A sina óbvia da tropa de choque

A maneira como aliados de Serra – Folha e Estadão – reagiram à candidatura Álvaro Dias, estampando notícias negativas sobre ele, confirma uma máxima: ninguém quer se envolver com barras-pesadas, tropas de choque.

Em momentos de catarse, eles têm sua utilidade: Jungman, Itagiba, Virgilio e, mais do que todos, Álvaro Dias, receberam espaço amplo, como meros instrumentos propagadores de dossiês.

Passada a catarse, aliados, mídia se afastam como que temendo a contaminação, como se eles não devessem passar da porta da cozinha. É como se dissessem: pertencemos a classes sociais diferentes, a papéis políticos diferentes, não me comprometa, já dei o que você queria – visibilidade -, você me deu a contrapartida – escândalos -, agora, cada qual na sua.

O curioso nessa história é que José Serra parece ter uma compulsão de se cercar apenas de barras pesadas: do Secretário de Comunicação  Bruno Caetano ao Álvaro Dias, a blogueiros desqualificados. Tenho amigos que pertencem ao staff próximo de Serra, pessoas com imaginação, fôlego político, que nos últimos anos se transformaram em xiitas, agressivos, com um discurso repetitivo, emulando o chefe.

Pena, pois alguns deles poderiam ter prestado bons serviços políticos ao país, não tivessem sido picados pela mosca azul do jornalismo de esgoto e  pelo espírito destrutivo do chefe. Obviamente, não Sérgio Guerra que nada tinha a perder, nem Arthur Virgílio e Álvaro Dias. Mas Roberto Freire, que tinha história, Vellozo Lucas, grande quadro, Márcio Fortes, que teve papel relevante no BNDES, e que poderiam cumprir funções construtivas, quando submetidos a uma orientação política civilizada.

Mas ficarão marcados por terem apostado tudo em uma aventura inconsequente.

Passada a hora do pesadelo, tomara que as novas lideranças da oposição tenham discernimento para resgatar grandes quadros que, momentaneamente, perderam o rumo.

É interessante o trajeto de Jutahy Magalhães Jr. Nos tempos de ACM sempre foi um parlamentar combativo, corajoso, enfrentando o coronelato baiano. Era o deputado mais ligado a Serra. Não parece ter perdido nem a coragem, nem a lealdade. Mas não me lembro de tê-lo visto envolvido no festival de baixarias dos últimos anos.

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