A exploração política de Paranaguá

A utilização de um não-problema portuário para fins eleitorais

Enviada em 10 de agosto de 2010imprimir – enviar para um amigo

A coluna Panorama Político, no O Globo de hoje (10/8), traz uma nota sob o título “Gargalos” o seguinte texto:

“O candidato José Serra vai gravar hoje imagens no Porto de Paranaguá (PR) para usar na propaganda eleitoral na TV. O controverso tema dos portos brasileiros tem sido uma das principais críticas do tucano ao Governo Lula.”

Eu falo em “não-problema portuário” porque sei que o Porto de Paranaguá não tem problemas estruturais que mereçam destaque. O T1 tem publicado matérias que mostram a boa performance do porto, tanto em relação à movimentação de contêineres, de veículos, assim como de granéis líquidos e sólidos. Ao final desta análise, apresento os links dessas matérias.

Entretanto, nos últimos trinta dias, têm-se procurado passar a idéia de que uma coisa muito boa para economia brasileira é na verdade um grande problema portuário. Trata-se da gigantesca demanda por açúcar no mercado internacional.

Muitos países estão enviando navios graneleiros aos portos de Paranaguá e de Santos, de forma desorganizada, mesmo sabendo que não há como atender a todos num tempo razoável.

Junto a isso, os embarcadores de açúcar enviam milhares de caminhões a esses dois portos, também sem saber se haverá condições de desembarque ou não do produto.

Essa conjuntura, muito especial e que dificilmente se repetirá, causa fila de navios e fila de caminhões. É um problema conjuntural que, ao que parece, o candidato Serra utilizará na propaganda da TV para passar a idéia de que é um problema estrutural.

O que é muito ruim para a democracia, convenhamos. A manipulação da informação para os eleitores não é um bom instrumento para alguém que pretende governar um gigante como o Brasil.

Se eu fosse da coordenação de campanha da Dilma iria ao Porto de Paranaguá para filmar essa realidade em que algo muito bom – excesso de demanda pelo açúcar brasileiro – gera um problema conjuntural, e de difícil repetição, de responsabilidade dos armadores e embarcadores.

Seria muito bom para a o país, para a democracia e para a melhoria da logística de cargas brasileira…

José Augusto Valente – Diretor Técnico do T1 

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