A geléia geral partidária

Rui, Nassif,

Eu não tenho o conhecimento ou a competência de vocês para colaborar nessa discussão. Peço, portanto, desculpas por me intrometer, mas Poliana é meu nome de guerra há muito tempo e vocês o estão usando… (Mas acho que nem o espírito dela acredita que desse mato sai cachorro.)

Já o meu lado “Miss Marple”, que acompanha muito à distância os acontecimentos, observa que:

– O PSDB e o DEM não defendem, pelo menos com propriedade e convicção, um conjunto organizado de ideias. Oscilam muito e de modo inconsistente. Então parece que são apenas grupos conservadores interessados no poder, que não fizeram a lição de casa, e que usam um discurso anti-petista para fins eleitorais, para atrair eleitores ainda seduzíveis e manter os ainda fiéis.

– Há, no entanto, partidos que são até bem conservadores – que conseguem melhores resultados para seus objetivos, e inclusive governam e interferem em programas, aliando-se condicionalmente a um grupo de partidos que se dizem de esquerda (mas que talvez sejam mais propriamente social-democratas, sendo o nome de maior expressão o do PT “atual”.) Coalizões assim nem sequer chegam a ser raras na história. Há situações mesmo onde moderação em torno de um consenso é bem sucedida na ausência de necessidade cabal de oposição. A evolução não requer sempre contradições. Programas ruins, sim, merecem oposição, programas bons recebem reformas ou aperfeiçoamentos.

– Não há um ponto de referência que separe claramente os grupos. Nem o tão falado câmbio, por exemplo. Tanto na situação como na oposição há subgrupos que defendem a desvalorização e a valorização. A situação optou por um discurso único pró-valorização, a oposição tem dificuldade para se posicionar.

– Noves fora o PMDB, será que há mesmo bipolaridade? Onde o PSDB se defronta diretamente com o PT fora São Paulo? Acre, Pará. Há, contudo, uma regionalização, que não chega a ser conservadores vs progressistas ou direita vs esquerda ou o nome que se dê, pois não há ideologias consistentes sendo oferecidas (continuísmo e alternância não são ideologias.) As regiões são aquelas onde há sentimento anti-PT (e onde o PMDB muitas vezes é serrista) e as demais. Unidades federativas menos desenvolvidas requerem maior envolvimento do estado, outras não, e seus respectivos eleitores votam de acordo.

– PT e PSDB não são do mesmo porte e não seguem trajetórias paralelas, ao contrário. E talvez apenas em análises da grande imprensa sejam mostrados como equivalentes ou alternativos entre si. São muito visíveis em eleições para presidente, mas, se os tomarmos em conjunto, nunca passaram de 30% dos deputados federais eleitos.

– “PIG” existe, do mesmo modo que centrais sindicais existem. E não é apenas Serra que dele se utiliza ou tem se utilizado ao longo dos últimos 30 anos.

– A presença de métodos estapafúrdios de campanha é um equívoco contraproducente, mas sua eventual ausência do panorama político no futuro provavelmente não alterará a essência do demais. 

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