Deus, aborto e mídia

Meu amigo Chico Soares, de Brasília, que não é petista como eu, me mandou este texto e autorizou sua divulgação. 

Não me incluo nos que demonizam tucanos, existem espécimes de qualidade. Serra tem história política que o recomendaria como bom candidato a presidência.  Nunca militei na seita petista, mas também não tenho dúvidas sobre a capacidade de Dilma tocar o barco. De ambos os lados há péssimas companhias, os demo com Serra e o PMDB, com sua vistosa banda podre, com Dilma. Amigos e amigas petistas, que os tenho em maior número do que tucanos,  defendem que a política de alianças ainda é necessária para o “avanço”. Discordo, faltou coragem de ousar, lançar candidato próprio em Minas, Maranhão e peitar certa parte do PMDB.

A reta final da campanha e este início de segundo turno têm, entretanto, pesado muito a favor de Dilma, na balança da decência. A exploração do sentimento religioso, com esta história do aborto e outros boatos, joga na lata do lixo as expectativas de que o Serra, mesmo com Dem, não se enlameará. Já se enlameou ao direcionar o início da campanha na linha da insinuação sobre aborto e religião. Ele e Dilma não praticam nenhuma religião. Ele e Dilma são a favor da descriminalização do aborto, não a favor do aborto. Serra sabe que sua campanha mente e difama, na exploração destes temas, e aposta neste vale tudo.

A mídia

O escandaloso comportamento da grande imprensa não pode ser cobrado de Serra, o apoio do “establichment” midiático pode ter sido espontâneo, o que não implica o candidato com o lixo produzido por aí, como aquela manchete da Falha de S Paulo sobre o tal prejuízo de 1 bi que Dilma deu. Ou o caso quebra do sigilo, explorado à exaustão, sem que tivesse este merecimento. Já a história da Erenice, esta sim, faz jus a cada linha publicada, é a cara dos “negocinhos” que a companheirada anda fazendo por aqui, nestes 8 anos.

Mas Erenice não absolve a mídia, e muito menos a observação de Fernando Henrique, verdadeira, de que ele também apanhou, e muito, da imprensa nos seus dois mandatos. Apanhou mesmo.  Na compra da reeleição, nas montagens suspeitas das privatizações (“telegangue”), no Proer e em outros daqueles meganegócios que andaram fazendo por aqui naqueles 8 anos.

Mas, nas campanhas FH foi protegido e muito. A começar pelo filho extraconjugal, assunto tabu em todo o período FH. Seria importante para o cidadão saber da pulada de cerca do candidato à presidência? No momento em que a Globo exilou a mãe da criança, o presidente ficou devendo e esta era uma circunstância de interesse público.  

Dois outros casos, um na disputa do primeiro mandato e outro na reeleição, foram escamoteados.  O envolvimento do candidato a vice-presidente, Marco Maciel, com PC Farias explodiu nas redações de Veja em Correio Braziliense, em 94. Saiu, na revista, dois meses depois de apurado, na undécima hora da campanha. Quatro anos depois, o desvio de R$ 1 milhão da conta de campanha tucana, por causa de um “boa noite cinderela” aplicado em Eduardo Jorge, nem chegou a ser publicado, embora tivesse todos os ingredientes de uma história caliente: sexo, ameaças, chantagem e ação de arapongas para varrer a sujeira.

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