeu o controle, havia corrupção escondida nos outros partidos e políticos ligados a eles, que saiu do controle a Lava-Jato e a narrativa do “Governo mais corrupto da História”. De delação em delação se chegou aos tucanos, também, os apadrinhados da velha mídia, os “aliados políticos de ocasião”.

Todos os principais nomes do PSDB tiveram seus minutos de fama negativa na TV, rádio, jornal e revista + internet da velha mídia, sem contar a mídia independente, mesmo que se tentasse blindar ao máximo quem à velha mídia bate continência. Com a Internet tudo se escancara e acaba por levar à revelia dos desejos, que se noticie a denúncia grave ou não de corrupção dos seus “aliados políticos de ocasião”, mesmo com todo o cuidado na linguagem e dando espaço imediato ao contraditório.

E foi se acumulando pequenas denúncias que formam um vídeo enorme a ser editado na Internet. Imaginemos o tamanho da edição de Serra e de Aécio, e não é edição de triplex sem mostrar a escritura, de pedalinhos, de barco de lata, de um sítio simplório, de terreno que nunca foi do Lula, etc. São denúncias de milhões em contas no estrangeiro, esquemas de caixa dois com tudo detalhadinho, etc.

E da loucura de criminalizar a Política se chegou ao momento da necessária ruptura, até com os caciques do PSDB.

A velha mídia não tem mais como esconder, não tem mais controle do abafamento e do não noticiar, não pode mais fingir que é diferente a corrupção dependendo do partido, não consegue mais fazer dos seus “aliados políticos de ocasião”: SANTOS. E, então, ensaiam a solução clássica: fabricar o novo Collor.

Antes, no meio dos anos 80, para não estarem associados à Ditadura Militar um “novo” personagem criaram, o tal de “Caçador de Marajás”.

Hoje, para não produzirem um candidato associado ao Governo Temer e às reformas neoliberais radicais, buscam o “novo”, o tal personagem no Papel de anti político, de sujeito “honesto” vindo de fora da Política e não responsável pelo caos econômico e social que ai está para lançarem como candidato a Presidente pela via Direta ou Indireta.

Pensando no Dória.

Dória não tem estofo e conhecimento amplo da realidade brasileira, não parece ter ido muito além dos jardins, de Paris e Nova Iorque e parece não sensível para perceber como age um candidato, já sem os eflúvios da onda anti-petista e de otimismo pós-Golpe; está se construindo, apenas a partir do marketing excessivo. Ele está um tanto agressivo, deselegante, é mimado, não anda gostando do contraditório e de ser contrariado. Anda muito fora do eixo. Imprevisível seu comportamento eleitoral, penso eu.

Pode se tornar um misto de José Serra com Aécio Neves no grau de deselegância, de estar um tom acima da civilidade, de tratar qualquer adversidade na base da não resposta e no destrato para com o adversário na disputa eleitoral e com o eleitorado opositor a ele. 

A velha mídia quer fabricar um novo Collor, mas dentro de um padrão de comportamento mais simpático e equilibrado. Exercer um papel de candidato contra o que está posto e pós-Lula não significa ser sem Educação, mal-humorado e nem Dandi. 

Dória é um desespero de causa da velha mídia, pelo adiantado da hora, da provável queda de Temer antes deste ano findar. E, da não certeza de se conseguir executar o Golpe dentro do Golpe e se ter de partir para uma Eleição Direta em 2017.

Dória tem o palanque da cidade de São Paulo, então, se arriscou de colocá-lo na vitrine midiática, por hora. É o quadro que tem a melhor posição no Executivo, dentro da novidade eleitoral e da suposta ideia do não político, mas, sim, Gestor, bem ao sabor da propaganda atual do empreendedorismo com a crise do emprego no Brasil e de nossa Educação meritocrática.

É interessante. Precisa-se conciliar o Dória não político com o Gestor da cidade de São Paulo, fazendo da Política provinciana paulistana o palanque para sua candidatura presidencial. Não combina muito.

Em se podendo construir uma candidatura da velha mídia com mais tempo vão produzir um personagem outro. Nem anti-Lula nem Dandi. Uma mistura de personalidades, que interaja com as diferentes denominações cristãs, tenha um discurso mais palatável às juventudes existentes e aos direitos civis (aborto, união civil homoafetiva, descriminalização das drogas) e ao LGBT, estes dois pontos caros à classe média e médio-alta, que seja mais bem-humorado e equilibrado e sem arroubos de autoridade. Dória é muito anti juventude, é um careta. E está sem jogo de cintura. 

Comparando ao Aécio, último candidato da velha mídia. 

Aécio tem um lado playboy e baladeiro, o que lhe modernizou um pouco, nem isto Dória tem, ele é certinho demais: prefere polo a futebol (metaforicamente). Berlusconi e seus casos amorosos, sua vida particular nada regrada me levam a dissociá-lo de Dória. E Bolsonaro não gasta energia com o eleitorado opositor. 

O Brasil tem uma pluralidade de comportamentos, a padronização de um perfil de brasileiro de extrema-direita não está consolidada por aqui, e este brasileiro tem seu candidato cativo: Bolsonaro. Está havendo um refluxo da tendência de um comportamento dos brasileiros que se assemelhe/ apoie à extrema-direita, vide MBL e Vem Pra Rua e seus fiascos em levar público nas manifestações do dia 23 de março. Precisa-se levar em conta o eleitorado existente, não apenas na busca de promover um neoliberalismo permanente, uma meritocracia empreendedora radical. O (a) candidato (a) vai precisar ter a mente mais aberta e ser arejado para se sustentar no Poder, senão vira um Temer em três tempos.

Dória é muito quadrado e retilíneo. Teve 30% do eleitorado paulistano, ganhou a Eleição para Prefeito de São Paulo pela campanha anti-política e anti-petista massiva de 2016, ano do Golpe, ganhou com 1/3 do eleitorado, apenas, e perdeu para votos brancos, nulos e as abstenções, não nos esqueçamos disto. Não foi o fenômeno eleitoral que se imagina, penso eu.

Sua vitória foi um resultado circunstancial, de um momento da Política Nacional. 

Dória é para uma Eleição Direta em breve, a saída para o desespero da velha mídia de uma Eleição Direta antecipada acontecer. Tendo o Golpe dentro do Golpe e se podendo postergar eleições para 2021, 2022 ele será descartado, opinião minha.

Enfim, não nos fiemos na ideia de um conservadorismo sem limites em uma candidatura da Rede Globo, Veja, Folha, Estadão e demais grupos de comunicação do oligopólio que forma a velha mídia. Eles são conservadores no campo econômico e fixos na ideia de defesa intransigente da supremacia do mercado, do Estado mínimo, do empreendedorismo e da meritocracia e até na defesa do status quo da Casa Grande & Senzala, entretanto, vão ter de produzir um candidato mais palatável aos brasis existentes, tem que caber muitos brasis na candidatura da velha mídia, também, mesmo a gente crendo impossível, senão, podem perder a próxima Eleição Direta, que possa ter candidaturas de oposição ao Golpe. 

Se o Golpe ficar insustentável um candidato camaleão vai ser a aposta da velha mídia e não um Dória ou Bolsonaro, o risco da derrota com um deles é iminente.

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