A sina dos vices: Temer

Nassif, tudo bem trazer à tona os esqueletos do armário de Álvaro Dias. Porém, Temer também não é santo, bem ao contrário.

Como evitaste partidarismo explícito até agora, achei que foi meio açodado desqualificar o candidato logo de cara. Para equilibrar, trazer à tona as matérias sobre a compra de votos no DF (Caixa de Pandora) que estabeleciam uma conexão com esquemas de propina em São Paulo e mencionavam Temer teria sido conveniente.

Mesmo porque o vice-presidente é antes uma peça de cimentar coalizões. Talvez o que fosse mais útil seria realçar a fraqueza da chapara justamente por ser pura, o que indica que os outros partidos da base de Serra ou foram alijados, ou se alijaram para não afundar junto com ele. Cair matando transmite a impressão de que és aberta e acriticamente apoiador da coalizão governista, quando todos sabemos que não é o caso.

Aliás, o que acho melhor dessa eleição é que ao menos um ficará fora do congresso durante quatro anos: Michel Temer. Ele espera ser eminência parda indispensável na articulação política, mas desconfio que seja uma estrela instável no partido: de apenas três deputados peemedebistas eleitos por São Paulo, ele foi o menos votado. Se Dilma assumir as rédeas da articulação – e não sabemos se ela tem jogo de cintura político propriamente dito -, ele poderá ser exilado no Jaburu, especialmente com raposas como Renan Calheiros no Congresso possivelmente prontas para acumular poder junto aos parlamentares. “Político sem mandato é igual a rameira sem cama”, disse, se não me engano, Tancredo. Ora, a vice-presidência é um mandato extremamente fraco. 

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